EPISODE 3 – DOOMED BY THE DOOM

Posted in Uncategorized on novembro 6, 2017 by josebuceta

Além de um nome, ele também não tinha medo, mas era inteligente o bastante para compreender o fato de que isso não lhe conferia, necessariamente, uma vantagem, por isso, ao invés de se deixar levar pela sapiência intrínseca das emoções humanas, era forçado, quase sempre, a ocupar o seu intelecto com essas coisas que, para um ser humano normal, seriam tão naturais quanto a chuva e o acasalamento dos bonobos. A solução que encontrou para sua deficiência cognitiva, por assim dizer, foi desconfiar de tudo e de todos, passando a julgar toda sorte de esquisitices como uma ameaça em potencial. Foi por isso e tão somente por isso que se desviou de seu caminho para ir de encontro à Bruxa de Canthir, uma velha sacerdotisa do culto de Guiana, a ddesa usa dos mortos, que, segundo dizem, vivia n’algum lugar de Canthir já faziam mais de trezentos anos, tempo este que, ao menos de acordo com os poucos que a conheceram, foi muito bem aproveitado em bebedeiras e comilâncias históricas, das quais os envolvidos lembram-se carinhosamente bem.

A bruxa era sábia, talvez o ser mais sábio que havia no mundo no momento, e ela sem dúvida seria capaz de explicar algo do tipo, e ele precisava saber do que se tratava o quanto antes, pois sentia que, mais cedo ou mais tarde, que quer que tenha lhe surpreendido no mato retornaria para ameaçá-lo.

Seja como for, era uma decisão seríssima. De acordo com seus cálculos, lhe faltavam, aproximadamente, vinte horas para chegar Caminet, mudar de curso para Canthir lhe faria dar meia volta, quase que refazer todo o caminho que percorreu até ali e caminhar por mais dois dias, atravessando o que, segundo soube, tornaram-se ruínas após o selvagem ataque da Legião Fantasma, que agora acampava, preparando-se para continuar a avançar para dentro do território brudahviano. Tinha até alguma curiosidade em saber como andavam as coisas por lá (será que seu vilarejo já havia caído? Com excessão dele próprio, não haviam muitos homens capazes de oferecer resistência por lá, era um pequeno vilarejo formado, basicamente, por camponeses já velhos e cansados, barangas insuportáveis e meia dúzia de moleques analfabetos). Não importava, aquilo precisava ser resolvido, mas não estava afim de andar mais. Aproveitou-se do dinheiro que tinha e, ao contrário do que lhe era costumeiro, acho que seria conveniente alugar uma caravana para levar-lhe á Canthir. Infelizmente não encontrou ninguém que estivesse disposto a se aventurar por entre as tropas Talmurianas, além do mais, já se sabia que, além da Legião Fantasma, a vanguarda dos temidos Cavaleiros dos Lírios Vermelhos também se juntaram à campanha e os exércitos do Rei não foram capazes de deter seu avanço de forma eficiente desde que os conflitos se iniciaram e, da maneira como as coisas andavam, provavelmente não o seriam num futuro tão próximo.

De repente, começou a considerar se não havia se tornado um agente Talmuriano, se a sua jornada regicida não era, nada mais, nada menos, do que um plano para pôr um fim ao conflito e entregar a Brudávia aos Lobos de Talmúria. Ainda que estivesse enganado, não conseguia pensar n’outro desfecho caso sua jornada se cumprisse da forma como fora planejada por quem quer que fosse o sujeito que se apresentou como sendo seu pai.

Decidiu descansar numa pequena estalagem com a qual veio a cruzar pouco antes do anoitecer. Achava-se mais vulnerável naquele lugar do que escondido n’alguma caverna sob o olhar dos carniçais, mas era necessário que descançasse apropriadamente, pois já estava a caminhar faziam dias e mais dias. O lugar não era de todo mal, mas não se pode dizer que carregava consigo nenhum ar de requinte; a maioria dos clientes pareciam ser ladrões, mercenários, pinguços arruinados, proxenetas mal sucedidos e viciados em folha de alburgia. Era, portanto, um malzoléu de rejeitados e cheirava como tal. Ao entrar pela porta de entrada, logo chamou a atenção. Era até comum que sujeitos mascarados se metessem ali, mas nenhum dava a impressão de estar a esconder algo que pudesse por em risco quem quer que se aproximasse. Ele já estava acostumado com o tipo de olhar que recebera, pois a sua feiura era tamanha, que transpirava para além do que quer que usasse para cobrir o rosto, e colocava em alerta qualquer um que estivesse por perto, mesmo que o indivíduo sequer houvesse percebido que estava próximo a alguém.

“Que tipo agourento!”, gritou um proxeneta do outro lado do salão. “Foste amaldiçoado ou coisa do tipo? Sei que aqui não parece ser o lugar mais santo do mundo, mas, por menor que seja nossa dignidade, não é justo nos punir com a sua presença. Vá embora antes que o piru de alguém apodreça.”

Ele não deu atenção ao comentário, apenas seguiu em direção ao balcão para alugar um quarto. O dono não era humano, tratava-se d’algum tipo de ork esquisito, mas não era como nenhum que havia visto antes—era muito mais feio que a média. Talvez por isso tenha, rapidamente, conquistado sua simpatia.

“Seja bem vindo, abominação. O que trás uma alma tão podre a um lugar tão degradado? Cansou de castigar a todos com a sua presença e decidiu se enclausurar por algumas horas, não foi? Sei como é, de vez em quando faço o mesmo”, disse o ork, com um sorriso diabólico, de orelha a orelha.

“Nunca me canso de incomodar, apenas preciso de uma cama”, respondeu o sem nome num tom mecânico, monótono e perturbador.

“Pois bem, sinta-se a vontade, mas cuidado para não espantar os outros clientes”,

“Não prometo nada. Aceito qualquer quarto, basta que tenha um colchão decente. Alguma sugestão?”.

“Bem, amigo, no momento só tenho um disponível. Por sorte, ele tem colchão, mas há um buraco no teto que ainda não tive tempo de consertar. Se chover, já sabes…”.

“Não me importo, dê-me logo a chave”.

“Ora, mas que apressado!” Meteu a mão no bolso e lhe entregou a chave do quarto. Era uma chave muito velha, descascada e fétida. “Tome, fique à vontade!”.

“Curioso que já estivesse com essa chave em seus bolsos, como se já soubesse que iria precisar dela em breve”.

“Nós orks sabemos das coisas, além disso, não devia tagarelar em direção ao vento, os corvos são muito enxeridos, e nós, os orks, somos seus únicos confidentes”.

“Então que se foda”.

Pegou a chave e seguiu em direção ao seu quarto, mas antes de subir as escadas, recordou as palavras do ork. “Malditos corvos”, pensou, ” devem saber do dinheiro”, concluiu. Quando deu por si, viu que havia sido coberto por olhares gananciosos. Ladrões, mercenários, pinguços arruinados, proxenetas mal sucedidos e viciados em folha de alburgera, todos unidos com um só objetivo: dividir a barganha. Sangue e glória o aguardavam; mais sangue do que glória.

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THE HATE OF A THOUSAND SONS

Posted in Livros que não existem e nem nunca vão existir., Orgias Indigestas, Uncategorized on novembro 1, 2017 by josebuceta

Dark_Souls_II_Warrior

 

CRISOSSOMO’S CAVE

The Anciente Screm
of Misteries old;
You can’t perceive what wasn’t told–
What could defie
A Will So Cold?
Please, never Chaellnge Him!
You’re Death Was Foretold…

Unspicable Force Of Infinite Rage;
Beware, Brave Lad,
You Can’t Violate his Cage,
NEVER DEFY, THERE’s NO COURAGE
ENTERING THE CRISSOMO’s CAVE!

–Pussy Joe Yanappoulos

 

HATHEOLOGY – EPISODE 1: MUDERFORCE

 

“Nas profundezas dos corações dos homens, em meio à forme, à peste e à morte, pairando sobre a imensidão do abismo mais profundo, lá estava ele, pronto pra cair pra nunca mais se reerguer. Mas quem era ele? De onde veio e por que se entregou tão facilmente à desgraça na qual estais prestes a sucumbir? Se queres mesmo saber, sente-se confortavelmente, apague as luzes e prepare-se para a diversão.”

N’algum lugar do reno da Brudahvia, numa pequena vila localizada à oeste da Cidade Real, próxima ao desfiladeiro da aniquilação, do qual nem mesmo os mais corajosos dentre os homens podem retornar, havia um garoto sem nome e sem ambições, desprovido de amor, carinho ou afeto. O jovem garoto era praticamente uma não-pessoa. Ele não sorria, não sofria, não se questionava a respeito de nada e sequer ousava especular a respeito do medo. Certo dia, de repente, ele levantou de sua calma pela manhã e, sem razão aparente, decidiu que já era hora e matar alguns filhos-da-puta. Coincidentemente, havia sonhado com violência e sanguinolência (a coisa mais próxima de um sonho erótico que ele poderia ter); sonhava que corria pelo campo de batalha matando e dilacerando ao som dos gritos de dor e desesperança daqueles que jaziam sob a lâmina de sua espada; que pilhava cidades inteiras, que tomava e humilhava. Todas as mulheres eram suas, jovens, velhas , infantes; puras ou impuras, belas ou barangas; sonhou que os homens existiam para servir-lhe, fosse como escravos ou soldados e se nem pra isso viessem a prestar, que ao menos o ajudassem a testar a lâmina de sua espada. Em seus olhos um vazio profundo e desesperador como o olhar de quem viu, pessoalmente, o Senhor das Trevas; de quem foi e voltou do maxilar da insanidade. Estava ali profetizado. Ele, dentre todos, foi escolhido para a grandeza, e ai do Mundo! Ou ao menos assim julgava.

Notou que havia algo de diferente sobre o criado mudo no qual guardava os corações dos animais que estripava quando dava na telha. Havia ali uma carta. Estranhou a coisa e pensou consigo; ninguém ousava ter com ele desde que todos ficaram sabendo que ele praticava asfixia auto-erótica com prostitutas deficientes, portanto lhe intrigava o tipo de pessoa que ousaria enviar-lhe algum tipo de recado. Seria uma ameaça de morte? Dificilmente. Sabia que ocultava seus rastros como ninguém, e que jamais alguém poderia acusar-lhe de nada que fosse motivo para violência, ainda que suas imoralidades sexuais fossem conhecidas por todos e mesmo admiradas por alguns.

Ele pegou o envelope, mas ao tentar abri-lo, notou que não havia selo. Ainda assim, aquilo estava selado de alguma forma. Teriam descoberto a respeito do líquido viscoso e colante que ele havia inventado por acidente ao tentar sintetizar um novo tipo de droga letal? Dificilmente, provavelmente tratava-se de magia. Coisa para preguiçosos, julgava ele; as ciências eram muito melhores, pois provinham puramente do esforço humano, sem a necessidade de recorrer às forças ocultas e diabólicas do anti-mundo. Fosse como fosse, o que quer que houvesse dentro daquele envelope lhe parecia digno de sua escassa atenção.

Tratou de rasgar o envelope com os dentes–podia ter usado os dedos, mas sentiu-se estimulado a agir violentamente sem razão alguma–, retirou o pequeno papiro de dentro dele, desdobrou-o impacientemente e, por fim, pode ler a estranha mensagem:

“Levante! Avante! Doravante! Como estais, meu pequeno? Deve estar se perguntando quem sou eu e o que eu teria de tão importante para lhe dizer. Pois bem, esta é uma carta muito misteriosa mesmo! Pois saiba que você foi escolhido por mim (seja lá quem eu for) para uma incrível e alucinante aventura. Eu quero que você invada o Palácio Real e mate o Rei Roberto. Por que você faria isso? Porque seria deliciosamente excitante e divertido! Ora, acha que ninguém sabe a respeito dos teus sonhos eróticos envolvendo morte, miséria e destruição? De mim nada se pode ocultar. Agora vá, cumpra o seu destino! Mas antes, olhe debaixo do seu colchão. Encontrará mil moedas de ouro esperando por ti. Faça o que bem entender com elas, mas eu, particularmente, recomendaria que você se equipasse para a missão. Já pensou na variedade de tipos de instrumentos da morte que tu poderias adquirir com tanto dinheiro? E ainda lhe sobraria o suficiente para comprar uma mansão no coração da selva, alguns instrumentos de tortura e algumas virgens recém-saqueadas de algum vilarejo do outro lado das colinas. Se tal perspectiva lhe apetece, saiba que após cumprir sua tarefa, terá muito mais do que isso.

Graciosamente, seu melhor amigo e pai, Astolfo”.

Não estava surpreso, porém não propriamente satisfeito. Cresceu ouvindo que filho feio não tem pai, e mais feio do que ele era difícil de se encontrar. Fosse como fosse, o dinheiro estava mesmo ali, debaixo de seu colchão, o que confirmava a autenticidade da proposta, porém matar um rei era algo que nunca havia passado pela sua cabeça. De fato, o assassinato de monarcas era tido como o maior dos pecados, pois quem quer que o ousasse colocava em risco a estabilidade política de toda uma região, podendo gerar conflitos sangrentos e intermináveis e causando a morte de milhares e tal perspectiva lhe era, por deveras, apetecível; no entanto, dadas as dificuldades intrínsecas da tarefa, achava-se incapaz de tal feito. Sabia, porém, que com um montante de dinheiro como aquele, nada era impossível, mas as coisas não batiam. Quem quer que dispusesse de uma quantia financeira tão imodesta era mais do que capaz de pagar por assassinos profissionais, acostumados a este tipo de coisa e com maior chance de sucesso; diabos, podia contratar até um exército inteiro! Seria mesmo uma mensagem de seu pai? Não, não mesmo, pois era muito feio! Quaisquer que fossem as razões, concluiu, a oportunidade estava ali, era pegar ou largar. Iria fazê-lo, pensaria no resto depois.

Pegou o tanto de dinheiro que achou que precisaria naquele momento, vestiu-se como a melhor roupa que dispunha, banhou-se duas ou três vezes pra tirar o cheiro de sangue de porco das axilas, despediu-se da criança bastarda que mantinha em cativeiro em seu porão e saiu rumo à sua grandiosa jornada. Estava decidido a mudar de vida; deixaria de ser um sádico pobre para se tornar um sádico rico e poderoso, sob a benção de Crom tornar-se ia motivo de desespero dos fracos e dos oprimidos. Sigam-lhe os maus!

 

EPISODE 2: AGAINST THE WORLD WE STAND! A TALE OF A THOUSAND SINS

 

Já era tarde da noite quando o inominável deixou seu lar. Poucos antes de partir, porém, decidiu que não podia deixar sua casa sem antes limpar a sujeira. Degolou sua mãe, Fiona e o agregado da família, de nome Zógi, com o qual ela mantinha uma relação extraconjugal. Amarrou os corpos em posição de coito e guardou-os no armário. Queria ter tido mais tempo para humilhar seus cadáveres, mas foi o que deu pra fazer; queria sumir de forma sorrateira, de modo que ninguém notasse.

Caiu na estrada. Lá estava novamente, sozinho consigo mesmo, livre das amarras da sociedade, pronto para fazer o que quer que desse na telha. À sua frente, um único objetivo: matar o rei e seu reino. Era comum que lhe dissessem para evitar as estradas à noite, pois toda sorte de criminosos espreitavam na escuridão, mas eles não os temia de modo algum. Muito pelo contrário; sentia-se mais à vontade ao lado de gente má e desonesta do perto da maioria das pessoas. Não que se identificasse com eles, apenas os respeitava mais do que aos covardes que se metiam muro adentro das fortalezas de reis e rainhas temendo o caos e a incerteza do mundo afora, incapazes de perceber que não havia nada de bom à sua espera naquela vida medíocre de serviçais imprestáveis que não podiam lhe despertar nada senão o mais puro ódio—mentira, ódio não era algo com o qual estava familiarizado; não, tudo que fizera até o momento foi feito de acordo com aquilo que desejara. Apesar disso, porém, não se pode dizer que se tratava de um desejo forte e irrestivíel, uma tentação incontrável e angustiante que lhe fazia agir viciosamente em virtude de saciá-lo. Tratava-se apenas de um reflexo circunstancial, uma adversidade da existência através do qual lhe era possível exercitar o resquício do sopro de vida divino que ainda lhe restava. Se obecedia a este impulso primitivo, o fazia tão somente porque ignorá-lo seria entregar-se à inércia, e se algo lhe causava desprezo, sem dúvida era a inércia.

Amanheceu. Já haviam se passado dois dias que abandonara o tédio do pequeno vilajero no qual crescera ao lado de sua desprezível mãe (que os Deuses a tenham). Nesse meio tempo, acumulou uma boa quantia extra de dinheiro, suprimentos e equipamentos assaltando viajantes desprevinidos e mercadores—recordava até de ter cortado o pescoço de um sodomita que se metera a foder uma cabra em meios aos arbustos tarde da noite. Teria achado engraçado, se já não tivesse feito isso umas duas ou três vezes, porém reconheceu o próprio gênio ao recordar que sempre arranjava algo pra morder no ato, evitando assim gritos de prazer que pudessem atrair larápios.

Planejava fazer uma pequena parada em Caminet, um grande mercado ao ar livre que ficava próximo ao litoral, no qual se podia comprar e vender qualquer coisa. O local era cheio de Djenitas, o povo mais desgraçadamente avarento que já andou pelas terras brudavianas. Isto o tornava particularmente degradante, mas havia ali muita oportunidade e, sobretudo, muitas armas contrabandeadas das quais poderia tirar proveito. Com o montante que recebera do sujeito que alegava ser seu pai, era possível converter-se numa máquina de matar e tanto em um lugar como aquele.

Enquanto organizava as próprias ideias, sentiu um cheiro forte de carne assada vindo de algum lugar próximo de onde estava. Ainda que estivesse escondido em meio à folhagem, temeu que se tratassem de tropas Talmurianas—dois dias antes de ir embora de casa, ouviu alguém comentar que a temível Legião Fantasma já avançara o suficiente para dentro do território brudahviano, o suficiente para causar pânico aos habitantes das pequenas vilas periféricas que rodeavam a capital. Era uma guerra tola que não o interessava nem um pouco, mas era preciso tomar cuidado, pois não existe nada mais imprevisível do que a crueldade de homens a serviço de uma coroa real e ele não estava disposto a fazer parte das piras humanas que se erguiam nessas épocas. Tratou de se fastar dali o mais rápido que pode.

Enquanto esgueirava-se apressadamente floresta adentro, cruzou com o que parecia ser uma caravana de refugiados. Haviam ali dois homens altos, uma criança e três mulheres de media idade. Os homens caminhavam à frente, puxando os jumentos, enquanto as senhoras e duas crianças iam junto sobre a carroça. Um dos moleques, no entanto, não estava disposto a ficar parado e tentava acompanhar o passo dos homens mais velhos. Ainda que andassem devagar, todas as suas pernas estavam em bom estado, ao passo que o garoto tinha um terrível ferimento de lâmina na coxa esquerda, um grande corte que ia do quadril até o joelho. Estranhamente, ninguém parecia se importar com aquilo, o que não era, de todo, esquisito, considerando o caos que deviam ter presenciado horas ou dias antes.

O incógnito até pensou em assaltar-lhes pra ver o que podia acrescentar à sua pilhagem, mas logo descartou a possibilidade quando pode olhar mais profundamente dentro dos olhos do garoto; era como se as suas pupilas tivessem abandonado seus globos oculares por completo, entregando-o à branquitude cadavérica das aparições diabólicas, mas não havia branco ali, apenas um forte azul fosforecente aterrorizante. Seus dentes não eram como os de um homem normal de maneira alguma, tornaram-se como pontas de espada; sua pele não parecia pele, pois embora fosse tão elástica quanto uma pele normal, não causava essa impressão, pois possuia uma testura incomum, quase como a de um cristal de âmbar. Ele não teve medo–nada o assustava–, mas ficou curioso, tão curioso que não se moveu quando notou que a criança o fitara diretamente e estava ali, observando-o estática feito uma assombração. Assim que se deu conta disso, sacou a espada e pôs-se em posição de combate. O garoto, porém, não reagiu. Ao invés disso, tomou o seu caminho normalmente e passou a ignorá-lo por completo.

Ele nunca havia visto nada parecido ou mesmo ouvido falar de algum folclore que se assemelhasse àquela maluquice, mas sabia que o que quer que fosse, era algo muito sério e ameaçador e que, a partir daquele momento, tudo iria mudar.

 

 

Devil’s Daughter

Posted in Uncategorized on agosto 14, 2017 by josebuceta

[Abrimos com a imagem de uma grande cidade, algo semelhante a Nova York, Detroit ou qualquer merda desse tipo. Em meio a esta cena, pode-se ouvir uma voz; uma voz triste e singela, que nos conta uma história sombria, uma fábula diabólica, porém muito chata]

D’onde apenas a dor e o sofrimento ecoam, d’onde jazem tão somente os sonhos e esperanças de milhares cujas vida que lhes foi prometida, de repente, como uma gota d’água que ao chocar-se no chão desfaz-se em centenas de gotículas tão minúsculas que só os sapos e baratas podem notar, deteriorou-se em questão de segundos—estes, meus caros, foram os sortudos. Aos que restaram, coube resistir, lutar e sobreviver; mas como fazê-lo quando não há esperança? Em verdade vos digo: se tivessem morrido no inferno nuclear das bombas dos homens poderíamos, ao menos remotamente, supor que se foram dignamente—tal destino, porém, fora negado aos poucos que restaram. Tornaram monstros, lobos de homem, criaturas selvagens e incivilizadas que lançaram tudo ao pó em favor de mais uma hora de vida. Eles mataram, estupraram, traíram, não só seus aliados, como a si mesmos; seus valores, suas paixões, seus ideais…

20XX. Eu me lembro como se fosse hoje.

[De repente, uma explosão. Milhares de vidas desaparecem instantaneamente. Restam apenas destroços e cadáveres. Surgem, então, os zumbis; mutantes diabólicos e descerebrados, movidos apenas pelo instinto mais básico—comer; gente, não cu e buceta, apesar de que, a princípio, a ideia era essa]

Mas quem dera fossem a única praga a assolar esta terra! Não, haviam os outros, aqueles que vieram antes, os responsáveis pela tragédia… Nada mais eram que bestas advindas dos rincões mais sombrios dos reinos abissais! Com eles traziam a peste e a morte, eram como cavaleiros do Diabo, que patrulhavam as ruínas dos homens e que gritavam e gemiam sons que reverberavam pelo eco sombrio da Morte, perdidos entre o funesto e o deteriorado. Não eram seres como homens, embora tivessem sido de alguma forma—não, eram criaturas peludas, monstros disformes e errados, abominações temíveis, que esboçavam formas e intenções tão maléficas que sequer possuíam o direito de existir.

[Surge, por entre os escombros, um batalhão de elite que, em vão, enfrenta as criaturas ferozmente tão somente para fracassarem. Cortamos para uma vagabunda gostosa sentada no balcão daquilo que parece ser um pub. Ela bebe e fuma desesperadamente. À sua frente, vemos um barman, que por mais disposto e solícito, já está ficando de saco cheio daquela ladainha].

Foi tudo tão rápido! Se o Presidente tivesse lançado as bombas mais cedo, talvez…  Mas foi tarde demais, a praga já havia se espalhado e aos poucos… Tudo o que a humanidade alcançou! As artes, as ciências, a literatura e as séries de TV, tudo se foi num piscar de olhos. Felizmente, ao contrário do que sempre acreditei quando assistia os filmes de zumbi na televisão, de madrugada, morrendo de medo, o caos não durou muito; pelo contrário: a foi como uma história em quadrinhos de vinte páginas. Tudo acabou muito rápido…

[O barman, de saco cheio, a interrompe]

-Ok, tudo bem, eu entendo que você tem dentro de si todo esse lirismo de livro de bolso, mas todo mundo já está careca de saber dessas coisas! Poupe-me dessa verborragia, eu só pago pra servir bebida, não pra aturar gente me pentelhando a noite inteira.

– Meu bom senhor, não seja rude. Raios! Você não é capaz de enxergar uma mulher culta quando a vê? Saiba que antes o mundo ruir, eu tinha uma conta num site chamado Tumblr, lá eu conheci o feminismo e…

– Eita, porra! Mais um flashback.

[Damos um close nos lábios da mulher—são carnudos e sensuais. Para além disso, a forma como tocavam aquele cigarrão vagabundo fabricado na china era tão erótica quanto aquelas fotos que víamos nos palanques de propaganda de cigarros antes deles serem proibidos. Parecia até que chupava uma piroca, mas sejamos breves, pois isso não vem ao caso. Ao invés de gastarmos nosso imaginário com cenas pornográficas—esta mesma pornografia que levou o mundo às ruínas que presenciamos hoje–, foquemo-nos na fumaça emitida por aquele mesmo cigarro, que subia aos céus incólume, levando com sigo as imagens de um passado glorioso e que dançavam, vorazes e serenas, espreguiçando-se apaixonadamente de modo que desenhavam a imagem de uma bela bailarina. ]

-Sim, foi uma grande época aquela!  O quão saudosamente eu recordava a cidade de onde vivi, da brisa fresca que eu sentia enquanto caminhava em seus parques, do prazer que me dava observar o pôr do sol de um de seus píers, dos bares, das baladas, do sexo e das luzes! Só de lembrar é como se eu estivesse lá, sentada na mesa de um pub parecido com este aqui, ao lado, quem sabe, uma vagabunda metida a gótica, sem um tostão no bolso e que não sabia por que diabos bebia tanto…

[Focamo-nos novamente em seu cigarro. As imagens de acalentadoras de outrora se foram. Em seu lugar, retornamos àquela cena que vimos antes, em que um esquadrão suicida abria caminho por entre os destroços da cidade à ferro e fogo. De repente, tudo se acalma. Não restaram mais criaturas e, talvez agora estejam a salvo. O soldado Astolfo então encontra um corpo caído o qual, pelo que aparentava, continha algo de especial se comparado a tantos outros com os quais eles haviam cruzado então].

– Acredito que o encontramos…

[Os guerreiros, exaustos, porém otimistas, pois acreditavam ter chegado ao fim da missão, observam os arredores em busca de abrigo. Avistam, à sua frente, um enorme prédio que, ao contrário dos outros, parecia intacto e inviolado. ]

– QG, nós encontramos! [Dizia Astolfo através do Rádio]

– Cuidado, o lugar é perigoso, estamos no meio de um enxame… [respondia a Central de Comando]

[Astolfo tateia o corpo em busca de algo e o encontra. Ele, então, mostra o que havia removido do cadáver para seus colegas que demonstram uma profunda sensação de alívio. Eles, então, partem dali. Caminha cuidadosamente, um passo de cada vez, com a delicadeza de um pianista, tudo para não chamar a atenção dos zumbis. O Capitão Joseph, líder do esquadrão, tenta abrir a porta do prédio, mas ela está trancada. Ele e Astolfo cruzam olhares; apreensivos. Teriam de arrombar, mas temiam que o barulho atraísse mais mortos-vivos. Cuidadosamente, Joseph encaixa o silenciador em sua pistola e prepara-se para atirar, mas é interrompido por Rodolfo, que lhe diz, em protesto]

-Por acaso você é idiota? Silenciadores não funcionam como nos filmes e videogames, eles não suprimem todo o barulho, seu animal, apenas suavizam a onda de choque gerada pela arma para evitar que fiquemos surdos ao disparar…

-E o que você sugere, gênio? [responde Joseph, frustrado]

-Tente forçar a tranca. Você é um homão da porra, deve ser forte o bastante pra isso.

-E acha que isso não vai fazer barulho, porra?

-Menos do que a merda da sua pistola.

[De repente, Hella dá um chute na tranca, arrebentando-a instantaneamente, abrindo a porta para que o grupo possa entrar no prédio]

-Não é hora de discutir, não temos tempo pra isso, precisamos entrar!

[Joseph e Astolfo trocam olhares novamente. Parecem irritadinhos, mas agora tanto faz, precisam entrar no prédio o quanto antes].

[Eles caminham pelo salão principal daquilo que parecia ser um banco. Enquanto isso, lá atrás, Hella tranca a porta com uma barra de ferro que encontrou caída no chão. De repente, Joseph, ouve algo semelhante a passos. Alguma coisa se move através das sombras, mas não há como saber do que se trata. Seria um sobrevivente ou uma criatura do inferno? No caso de ser um sobrevivente, o que poderia lhe garantir que ele seria amigável? O que quer que fosse, provavelmente era perigoso, ele pensava consigo mesmo. De repente, ele ouve um sussurro. Parecia-se como um lamento, um choro, provavelmente de mulher. Mais uma vez, ele ouve o mesmo barulho, mas agora é como se já pudesse compreender parte do que ela dizia. Eram três sílabas, mas qual eram? Ma-chis… ta. Merda! Não pode ser! Joseph é tomado por uma terrível sensação de perigo, que lhe sobe dos pés à cabeça, neutralizando-o como um feixe de eletricidade. Após reunir a última fagulha de coragem que lhe restava, ele se volta para os colegas e grita retumbantemente, como que horrorizado: ]

-CORRAM!

[Uma diabólica criatura arrebenta o chão e pula para fora como um diabo sedento de sangue; era um monstro grotesco, enorme, gordo e seboso, repleto de piercings e tatuagens demoníacas e um corte de cabelo ridículo, em três cores diferentes. Sim. Era uma feminista, um relicto do pós-guerra que agora assombrava as ruínas da civilização como um eco depressivo de um passado fracassado. A criatura agarra o pobre Joseph que, em vão, tenta se defender atirando com tudo, porém suas balas não podem penetrar a camada de gordura, pelos e suor que protegiam o monstro. O monstro ergue Joseph de ponta a cabeça e com seus dentes jurássicos, arranca-lhe o fora e devora suas tripas. Parecia um documentário do Discovery a respeito dos hábitos alimentares dos crocodilos.

– JOSEPH! [gritava Hella, em desespero. Não podia crer que o amor de sua vida fora morto por um monstro que ela mesma ajudou a criar, mas não era hora de sentir-se culpada ou deprimida—seus dias de Tumblr acabaram há muitos anos. Ela precisava sair dali o quanto antes]

– Deixe-o, precisamos ir! Lembre-se de que temos uma missão a cumprir [vociferava Astolfo, que se desesperava ao ver que a feminista carregava consigo uma horda de militantes demoníacas. Os pobres soldados tentam livrar-se das criaturas com seus lança-chamas, mas sabem, no fundo, que é inútil; aquelas armas não fariam efeito. Eles, então, correm, desesperados, subindo as escadas o mais rápido possível, enquanto abrem caminho por entre uma fileira de zumbis que, ao ouvir a confusão, veio dar uma olhada no que estava se passando. Eles conseguem chegar até o teto do prédio, d’onde pulam para o telhado do prédio ao lado, no qual conseguem se abrigar novamente. Os dois respiram fundo, aliviados, mas sabem que sua missão ainda não acabou. Precisam encontrar a Fonte o quanto antes, caso contrário não poderão voltar para o forte.]

[Mais escadarias os aguaram. Astolfo tira um radar do bolso. Ele pode ver que se aproximam de seu objetivo].

-Estamos perto, muito perto…

-O quanto?

-Bem, acho que o que procuramos está bem aqui, alguns andares abaixo de nós.

-Será que…? Finalmente!

[Após descerem mais escadas, eles encontram a sala d’onde, segundo o radar, vinha o sinal do que estavam procurando].

– Foi aqui… Onde tudo começou… Ao menos foi o que disseram os informantes… [sussurrou Hella, incrédula].

– Posso ver que realmente não estavam enganados… Tem que ser aqui! Não vejo um desses há anos… [dizia Joseph enquanto observava um pôster de hentai na parede e um conjunto de figuras de ação de lolitas cheias de esperma seco. Uma, porém, chama-lhe a atenção. Era um Dakimakura da personagem Rei Ayamani, que tinha, entre as pernas, um buraco pra colocar um pênis de plástico. Que doideira!].

– O que devemos fazer com essas esquisitices? Levamos para análise?
– Não, deixe essas merdas pra lá. Joseph está morto, agora somos só nós dois, não podemos nos ocupar carregando o que não for estritamente necessário para a missão. Pegue o computador. É nossa única esperança. Precisamos descobrir o paradeiro dele. Rápido. A humanidade, a cura, a humanidade precisa disso!

– Mas e se levássemos esse travesseiro esquisito com esse buraquinho pra enfiar o piru? Deve dar pra curar alguém com isso!

– Não, eu não acredito! Todos vão brigar por ele, ficarão ainda mais loucos! Rápido, eles devem ter visto as chamas, devem ter uma porrada de fast and furious lá embaixo, loucos para nos devorar!

[Joseph pega o computador e o guarda dentro de uma mochila. Por sorte, era um daqueles antigos Dell low profile, bem menores do que um desktop padrão, o que era, felizmente, muito conveniente.]

[ Nossa pista. Nossa única pista está aqui. Nesse HD. E se não estiver funcionando? Não. Não é hora para fazer perguntas tolas. Sim agir. Somente agir! Ao menos era o que permeava os pensamentos de Hella]

[Eles sobem, novamente, ao topo do prédio, d’onde Joseph solicita um helicóptero para extrai-los de lá]

– Central, estamos com o HD! Precisamos que vocês nos tirem daqui o quanto antes! Verifiquem a localização através do GPS,

– 20 milhas? Roger that! [responde o piloto].

– Astolfo, cale-se!

– Como assim? Você não quer sair daqui?

– Cale a boca! Não está sentindo o cheiro de peixe podre?

– Escute aqui, eu pareço o Wolverine? Como raios eu vou sentir cheiro de peixe em meio a toda essa carniça?

– Sh… O cheiro… Eu reconheço até de baixo d’água… Pare. Ela pode nos ouvir. Pode nos cheirar. Não faça movimentos precipitados, podemos nos sair dessa se procedermos com calma e…

[Um braço abre um buraco no chão e agarra Astolfo, levando-o para baixo. Por sorte, sua mochila, na qual ficava o computador, ficou presa em um vergalhão. Hella corre para recuperá-la, quando por detrás dela, surge a criatura—a feminista a encontrou].
-Puta que me pariu!

– PIROCO NÃO É GENTE! ESTUPRO!

-Buceta!

-ESTUPRADOR! FETO NÃO É GENTE! PATRIARCADO OPRESSOR!

– Nossa, como você fede! De pensar que eu também não tomava banho naquela época.
[Hella atira com tudo; em vão. Ela pega a mochila e corre desesperadamente com todas as suas forças. De repente, o helicóptero aparece e, nele, um soldado atira ferozmente na criatura. Com aquele calibre, nem mesmo a feminista podia resistir]

-Sinta o gosto da tecnologia patriarcal, sua vagabunda!

[Era Miles, o carniceiro de Viena, um dos soldados mais temidos da Facão.

[Enquanto ele atirava feito o Rambo, um outro soldado lançava uma escada para resgatar Hella. Ela corre e se joga do prédio em direção à escada de resgate, agarrando-a ferozmente. Miles, então, pega um lança foguetes e atira no teto do prédio, explodindo a feminista em mil pedaços. O helicóptero, então, parte dali, carregando consigo um único sobrevivente e dando por encerrada mais uma missão.]

[Transtornada pelo acabara de acontecer, a pobre Hella, nossa heroína, senta-se ao lado de Miles e, em silêncio, lamenta a tragédia que decaiu sob seus colegas. Miles, em vão, tenta consolá-la]

-Não se preocupe, agora que conseguimos recuperar o artefato perdido, poderemos vingar a todos os que deram suas vidas por ele. White Malen está nos esperando, vamos foder com tudo!

-Você não entende! Eu o amei. Meu mundo, meu tudo… Meu redentor… Vendo-o ser tragado daquela forma por aquele monstro vil, foi como se o meu passado criasse garras e tivesse o arrastado para o oblívio. Ali, era eu. Eu era ela. Sim, sei que era, pois já fui… Tudo o que já me fez ruim, me fez podre, voltou e, com um golpe rápido, rasgou de minha vida o pouco que encontrei que, agora, podia chamar de felicidade… Joseph… Meu amor… Por que? Por que? Eu vou… Eu prometo… Eu vou me vingar!

[Apertava o HD forte com os braços. Olhava o horizonte chorando. Murmurava…]

-Crisossomo…

20XX. Eu me lembro como se fosse hoje. Antes, antes de tudo isso, houve um homem. Seu nome era Crisossomo Dominique de Luxemburgo e se não fosse por ele, nada disso teria acontecido.

[Focamo-nos agora em Crisossomo. Um homem de meia idade, bem vestido, com pinta de intelectual e uma oratória fascinante. Era, pois, um homem culto e sabido, do tipo que não e encontra com frequência, do qual só se pode esperar coisas boas. Faziam três anos desde que, através de golpes, maquinações e sem vergonhisse, Crisossomo tomava para si a cadeira de presidente da ONU. E foi lá, do alto de sua autoriade que, em 2 de janeiro e 19XX ele discursou pela primeira vez em favor do mundo em um momento que entrou pra história]

-Com uma vida vívida e vivida, eu, Crisossomo Dominique de Luxemburgo, busco não só aquilo que para mim, homem apelidado de ‘’zumbi’’(alcunha, esta, que se deve ao meu corpo mofino e de ares efêmeros e à minha face mórbida e abatida por horas e horas de exposição a conteúdos pornográficos escabrosos) mas sim para a humanidade.

No intento de livrar a todos de seus pecados–que conste o emprego do termo pecado no sentido de mazela social, ignorando sua semântica primitiva e antiquada—, absolver os homens em absoluto e guiá-los à luz da sapiência e à evolução espiritual, dediquei minha vida a refletir a respeito do homem.

Como resultado de décadas de reflexão e de um estudo aprofundado das contradições humanas, por fim, encontrei a raiz de todos os males: a luxúria.

Como já dizia o antigo filólogo Thomas J.J Jet, também conhecido como o Jatinho da Revolução, tudo gira em torno dela.

“A Luxúria, meus caros amigos, funciona como combustível para o ego — tantas vezes confundido com auto-estima–, e leva o ser humano a cometer todos os erros possíveis. É em nome da luxúria que o homem luta, é em nome dela que mata, é em nome dela que conquista e destrói e é, também, somente através dela que se formam todos os males. Desta forma, nada mais correto do que investir todo e qualquer possível esforço na erradicação total e absoluta de quaisquer resquícios de luxúria que possam contaminar as mentes e corações do Hominius Absolutis.”

Não farei isso por egoísmo, muito menos por qualquer sentimento mórbido de satisfação, tampouco com a pretensão e elevar-me a mais alta das categorias e eleger a mim mesmo o “Cristo Salvador”. Sou uma criatura de muitas faces, sendo muitas delas desagradáveis, no entanto, existe também um profundo ideal de justiça, algo como uma figura celestial, que, todas as minhas, surge em minha janela e, com seus olhos irredutíveis e a certeza do Divino, atravessa-me com suas palavras e torna clara minha missão. Eu seria o mais tolo dos homens se o ignorasse e me deixasse levar pelos hábitos destes mundanos… Decidi, por fim, fazer valer a minha imortalidade e de meus recursos financeiros inesgotáveis com a finalidade de fazer crescer esta lança celestial, atravessando os peitos de todos aqueles que habitam este mundo.

[E assim foi feito. Após anos de colaboração com a esquerda internacional, Crisossomo Dominique de Luxemburgo (Famoso por suas descobertas científicas, que abrangiam desde a fonte da juventude até a viagem no tempo) representou um papel importante na implantação de um governo mundial e foi por intermédio de uma decisão unânime do conselho de dominação Global o primeiro Presidente do Mundo.

Porém, o que seus colegas partidários não sabiam, era que Crisossomo nunca havia abandonado seus ideais megalomaníacos. Sua primeira decisão como presidente foi comprar toda a pornografia do mundo.

Na época, muitos ficaram surpresos com esta decisão, posto que grande parte dos lucros da Nova Ordem Mundial vinha da comercialização em massa de conteúdo pornográfico.

O que eles não sabiam é que, Crisossomo, sendo o gênio que é, enquanto projetava o Sistema Operacional de Defesa com diretrizes antigovernamentais, fazendo que os ciborgues de patrulha caçassem e destruíssem todos os membros dos partidos aliados, promovendo uma chacina que só encontrava rival histórico em suas próprias vítimas.

Crisossomo, então, tornou-se governante absoluto da humanidade, exercendo suas vontades com uma quase literal “mão-de-ferro”. Nenhum ser humano na face da terra tinha os recursos necessários para se opor ao seu exército de ciborgues malignos.
Por décadas e mais décadas, pilharam e destruíram todo e qualquer insurgente que tentasse, mesmo em pensamento—eles vinham equipados com um dispositivo de leitura de mentes—apoiasse qualquer iniciativa política e pornográfica. Num arco de trinta anos, a pornografia e a política haviam sido erradicadas da vida do homem e ninguém mais queria saber disso.

Mesmo com o aparente sucesso de seu regime, sem o apoio intelectual de outrora, Crisossomo, recusando-se a compreender o papel da pornografia na sociedade, ignorou por completo o imediatismo dos efeitos colaterais provocados pela sua decisão, desestabilizando a própria ordem mundial e colocando em risco o futuro da humanidade e afogando-a num caos interminável.

E as raízes de suas ideias podem se encontradas na obra do filósofo dinamarquês Olavo do Caralho em seu livro O Jardim das Felações:

‘’É um fenômeno inegável a corrupção da sociedade ocidental através da pornografia. Não falo apenas da estonteante quantidade de sexo que está tomando as tevês e os seriados infantis, mas sim da grave sexualização pela qual a sociedade tem sido submetida de desde a queda das Monarquias Globais Absolutistas. A humanidade agora baseia toda a sua produção no culto ao sexo, de tal forma que leva os jovens a sustentarem o ego feminino pelo resto de suas porcas vidas. Tal ego firma-se, retroativamente, com chupinhações de saco e saias curtas.

Em sua maioria, a população mundial de jovens punheteiros sustenta a árvore do ego feminino, sendo esta uma criatura diabólica e insólita, que não se entrega, de forma alguma, aos menos privilegiados, por mais que estes se esforcem.

As xerecas alheias deixam de ser um instrumento de proliferação da espécie e tornam-se um item de luxo, como uma Ferrari ou uma joia rara. Sendo que esta iguaria, não pertence, necessariamente, aos mais ricos, mas sim àqueles de maior envergadura social.

Desprezados até dizerem chega, os fracos e efêmeros desprovidos de poder social decidem buscar por uma fonte de prazer alternativa e segura para não perecer à própria loucura. Nem mesmo as feias e medianas olham pelos próprios coitados…

Enquanto isso, a esquerda internacional prega, casos se submetam a uma rotina de exercícios físicos, adquirem os atributos necessários para conquista uma Grazzy Massafera ou uma Carole Bouquet na balada. Mas quando, vítimas de si mesmos, se percebem incapazes disso, deixam-se levar pela própria frustração, entram num estado de loucura inominável e, gradativamente, convertem-se em criminosos, psicopatas, traficantes de drogas ou recorrem à pedofilia. A sociedade, como de costume, finge que a culpa não tem culpa nenhuma e que as causas de tais mazelas nada mais são do que o percurso natural da história. O homem nunca precisou de tanto sexo e a mulher nunca precisou ter o ego tão inflado para fugir da loucura. ’’

Com todo o pornô mundial erradicado (as redações tomadas, sites apagados da rede, atrizes e atores pornôs condenados à forca, filmes e livros eróticos usados como combustível do exército cibernético e o culto ao celibato), os menos privilegiados, outrora citados por Olavo, tornaram-se criaturas bestiais.

Desprezados, sem xerecas, amor ou atenção, começaram a surtar em vários lugares do mundo. Repentinamente, uma série de calamidades tomou as rédeas do planeta. Em cada escola ocorria um Columbine e um Realengo respectivamente. Nerds se tornavam mais perigosos do que punks e neonazistas, buscando por muletas emocionais em filosofias machistas e desenvolvendo comportamentos misóginos. Já as mulheres, agora desprovidas de seus bajuladoras e percebendo que os cafajestes eram parcialmente incapazes de ovacioná-las, também enlouqueceram.

Em pouco menos de cinco anos, a fúria tomou os corações dos homens comuns e de todas as patricinhas do planeta. A sociedade ocidental, como um todo, começou a sofrer de patologias inéditas e as que já existiam tornaram-se ainda piores. A mentalidade humana foi aniquilada por completo, deixando para trás todos os seus costumes civilizados, ignorando até mesmo a própria imagem e as mais básicas noções de higiene, atingindo um estado cadavérico e, por fim, tornando-se zumbis.

Sabe-se lá de que maneira o que antes não passava de um comportamento mental assumiu formas biológicas, convertendo-se numa doença contagiosa. Quando um faz and furious ou uma fast and furious mordia ou arranha outro ser humano, o indivíduo, numa questão de minutos, transformava-se num deles. Em poucas semanas, toda a resistência intelectual do mundo ocidental caiu, dando espaço para o império do mal.

Porém, nem tudo estava acabado. Havia aqueles que, de uma forma ou de outra, eram imunes à peste, sendo o principal deles o Movimento Gay.

O leitor deve estar se perguntando “mas por que diabos os homossexuais?” A explicação é muito mais simples do que poderiam vir a crer certos indivíduos. Vamos e elas:

Homens possuem a libido incrivelmente maior do que as mulheres (verdade científica, esta, muito popular na comunidade científica do século XXI), o que faz com que os homossexuais não precisem de pornografia, podendo comer uns aos outros com uma facilidade muito maior do que entre casais heterosexuais. Já as lésbicas, embora mulheres, com o decorrer de décadas e mais décadas de reflexão, atingiram a condição intelectual absoluta após entenderem a si mesmas. Como resultado disso, tornaram-se imunes à pornografia ou qualquer mazela imbecilizante.

Contudo, a despeito do que pensavam os homossexuais, eles não eram os únicos capazes de superar o mal absoluto. Haviam, também, em algum lugar dos destroços da antiga civilização global, uma tribo conhecida como “cafajestes”. Descendentes do Hominius Tradicionalis, pouco se fodiam para as mulheres e só queriam comer cu e buceta e que não possuíam o nível intelectual mínimo para serem considerados idiotizados pelo que quer que se propusesse a fazê-lo.

Infelizmente, aquilo que tinha todo o necessário para representar uma nova ascensão da espécie humana, mostrou-se um desastre ainda maior.

Grupos armamentistas homossexuais masculinos visavam estuprar os cafajestes e submetê-los a lei do caralho louco sob o pretexto de que ”todo mundo é gay”. Os cafajestes, devassos por natureza, buscavam estuprar as lésbicas, submetendo-as à correção penetrativa, alegando que ‘’lesbianismo é falta de rola’’ e as lésbicas buscavam derrotar os homossexuais e cafajestes porque os viam como uma raça, apoiando-se na crença de que a humanidade só poderia ser reconstruída sob uma forma hermafrodita, sobretudo feminina.

E assim firmou-se o apocalipse. Zumbis devorando uns aos outros, homens e mulheres lutando por ideologias absurdas, dor e sofrimento. O mundo havia ruído por completo e restava apenas o oriente islâmico-conservador, visto que lá a pornografia nunca chegou a existir.

Deve-se reconhecer que o último vestígio de civilização se encontra, atualmente, no Oriente Médio. Mas como eles vivem brigando entre si, temo, meus caros amigos, que este seja o fim].
[Após toda essa exposição de enredo, retornamos ao bar, onde podemos ver o cadáver o barman estirado no chão, com uma bala na cabeça. Também pudera! Não podendo aguentar tanta exceção de linguiça, suicidou-se ali mesmo, o que era uma pena, pois restaram poucos homens heterossexuais e trabalhadores como ele. Hella, entregue à própria verborragia, sequer notou a tragédia. Permaneceu ali, falando sozinha, feito uma velha esquizofrênica.]

– E é por isso que hoje eu vivo bêbada. Tá tudo uma merda.

[Como uma criança autista, ela se levanta em vai embora sem nem prestar atenção aos arredores. Ao sair pela porta do bar, se vê entregue novamente ás ruínas da civilização de outrora. Ela olha para o céu, respira fundo e põe-se a andar novamente, rumo ao vazio. Seus olhos, aqueles belos olhos castanho-escuros e provocantes observavam o infinito com a impavidez e a determinação de um gorila no cio. Sim, ainda haviam muitas aventuras a esperando; muito suor e mestruação.]

– Perdi o meu amor naquela noite. Mas encontrei um motivo para me manter viva. Sim… Agora eu conheço seu paradeiro, Crisossomo Dominique de Luxemburgo e eu vou me vingar!

[Fim do primeiro capítulo].

POSSUIDA

Posted in Uncategorized on janeiro 11, 2012 by josebuceta

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Quando Nietzche Gozou

Posted in Uncategorized on outubro 28, 2011 by josebuceta

Quando Nietzsche chorou

Houve um tempo, bem longícuo, ardoroso
Onde um homem, a sós consigo adorou
Uma doutrina meio estranha, algo complexa
Que, sozinha, se proliferou, mesmo perplexa

Esse homem, dito santo, Super Homem
Sonhou com ritos, descontruções e profetas
Ao seu lado, jazia um vidro de tarja preta
Talvez nele houvesse o segredo de sua avareza

Ele tentou, pensou, refletiu
E ao cansar-se mandou tudo pra puta que pariu
Se o seu amor, como o fél, nada valia
Por que não entregar à maresia?

Em seus sonhos, então, enclausurou-se
Não mais valia tanta dor algo superflua
A partir de então sua vida seria perversa

Aliou-se à corrente do mal
Construiu uma máquina colossal
Em seu topo jazia todo o controle
Escalou-a como sendo uma torre

Plantou nele todas as suas esperanças
Funciona sob a dor das lembranças
Das vadias, eunucos, pensadores e veados
De vidas medíocres e igualmente fado

Tudo seria então destruido de vez
Não haveria mas pra vocês
A física de sua arma era fulgaz
Violenta, idestrutível e eficaz

Disse adeus esse mudou e gritou:
Nunca, jamais saberão quando Nietzhe chorou!
Quando Niezche chorou…

Distúrbio Cacetecinético Rotativo Avassalador

Posted in Livros que não existem e nem nunca vão existir. on agosto 12, 2011 by josebuceta

Nota: esse post estava uma merda, então, pra não criar um outro post sem necessidade, resolvi editá-lo mais uma vez. Contudo, ao contrário do que fiz antes, registrando uma ideia de pouco valor, retomarei o velho hábito de escrever diálogos fora de contexto. No entanto, desta vez, eu lhes darei uma ideia do que está a acontecer:

Na última semana–aproxidamente no dia 10, se não me falha a memória–, gastei o meu precioso dinheiro e alguns créditos do meu cartão de ônibus indo até o Centro da Cidade marcar presença na BGS 2011. Ao contrário do que eu esperava–talvez por vir acumulando espectativas desde novembro do ano passado–, o evento foi uma boa merda. Voltei para casa cheio de frustrações, salvo um pequeno ocorrido: enquanto caminhava à paisana por aquelas instalações precárias e nada empolgantes, avistei um estande curioso. Nele, havia uma enorme tela de LCD, onde estavam a exibir um jogo muito parecido com Silent Hill. Mesmo sabendo o quão improvavel isso seria, por um pequeno instante, tive esperanças de que encontrar, alí, a versão demonstrativa do jogo Silent Hill: Downpour, exposta na E3 do mesmo ano. Ao contrário do que eu esperar, o que eu encontrei, no entanto, foi um grupo de desenvolvedores imaturos, que, aparentemente, estavam a investir esforços no desenvolvimento de um jogo do subgênero “survivor horror”.

Não preciso dizer que isso, quase que imediatamente, chamou a minha atenção. Eu fiquei bastante entusiasmado com o que estava vendo–por mais vergonhoso que seja, era a primeira vez que eu tinha um contato direto com um grupo de desenvolvimento de jogos, mesmo que este fosse um tanto quanto aloprado.

Conversa vai, conversa vem, fui fazendo uma série de perguntas a respeito do jogo, sobre o que ele tratava, quais eram as pretenções de seus desenvolvedores e quais eram as ideias para torná-lo um produto “único”. Tão logo vieram as respostas, espantei-me com a falta de visão daqueles jovens. O que poderia vir a ser, com um pouco de esforço e criatividade, algo relevante, em instantes perdeu-se numa iniciativa mais apaixonada do que racional. Eles, aparentemente, não tinha muita noção do que queriam fazer, e esforçavam-se na tentativa de captar um pouco de outros jogos para que pudessem construir a sua quimera sem alma e sem coração.

Como era de se esperar, gastei um tempo considerável instruindo os coitados. Não que eu possa dizer que sou um grande analista de jogos, cujas ideias superarão os paradigmas da indústria, mas ao menos eu tinha uma visão–pretenciosa demais, admito. Devo ter dado ideias o suficiente para se fazer uns trocentos milhões de jogos ou mais, não sei (e, cá entre nós, isso é um tanto quanto irrelevante agora).

Mesmo sem a garantia de que eles assimilaram bem minhas palavras, d, aquele exercívio serviu para alimentar o pouco de criatividade que ainda resta nesse meu corpinho moribundo.

Entusiasmado pelo meu discurso, tive um monte de ideias interessantes. E é me baseando em uma delas, que vos escrevo estas linhas de diálogo:

–Recebeu a minha ligação?
–Bem… acredito que sim, tendo em vista que nós estamos conversando agora… pelo telefone.
–Não esta, idiota! A outra.
–Que outra?
–Pelo visto não recebeu… isso é mal.
–Que seja. O que você quer? Seja breve, eu geralmente não consigo entender um terço das coisas que você me fala.
–Eu recebi os papéis que você me enviou.
–Sobre a minha nova paciente?
–Não, sobre a sua mãe. Ora bolas, mas é claro!
–Eu acho que você está um tanto quanto estressado hoje. Geralmente só quem me trata como lixo nas segundas-feiras é a minha mãe e os meus cachorros. Minha mãe, ligando para dizer que não tem nenhum orgulho da minha profissão e meus cachorros cagando em meus sapatos.
–Bem feito. Quando eu disse pra você se livrar dessas porcarias, você não me deu ouvidos! Agora aprenda a lidar com seus sapatos cagados.
–O que quer que eu faça? Eu não posso simplesmente colocá-los no vôo mais próximo pra Coréia do Sul!
–Meta-os num saco e jogue dentro de uma lixeira! Dentro de algumas horas terão sufocado até a morte e seus sapatos estão livres desse sofrimento. Mas chega dessa história de fésis, eu tenho algo importante pra lhe falar.
–Pois então fale.
–Você precisa se livrar dessa garota, ela é problema. Ouça bem o que eu digo: essa vagabunda vai acabar com a sua vida, livre-se dela o mais rápido possível, da forma que for! Esqueça esse tratamento idiota, ele não vai dar em nada. Você não está em condições de ajudá-la e, se insistir, vai colocar a merda da sua vida em risco.
–Olha só que curioso, alguém que se importa com a minha vida… Quisera eu que não fosse um cara com bodelands. Olha, Jake, eu fico lisongeado por ter conquistado o seu afeto, mas, infelizmente, eu sou hétero. E, além disso, não do meu feitio abandonar meus pacientes–você entende bem o que eu quero dizer. Me ligue novamente quando tiver informações menos nebulosas, eu tenho umas consultas marcadas e não posso me atrasar.
–Não desligue, sua capivara! Eu tenho trezentas páginas de informações aqui, não vou lhe falar tudo pelo telefone! Se você quiser mais informações, venha até mim que eu lhe entregarei tudo, ok? Tudo!
–Eu não sou assim tão burro! Me lembro bem do que você fez com a sua ex namorada. Não quero passar o meu final de semana trancafiado em um porão, cheio de ematomas. Estarei mais confortavel “em perigo”.
–Tsc… merda, você é um babaca, sabia? Eu estou tentando salvar a porra da sua vida e é assim que você me trata? Quando eu te encontrar, eu vou enfiar essa papelada bem no meio do seu rabo, cê tá me ouvindo? Você vai vomitar cada página dessa merda, uma por uma, e vai ler todas elas, uma por uma, tá me entendendo? Uma por uma!
–Acho que seria mais prático se você me enfiasse por e-mail…
–Como assim e-mail? Que e-mail o quê? E-mail porra nenhuma!
–Não é assim tão complicado, basta escanear as páginas, como num aparelho de fax.
–É tão fácil assim?
–É.
–Tudo bem então! Eu vou pedir pra Jane me ajudar com isso, ela entende bem essas máquinas.
–Contanto que você não tente agredí-la, por mim tudo bem. Tenha um bom dia, Sr. Jake. E não se esqueça das pílulas, elas estão na terceira gaveta ao lado do microondas.
–Eu me lembro das malditas pilulas!
–Sei…

Sup, londom

Posted in Orgias Indigestas on agosto 12, 2011 by josebuceta

–Oi.
–…oi.
–Parece que estudamos no mesmo colégio.
–É, acho que sim.
–Você é fofa.
–Obrigada… eu acho.
–Já jogou Doom?
–Err… sim, algumas vezes. Por quê?
–É incrível. A violência, as figuras satânicas, os labirintos, as músicas.. É tudo tão incrível! É como a melhor coisa já criada pelo homem desde o projeto Manhattan.
–Se você diz, quem sou eu pra discordar?
–Todo mundo é alguém pra discordar. Papai costumava dizer isso quando ele e a mamãe brigavam. Quando eu era uma criança, não era capaz de compreender isso, mas hoje eu vejo que é verdade.
–Provavelmente você está certas, mas eu só disse isso porque… Bem, qual é o seu nome?
–O meu nome é Shirley. E o seu?
–Eu me chamo Michelle, mas o meu primo costumava me chamar de Meesha. No começo eu achava estranho, hoje eu até acho que soa bem. Me acostumei com isso.
–Legal. Meus primo me chama de Shirley porque esse é o meu nome. Acho que ele ainda não arrumou um melhor. Talvez você possa ajudá-lo! A ideia de lidar com pessoas que se referem à mim de uma forma diferenciada é muito excitante. Seria como chegar em algum lugar onde todo mundo te conhece como “Joe” e gostar disso.
–Você é bastante comunicativa.
–Sim. Papai vivia dizendo que eu falava como uma pessoa de, sei lá… uns 80 anos. Como o meu avô, mais precisamente. Sempre tive a vontade de tirar isso a prova com ele, mas ele morreu quando eu tinha quatro anos. Um acidente de carro. Sua cabeça foi arrancada e vôou para fora do carro, caindo dentro do berço de um bêbê cuja mãe estava levando para passear na mesma rual. Disseram que ela gritou como se fosse morrer. Imaginar essa cena é um tanto divertido. Você não acha engraçado?
–Eu estaria mentindo se dissesse que não.
–É verdade. Você e a maioria das pessoas pra quem eu contei isso. Nunca entendi muito bem porque as pessoas sentem tanta repulsa pela morte. É algo tão natural… mais natural do sexo gay. Ainda assim tem pessoas que apoiam o sexo gay, mas se pudessem, se livrariam da morte. Na minha opinião, isso é muito idiota. Eu adoro a morte, é como uma espécie de companheira cuja presença sublime toca profundamente na alma do ser humano. Nós a tememos, mas a amamos. Ela está em todos os lugares. Nos nossos sonhos, pesadelos… às vezes até nos planos. Isso é muito bonito.
–Quantos anos você tem?
–15, e você?
–Err… qual é a sua classe?
–5-B.
–Que bo… Eu digo, que pena. Pelo visto não iremos dividir a mesma sala.
–Não se preocupe, podemos nos encontrar depois das aulas.
–É… eu “acho” que vou me tentar lembrar disso.