Archive for the Orgias Indigestas Category

Sup, londom

Posted in Orgias Indigestas on agosto 12, 2011 by josebuceta

–Oi.
–…oi.
–Parece que estudamos no mesmo colégio.
–É, acho que sim.
–Você é fofa.
–Obrigada… eu acho.
–Já jogou Doom?
–Err… sim, algumas vezes. Por quê?
–É incrível. A violência, as figuras satânicas, os labirintos, as músicas.. É tudo tão incrível! É como a melhor coisa já criada pelo homem desde o projeto Manhattan.
–Se você diz, quem sou eu pra discordar?
–Todo mundo é alguém pra discordar. Papai costumava dizer isso quando ele e a mamãe brigavam. Quando eu era uma criança, não era capaz de compreender isso, mas hoje eu vejo que é verdade.
–Provavelmente você está certas, mas eu só disse isso porque… Bem, qual é o seu nome?
–O meu nome é Shirley. E o seu?
–Eu me chamo Michelle, mas o meu primo costumava me chamar de Meesha. No começo eu achava estranho, hoje eu até acho que soa bem. Me acostumei com isso.
–Legal. Meus primo me chama de Shirley porque esse é o meu nome. Acho que ele ainda não arrumou um melhor. Talvez você possa ajudá-lo! A ideia de lidar com pessoas que se referem à mim de uma forma diferenciada é muito excitante. Seria como chegar em algum lugar onde todo mundo te conhece como “Joe” e gostar disso.
–Você é bastante comunicativa.
–Sim. Papai vivia dizendo que eu falava como uma pessoa de, sei lá… uns 80 anos. Como o meu avô, mais precisamente. Sempre tive a vontade de tirar isso a prova com ele, mas ele morreu quando eu tinha quatro anos. Um acidente de carro. Sua cabeça foi arrancada e vôou para fora do carro, caindo dentro do berço de um bêbê cuja mãe estava levando para passear na mesma rual. Disseram que ela gritou como se fosse morrer. Imaginar essa cena é um tanto divertido. Você não acha engraçado?
–Eu estaria mentindo se dissesse que não.
–É verdade. Você e a maioria das pessoas pra quem eu contei isso. Nunca entendi muito bem porque as pessoas sentem tanta repulsa pela morte. É algo tão natural… mais natural do sexo gay. Ainda assim tem pessoas que apoiam o sexo gay, mas se pudessem, se livrariam da morte. Na minha opinião, isso é muito idiota. Eu adoro a morte, é como uma espécie de companheira cuja presença sublime toca profundamente na alma do ser humano. Nós a tememos, mas a amamos. Ela está em todos os lugares. Nos nossos sonhos, pesadelos… às vezes até nos planos. Isso é muito bonito.
–Quantos anos você tem?
–15, e você?
–Err… qual é a sua classe?
–5-B.
–Que bo… Eu digo, que pena. Pelo visto não iremos dividir a mesma sala.
–Não se preocupe, podemos nos encontrar depois das aulas.
–É… eu “acho” que vou me tentar lembrar disso.

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Megalomaníaco.

Posted in Orgias Indigestas on julho 29, 2011 by josebuceta

Sabe aqueles dias em que você acorda ciente de que o dia vai ser uma boa merda? Você não sabe como e nem porquê, mas de alguma forma, no seu íntimo, algo lhe diz que tudo vai dar certo. Sabe de uma coisa? Naquele dia foi exatamente o contrário disso e eu estava bastante otimista… mas a vida gosta de se fazer de difícil com a sua imprevisibilidade. Eu simplesmente “pisquei” e, de repente, ele estava morto. E quando eu olhei ao meu redor eu percebi que eu estava prestes a entrar numa coisa para a qual eu provavelmente não estava preparado. Que se foda, eu não sei mais o que devo ou não fazer. Tudo o que eu tenho é um punhado de instinto e uma vontade insaciável de sentar a porrada em todo mundo.

Que seja.

–E aí, rapaz, no que você está pensando?
–Nada demais.
–Dá pra ver na tua cara que você não sabe mesmo da merda em que se meteu. Mas eu vou tentar agir como um amigo e te explicar bem as coisas: isso, ou melhor dizendo, este “torneio” não é necessariamente um evento esportivo. As pessoas não vem aqui apenas para provar suas habilidades, elas querem algo mais.
–Tipo o quê?
–Prazer.
–Que tipo de prazer?
–Um tipo não muito saudável. Tipo estuprar crianças, beber sangue, surrar mendigos, etc. Algo necessariamente sádico.
–Que merda…
–Pois é. Mas eu não os culpo… prefiro acreditar que são todos malucos ou coisa parecida. O problema aparece quando me surgem otários feito você, que não sabem prestar atenção no fato de todo mundo ter um jeitinho meio psicopata por estas bandas. Sejamos sinceros… é muito obvio, como não percebeu?
–Eu mesmo não sei dizer.
–É um otário, isso sim!
–Você não parece ser um “psicopata”.
–Eu não sou. Entrei nessa por motivos um tanto mais “racionais”, se é que me entende.
–Acho que você me entendeu mal. Apesar de não parecer com um psicopata, você está muito longe de uma figura amigável. Qual é a sua?
–Dinheiro, drogas, putas e porrada. Eu costumava cudiar das apostas, até que um dia um otário feito você veio caluniar a minha imagem com uma história idiota de eu ficar longe do ringue por ser um viado que dá o cu. Como eu não gosto que digam essas coisas a respeito de mim, resolvi entrar na briga, com uma condição: ele teria de apostar nos meus adversários. Se eu fosse derrotado, ele receberia o triplo do dinheiro apostado, se não… Bem, ele me deve muito, diga-se de passagem.
–É uma motivação um tanto estranha. Não me convenceu.
–Ok, eu apostei em mim mesmo. E até agora, parece que estou indo muito bem. Se eu perder, terei o mesmo destino do seu amigo, o que significa que “dinheiro” não será um problema. Se eu vencer, nunca mais precisarei pisar nesse chão imundo e levarei uma vida tranquila sem maiores preocupações. Me soa justo.
–Ainda não entendi muito bem. Trata-se de uma reunião de assassinos loucos que querem realhar uns aos outros sem nenhum motivo claro? Me perdoe, mas isso jamais vai me convencer.
–Eu acredito que haja algo mais “obscuro” por detrás disso tudo. Digo… eu já vi muitas coisas estranhas por aqui. Coisas perturbadoras e, aparentemente incompreensível. Além disso, muitas pessoas morrem aqui e os seus cadáveres simplesmente desaparecem sem que ninguém se dê conta de nada… sem familiares, sem polícia, sem nada. E, às vezes, um ou dois deles aparece por aí como se nada tivesse acontecido. Vê essas paredes? Eu posso sentir o cheiro dos cadáveres. E, não importa quanto tempo passe, ele é fresco e, curiosamente, saboroso. Merda, eu posso até ouví-los às vezes… é assustador, não?
–Talvez.
–Vá se acostumando. Agora que você faz parte disso, não tem mais como sair. É vida ou morte, cara. Prepare-se para o pior.
–Ok…

Nada, mas algo.

Posted in Orgias Indigestas on julho 22, 2011 by josebuceta

–O que está fazendo? –Não sei. Talvez eu esteja contemplando a minha própria morte.
–Não seja idiota, você ainda tem muito tempo. E com “muito tempo”, eu realmente quero dizer “muito tempo”, se é que me entende.
–Eu entendo perfeitamente. Bem, acho conveniente mudarmos de assunto. É um mal momento pra se falar de mortes.
–Tanto faz.
–… Lindie.
–Diga.
–Como pudemos deixas as coisas chegarem a esse ponto? Tínhamos um bom plano, não tínhamos?
–O plano era bom, mas… nós não o executamos da maneira certa. Ambos deixamos de ser quem éramos e… acabamos nos deixando levar; ficamos acomodados com a situação. O curioso é que agimos exatamente da mesma forma. Nenhum de nós foi esperto o suficiente para perceber o que estávamos fazendo e alertar um ao outro.
–Almas gêmeas. *risos* Que merda, não? Estamos fodidos como nunca. Talvez não consigamos sair dessa ilesos.
–Não me importo mais com isso. Não me importo mais com nada… eu me sinto confusa. Talvez eu também queira desaparecer; mesmo que isso signifique morrer por alguma rasão.
–Vai acontecer. Bem… eu posso aceitar a minha própria morte. Não sei se posso aceitar a sua.
–Você é um bom amigo.
–Sim, eu sei disso. Sempre fui, não é? Quem diria?! Algo pra me orgulhar.
–De fato, mas eu também sou. Talvez melhor do que você. O que eu estou dizendo? É claro que sou, afinal eu tenho mais dinheiro e um penteado mais interessante.
–Mas eu tenho o melhor par de nádegas. Sem contar que levo mais jeito com as garotas.
–Nem tanto. Eu poderia uma vadia na metade do tempo que você leva pra se apresentar. E por quê? Simples! Eu tenho mais dinheiro.
–Contudo, devemos considerar o fato de eu ser o único aqui que tem um pinto.
–Eu posso comprar um se eu quiser.

O Nada Nadando na Nata do Viatnã

Posted in Orgias Indigestas on março 23, 2011 by josebuceta

Numa Base Secreta Iraniana, localizada na província da Puta-que-o-pariu:

-Depois de tantos anos, eis que surge no vento um antigo espectro mortuário de um passado agourento. Que queres comigo, Lindsay? Tenho pouco a barganhar.
-Ora, pois! Não seja tão ranzinza, velho amigo. Nos conhecemos há mais tempo do que ambos conseguimos nos lembrar–curiosamente, mas tempo do que eu consigo me lembrar–não há necessidade de se referir à minha pessoa desta forma tão cordeal.
-Que seja. Mas faço questão de reforçar o ponto fundamental de minhas últimas palavras: tenho pouc a barganhar.
-Se consideras a tua força pouco a barganhar, então você está muito mais velho do que qualquer um poderia imaginar. Deixe de ser fresco! Com um pouco de estímulo, você estará de volta à ativa, baixando a porrada nos mal feitores novamente do jeito que sempre fez.
-Você tem o seu supergrupo particular. Juntos, dão muito mais trabalho do que eu.
-Mas uma ajudinha extra sempre vem a calhar! Vamos, não seja tão malvado comigo, ambos sabemos que o nosso compromisso foi muito mais do que aparentava.
-Está ficando velha demais pra estes gracejos juvenis.
-É, eu sei. Mas não custa nada tentar.
-Não vou integrar a sua equipe de pardais esvoaçantes.
-Pardais esvoaçantes? É uma definição bastante sem sentido, mas soa bem. Talvez eu a utilize pra alguma outra coisa algum dia. Agora deixe de frescura, levante a sua bunda magricela deste sarcófago, arrume todos os seus pertences e prepare-se para a viagem! Vamos para a Líbia nesse final de semana, e não se trata de uma turnê publicitária.
-O que te faz pensar que…?

-Pois então, nobre Chacal, está curtindo a viagem?
-A vista é atraente…
-Eu sabia que você irira adorar! Até pedi pro Javé preparar aqueles espetinhos de frango que você tanto adorava.
-Não… não como isso já fazem dezoito anos… Acho que me esqueci qual é o gosto do frango.
-É o preço a se pagar por viver como eremita, tolinho.
-Tolinho… É difícil pra você falar como se tivesse mais de dezessete anos?
-Não sei qual é o seu problema. Desde muito vive reclamando da forma como expresso minhas opiniões? O que quer de mim? Que eu prepare uma dissertação científica sempre que estiver planejando algum gracejo? De certa forma, eu até fiz isso algumas vezes na semana passada, enquanto redigia parte do meu discurso praquela platéia de bundões da Allstar Bowling, no entanto, devo acrescentar que, num discurso, o polimento vale mais do que o conteúdo a ser transmitido.
-Gosto da forma como você relaciona informações de forma idiota sempre que fala mais do que “banana frita” ou “nuggets com molho shoyu”.
-Gosto de quando você me lembra de pratos tão deliciosamente suculentos.

Enquanto isso, no meio do mato:

Eu devo ser o único otário do batalhão que não parece nem um pouco encomodado com os horrores da guerra. Ao ver nos teus rostos a expressão abatida de quem já não tem mais esperanças de sobreviver, sinto que vale a pena sorrir um pouco mais e aproveitar todo o louvor de se estar a matar por motivo algum. Não que eu seja um psicopata; muito pelo contrário, o meu envolvimento emocional com as artes da guerra é tão intenso e calorento que afasta qualquer tipo de frieza. Sou diferente daquele homem, o Sgt. Homer. Veja só como ele olha pros cantos, sondando a área feito um maldito radar. Ele é, de fato, um caçador genuíno; não é como eu; não é só um moleque revoltado tentando descarregar a sua frustração em uma cambada de moleques maltrapilhos com guarda-sóis na cabeça. Por um momento, levo em conta a possibilidade de gerar um simples, porém duradouro conflito com o Sargento. Será mesmo que eu poderia me divertir com alguém sem alma e sem coração? Ok, talvez eue steja sendo um tanto cordial ao afirmar uma condição tão tênue ao meu adorado superior. Ele é, de todo, um demônio da floresta; um PREDADOR alienígena preparado para matar de todas as formas imagináveis.

De repente, todos começam a ficar um tanto inseguros. Pode-se ouvir, ecoando da mata, os gritos de uma tropa, decerto em apuros. Os moleques que ainda não enloqueceram tremem na base. Os pobres coitados queriam estar em casa agora, sentados em frente à tevê e comendo hambúrgueres preparados por suas respectivas progenitoras–querem voltar àquela divina condição fetal; querem ser crianças de novo, e, em seu íntimo, rogam aos céus ou qualquer outra coisa na qual acreditam para que tudo não passe de um mero mal entendido. No entanto, o destino é cruel com eles. Os gritos são em inglês–sotaque carregado, típico do interior. Alguém está sendo esfolado. Sgt. Homer não demora muito pra notar o sorriso estampado na minha cara. Ele me olha torto, com um olhar assassino. Talvez algo nele veja minha perversidade como uma ameaça desagradável à superioridade sociopata. Devo afirmar que é uma doce provocação–já nos vemos como rivais.

-Cabo Proust Orwell, um jovem francês que, insatisfeito com a sua cidania, migrou para os Estados Unidos, e com a ajuda do submundo, forjou uma nova identidade, falsamente norte-americana, tudo pra poder lutar na guerra do Viatnã. O seu sonho era ser como Chuck Norris, mas como tudo na vida tende a se desviar um tanto de sua trajetória, ainda que milimetricamente, não afetando sua chegada ao local proposto, ele acabou se tornando o Capitão América.

Fique Longe do Cume

Posted in Orgias Indigestas on março 18, 2011 by josebuceta

-Olá, Senhor. Poderia me ajudar? Eu estou procurando o Cume, mas com todas estas árvores, não consigo enxergá-lo. Onde poderia estar?
-Fique longe do Cume. Coisas ruins acontecem lá.
-Ouvi dizer que no cume alegra.
-E quem poderia ter proferido tamanha calúnia? Desde tempos longícuos; falo de séculos, espécies, gerações inteiras, sem carregando consigo o mesmo discurso: no cume dói. É desfavorável para qualquer pessoa de bem de repente vir dizer que no cume alegra.
-Quem disse foi meu pai. Quando ele era mais novo, contava ele, seus amigos reuniam-se no alto do cume para tomar ximarrão e lá viviam momentos maravilhosos!
-Momentos maravilhosos? Tomando ximarrão? Tomando no cume? Temo tanto aquele local que só pensar cume agito… Estou lhe mandando, deixa este ximarrão, vá tomá-lo n’outro lugar. Não tome no cume!
-Se você diz. Mas logo agora!? Viajei tanto para encontrar este lugar. Vim de terras longícuas, viajando pelos pequenos povoados da europa, cruzando cordilheiras, atravessando as fronteiras, e tudo para quê? Ser impedida por um sujeito do qual o pouco que sei nada significa? Se tu não me disse como faço pra chegar no cume, então no cume prostarei, ainda no final desta noite, em protesto aos seus ditos infames!
-Tudo bem. Não exerço poder sobre sua índole, se queres tomar no cume, que tome! Mas tome sozinha, e faça o favor de levar consigo qualquer sinal de sua existência. De longe que cruzaremos a semana atrás de você. No entanto, tenho algo a lhe confessar, minha jovem de olhos castanhos.
-E o que ê?
-Ouvir dizer sobre uma criatura indômita de voraz, foragida de todas as pencostais, que com fome e arrebatadora luz, no cume seduz.
-Tanto faz. Agora vá embora, tenho muito a fazer no cume.
-Adeus, forasteira. E não venha me dizer que não lhe alertei que no cume costuma arder.

Brilindosas Borboletas

Posted in Orgias Indigestas on março 14, 2011 by josebuceta

brilindosas borboletas

Brilindosas borboletas viciadas em porpetas voam por estes céus, livres como devassa buceta; nas astes modernas dos antigos deuses, maravilindos seres astutos, tomam chá de chimarrão entrelaçados aos viadutos; e no meio de tanta desforra, facas voam, cruzando os céus e agaixam feito patinhos pra provar do sabor do fél; e as crianças, muito adoradas, sambam na putaria, caladas pelo trânsito, têm ataques de taquicardia. Gente morta, gente feliz, tirando meleca do naris; e nas punhetas, desequilibradas, nascem os vermes deste país.

–José Buceta.

Encontros e Desencontros Entre Um Ninja Preto e um Canibal

Posted in Orgias Indigestas on fevereiro 12, 2011 by josebuceta

novecentos quilos de porrada–Se nós tivéssemos nos encontrados há menos tempo do que isso, pode ser que eu me referisse àquele larápio filho d’uma parteira da seguinte forma: um grande filho da puta folgado e inescrupuloso cuja fama e fortuna consistiam em se aproveitar de velhas virgens–de alma–e milionárias, apostas duvidosas e outros meios ilícitos de se ganhar a vida. No entando, pra quem não acredita na boa e velha fábula onde se contam das pessoas redmidas, esta aí um bom argumento para contrabalancear suas ideologias; e este ponto (valorosíssimo ponto, se me permite dizer) é a figura soturna, porém audaz, de Nimurai, o misterioso Ninja Preto.
Tudo começou numa vilazinha humilde localizada no norte da Europa, coberta por uma vasta vejetação graciosa. Ela cobria longas distâncias de terra, forrando a região com sua beleza esverdeada, típica do Silean. Também haviam animais divertidos no mato e todos os outros tipos de coisas chatas que você encontra na Europa, exceto–talvez–alguns sociopatas metidos e maníacos com motosserras. Há quem diga que todos estes maneirismos do destino serviam para atribuir ao local um certo adorno de filme B adolescente ou talvez alguma espécie de sadismo simplório e escatológico, o qual levava os maus espíritos à loucura, mas a grande verdade disso tudo é que o localzinho não tinha culpa de ser assim; ele era e pronto, e não importava nenhuma análize sociológica ou teoria de psicanálize , pois, naquela época, tudo isso não passava de futilidade acadêmica, algo com o qual os playboyzinhos da capital se gabavam e faziam pose (pois é, não haviam carros zero quilômetro e nem MP20’s). Mas retomando o assunto, eu não vim aqui para falar de nada disso. A minha intenção é narrar-lhes a trajetória oculta do caminho Shinobi e desbravar as infinitas terras idealistas que formam o ideal do ninja moderno: uma espada bem longa (de preferência uma Katana, embora esta não seja a arma preferida dos ninjas), roupas estilosas, carinha de malvado e, claro, um poder de luta de MAIS DE 8000, sem margem para erros relacionados à aparelhos que supostamente estão quebrados.–disse Lambert.
–Espera…
–Qual foi?
–Do que diabos você está falando afinal?
–Olha, sendo sincero, eu não tenho ideia. Mas eu já devo ter lhe explicado algumas vezes o porquê dos meus lapsos criativos aleatórios.
–Ah, sim… aquela coisa que enfiaram na sua cabeça. Talvez fosse uma boa ideia aproveitar esse seu “talento” para trabalhar a ficção.
–Seria uma excelente alternativa, meu caro amigo John. No entanto estes lapsos são incontroláveis. Eu simplesmente entro em estado de transe e começo a relacionar centenas de informações aleatórias, enquanto vomito ideias pela boca sem contexto algum.
–Compreendo. Deve ser desagradável pra você.
–Nem tanto! Tem gente que acha engraçado. E eu gosto de fazer graça.
–Dá pra perceber.
–E então, o que você tem feito ultimamente?
–Além de dar uma escapada pra beber com você? Pouca coisa. Na verdade eu tô meio paradão…
–Sério, mano? Pensei que você tinha se ajeitado lá naquela parada da N.S.A.
–Fui temporariamente afastado de campo. Algo “aconteceu” e eu não soube lidar com isso, então eles decidiram que eu deveria ficar de bobeira por uns tempos pra esfriar a cabeça… Procedimento padrão.
–Mais parece que eles tão te enrolando.
–Provavelmente. Mas e daí? Eu já estava ficando de saco cheio de caçar aberrações.
–Era um serviço legal. Eu adoraria participar de algo desse tipo. Apesar disso, eles preferem me pagar uma miséria de aposentadoria! É uma vida injusta, John; muito injusta.
–É o que a vida reserva aos veteranos.
–Ainda bem que cê escapou dessa…
–Do exército?
–Pois é! Logo arrumaram uma coisa mais foda procê fazer. Já eu fiquei fodido… E ainda fui obrigado a assinar aquele bagulho de silêncio.
–Não me admira. Do jeito que você fala, em poucas horas todos os segredos da segurança nacional já estariam viajando pelo país na velocidade da conversa. E tudo pelo qual lutamos estaria ruindo diante de nossos olhos.
–Não seja exagerado, estamos falando apenas de alienígenas.
–Alienígenas não, monstros do espaço.
–Isso mesmo, monstros do espaço! É uma coisa pra botar medo no coração de um homem honesto.
–É… pode ser.