Archive for the Orgias Indigestas Category

THE HATE OF A THOUSAND SONS

Posted in Livros que não existem e nem nunca vão existir., Orgias Indigestas, Uncategorized on novembro 1, 2017 by josebuceta

Dark_Souls_II_Warrior

 

CRISOSSOMO’S CAVE

The Anciente Screm
of Misteries old;
You can’t perceive what wasn’t told–
What could defie
A Will So Cold?
Please, never Chaellnge Him!
You’re Death Was Foretold…

Unspicable Force Of Infinite Rage;
Beware, Brave Lad,
You Can’t Violate his Cage,
NEVER DEFY, THERE’s NO COURAGE
ENTERING THE CRISSOMO’s CAVE!

–Pussy Joe Yanappoulos

 

HATHEOLOGY – EPISODE 1: MUDERFORCE

 

“Nas profundezas dos corações dos homens, em meio à forme, à peste e à morte, pairando sobre a imensidão do abismo mais profundo, lá estava ele, pronto pra cair pra nunca mais se reerguer. Mas quem era ele? De onde veio e por que se entregou tão facilmente à desgraça na qual estais prestes a sucumbir? Se queres mesmo saber, sente-se confortavelmente, apague as luzes e prepare-se para a diversão.”

N’algum lugar do reno da Brudahvia, numa pequena vila localizada à oeste da Cidade Real, próxima ao desfiladeiro da aniquilação, do qual nem mesmo os mais corajosos dentre os homens podem retornar, havia um garoto sem nome e sem ambições, desprovido de amor, carinho ou afeto. O jovem garoto era praticamente uma não-pessoa. Ele não sorria, não sofria, não se questionava a respeito de nada e sequer ousava especular a respeito do medo. Certo dia, de repente, ele levantou de sua calma pela manhã e, sem razão aparente, decidiu que já era hora e matar alguns filhos-da-puta. Coincidentemente, havia sonhado com violência e sanguinolência (a coisa mais próxima de um sonho erótico que ele poderia ter); sonhava que corria pelo campo de batalha matando e dilacerando ao som dos gritos de dor e desesperança daqueles que jaziam sob a lâmina de sua espada; que pilhava cidades inteiras, que tomava e humilhava. Todas as mulheres eram suas, jovens, velhas , infantes; puras ou impuras, belas ou barangas; sonhou que os homens existiam para servir-lhe, fosse como escravos ou soldados e se nem pra isso viessem a prestar, que ao menos o ajudassem a testar a lâmina de sua espada. Em seus olhos um vazio profundo e desesperador como o olhar de quem viu, pessoalmente, o Senhor das Trevas; de quem foi e voltou do maxilar da insanidade. Estava ali profetizado. Ele, dentre todos, foi escolhido para a grandeza, e ai do Mundo! Ou ao menos assim julgava.

Notou que havia algo de diferente sobre o criado mudo no qual guardava os corações dos animais que estripava quando dava na telha. Havia ali uma carta. Estranhou a coisa e pensou consigo; ninguém ousava ter com ele desde que todos ficaram sabendo que ele praticava asfixia auto-erótica com prostitutas deficientes, portanto lhe intrigava o tipo de pessoa que ousaria enviar-lhe algum tipo de recado. Seria uma ameaça de morte? Dificilmente. Sabia que ocultava seus rastros como ninguém, e que jamais alguém poderia acusar-lhe de nada que fosse motivo para violência, ainda que suas imoralidades sexuais fossem conhecidas por todos e mesmo admiradas por alguns.

Ele pegou o envelope, mas ao tentar abri-lo, notou que não havia selo. Ainda assim, aquilo estava selado de alguma forma. Teriam descoberto a respeito do líquido viscoso e colante que ele havia inventado por acidente ao tentar sintetizar um novo tipo de droga letal? Dificilmente, provavelmente tratava-se de magia. Coisa para preguiçosos, julgava ele; as ciências eram muito melhores, pois provinham puramente do esforço humano, sem a necessidade de recorrer às forças ocultas e diabólicas do anti-mundo. Fosse como fosse, o que quer que houvesse dentro daquele envelope lhe parecia digno de sua escassa atenção.

Tratou de rasgar o envelope com os dentes–podia ter usado os dedos, mas sentiu-se estimulado a agir violentamente sem razão alguma–, retirou o pequeno papiro de dentro dele, desdobrou-o impacientemente e, por fim, pode ler a estranha mensagem:

“Levante! Avante! Doravante! Como estais, meu pequeno? Deve estar se perguntando quem sou eu e o que eu teria de tão importante para lhe dizer. Pois bem, esta é uma carta muito misteriosa mesmo! Pois saiba que você foi escolhido por mim (seja lá quem eu for) para uma incrível e alucinante aventura. Eu quero que você invada o Palácio Real e mate o Rei Roberto. Por que você faria isso? Porque seria deliciosamente excitante e divertido! Ora, acha que ninguém sabe a respeito dos teus sonhos eróticos envolvendo morte, miséria e destruição? De mim nada se pode ocultar. Agora vá, cumpra o seu destino! Mas antes, olhe debaixo do seu colchão. Encontrará mil moedas de ouro esperando por ti. Faça o que bem entender com elas, mas eu, particularmente, recomendaria que você se equipasse para a missão. Já pensou na variedade de tipos de instrumentos da morte que tu poderias adquirir com tanto dinheiro? E ainda lhe sobraria o suficiente para comprar uma mansão no coração da selva, alguns instrumentos de tortura e algumas virgens recém-saqueadas de algum vilarejo do outro lado das colinas. Se tal perspectiva lhe apetece, saiba que após cumprir sua tarefa, terá muito mais do que isso.

Graciosamente, seu melhor amigo e pai, Astolfo”.

Não estava surpreso, porém não propriamente satisfeito. Cresceu ouvindo que filho feio não tem pai, e mais feio do que ele era difícil de se encontrar. Fosse como fosse, o dinheiro estava mesmo ali, debaixo de seu colchão, o que confirmava a autenticidade da proposta, porém matar um rei era algo que nunca havia passado pela sua cabeça. De fato, o assassinato de monarcas era tido como o maior dos pecados, pois quem quer que o ousasse colocava em risco a estabilidade política de toda uma região, podendo gerar conflitos sangrentos e intermináveis e causando a morte de milhares e tal perspectiva lhe era, por deveras, apetecível; no entanto, dadas as dificuldades intrínsecas da tarefa, achava-se incapaz de tal feito. Sabia, porém, que com um montante de dinheiro como aquele, nada era impossível, mas as coisas não batiam. Quem quer que dispusesse de uma quantia financeira tão imodesta era mais do que capaz de pagar por assassinos profissionais, acostumados a este tipo de coisa e com maior chance de sucesso; diabos, podia contratar até um exército inteiro! Seria mesmo uma mensagem de seu pai? Não, não mesmo, pois era muito feio! Quaisquer que fossem as razões, concluiu, a oportunidade estava ali, era pegar ou largar. Iria fazê-lo, pensaria no resto depois.

Pegou o tanto de dinheiro que achou que precisaria naquele momento, vestiu-se como a melhor roupa que dispunha, banhou-se duas ou três vezes pra tirar o cheiro de sangue de porco das axilas, despediu-se da criança bastarda que mantinha em cativeiro em seu porão e saiu rumo à sua grandiosa jornada. Estava decidido a mudar de vida; deixaria de ser um sádico pobre para se tornar um sádico rico e poderoso, sob a benção de Crom tornar-se ia motivo de desespero dos fracos e dos oprimidos. Sigam-lhe os maus!

 

EPISODE 2: AGAINST THE WORLD WE STAND! A TALE OF A THOUSAND SINS

 

Já era tarde da noite quando o inominável deixou seu lar. Poucos antes de partir, porém, decidiu que não podia deixar sua casa sem antes limpar a sujeira. Degolou sua mãe, Fiona e o agregado da família, de nome Zógi, com o qual ela mantinha uma relação extraconjugal. Amarrou os corpos em posição de coito e guardou-os no armário. Queria ter tido mais tempo para humilhar seus cadáveres, mas foi o que deu pra fazer; queria sumir de forma sorrateira, de modo que ninguém notasse.

Caiu na estrada. Lá estava novamente, sozinho consigo mesmo, livre das amarras da sociedade, pronto para fazer o que quer que desse na telha. À sua frente, um único objetivo: matar o rei e seu reino. Era comum que lhe dissessem para evitar as estradas à noite, pois toda sorte de criminosos espreitavam na escuridão, mas eles não os temia de modo algum. Muito pelo contrário; sentia-se mais à vontade ao lado de gente má e desonesta do perto da maioria das pessoas. Não que se identificasse com eles, apenas os respeitava mais do que aos covardes que se metiam muro adentro das fortalezas de reis e rainhas temendo o caos e a incerteza do mundo afora, incapazes de perceber que não havia nada de bom à sua espera naquela vida medíocre de serviçais imprestáveis que não podiam lhe despertar nada senão o mais puro ódio—mentira, ódio não era algo com o qual estava familiarizado; não, tudo que fizera até o momento foi feito de acordo com aquilo que desejara. Apesar disso, porém, não se pode dizer que se tratava de um desejo forte e irrestivíel, uma tentação incontrável e angustiante que lhe fazia agir viciosamente em virtude de saciá-lo. Tratava-se apenas de um reflexo circunstancial, uma adversidade da existência através do qual lhe era possível exercitar o resquício do sopro de vida divino que ainda lhe restava. Se obecedia a este impulso primitivo, o fazia tão somente porque ignorá-lo seria entregar-se à inércia, e se algo lhe causava desprezo, sem dúvida era a inércia.

Amanheceu. Já haviam se passado dois dias que abandonara o tédio do pequeno vilajero no qual crescera ao lado de sua desprezível mãe (que os Deuses a tenham). Nesse meio tempo, acumulou uma boa quantia extra de dinheiro, suprimentos e equipamentos assaltando viajantes desprevinidos e mercadores—recordava até de ter cortado o pescoço de um sodomita que se metera a foder uma cabra em meios aos arbustos tarde da noite. Teria achado engraçado, se já não tivesse feito isso umas duas ou três vezes, porém reconheceu o próprio gênio ao recordar que sempre arranjava algo pra morder no ato, evitando assim gritos de prazer que pudessem atrair larápios.

Planejava fazer uma pequena parada em Caminet, um grande mercado ao ar livre que ficava próximo ao litoral, no qual se podia comprar e vender qualquer coisa. O local era cheio de Djenitas, o povo mais desgraçadamente avarento que já andou pelas terras brudavianas. Isto o tornava particularmente degradante, mas havia ali muita oportunidade e, sobretudo, muitas armas contrabandeadas das quais poderia tirar proveito. Com o montante que recebera do sujeito que alegava ser seu pai, era possível converter-se numa máquina de matar e tanto em um lugar como aquele.

Enquanto organizava as próprias ideias, sentiu um cheiro forte de carne assada vindo de algum lugar próximo de onde estava. Ainda que estivesse escondido em meio à folhagem, temeu que se tratassem de tropas Talmurianas—dois dias antes de ir embora de casa, ouviu alguém comentar que a temível Legião Fantasma já avançara o suficiente para dentro do território brudahviano, o suficiente para causar pânico aos habitantes das pequenas vilas periféricas que rodeavam a capital. Era uma guerra tola que não o interessava nem um pouco, mas era preciso tomar cuidado, pois não existe nada mais imprevisível do que a crueldade de homens a serviço de uma coroa real e ele não estava disposto a fazer parte das piras humanas que se erguiam nessas épocas. Tratou de se fastar dali o mais rápido que pode.

Enquanto esgueirava-se apressadamente floresta adentro, cruzou com o que parecia ser uma caravana de refugiados. Haviam ali dois homens altos, uma criança e três mulheres de media idade. Os homens caminhavam à frente, puxando os jumentos, enquanto as senhoras e duas crianças iam junto sobre a carroça. Um dos moleques, no entanto, não estava disposto a ficar parado e tentava acompanhar o passo dos homens mais velhos. Ainda que andassem devagar, todas as suas pernas estavam em bom estado, ao passo que o garoto tinha um terrível ferimento de lâmina na coxa esquerda, um grande corte que ia do quadril até o joelho. Estranhamente, ninguém parecia se importar com aquilo, o que não era, de todo, esquisito, considerando o caos que deviam ter presenciado horas ou dias antes.

O incógnito até pensou em assaltar-lhes pra ver o que podia acrescentar à sua pilhagem, mas logo descartou a possibilidade quando pode olhar mais profundamente dentro dos olhos do garoto; era como se as suas pupilas tivessem abandonado seus globos oculares por completo, entregando-o à branquitude cadavérica das aparições diabólicas, mas não havia branco ali, apenas um forte azul fosforecente aterrorizante. Seus dentes não eram como os de um homem normal de maneira alguma, tornaram-se como pontas de espada; sua pele não parecia pele, pois embora fosse tão elástica quanto uma pele normal, não causava essa impressão, pois possuia uma testura incomum, quase como a de um cristal de âmbar. Ele não teve medo–nada o assustava–, mas ficou curioso, tão curioso que não se moveu quando notou que a criança o fitara diretamente e estava ali, observando-o estática feito uma assombração. Assim que se deu conta disso, sacou a espada e pôs-se em posição de combate. O garoto, porém, não reagiu. Ao invés disso, tomou o seu caminho normalmente e passou a ignorá-lo por completo.

Ele nunca havia visto nada parecido ou mesmo ouvido falar de algum folclore que se assemelhasse àquela maluquice, mas sabia que o que quer que fosse, era algo muito sério e ameaçador e que, a partir daquele momento, tudo iria mudar.

 

 

Anúncios

Sup, londom

Posted in Orgias Indigestas on agosto 12, 2011 by josebuceta

–Oi.
–…oi.
–Parece que estudamos no mesmo colégio.
–É, acho que sim.
–Você é fofa.
–Obrigada… eu acho.
–Já jogou Doom?
–Err… sim, algumas vezes. Por quê?
–É incrível. A violência, as figuras satânicas, os labirintos, as músicas.. É tudo tão incrível! É como a melhor coisa já criada pelo homem desde o projeto Manhattan.
–Se você diz, quem sou eu pra discordar?
–Todo mundo é alguém pra discordar. Papai costumava dizer isso quando ele e a mamãe brigavam. Quando eu era uma criança, não era capaz de compreender isso, mas hoje eu vejo que é verdade.
–Provavelmente você está certas, mas eu só disse isso porque… Bem, qual é o seu nome?
–O meu nome é Shirley. E o seu?
–Eu me chamo Michelle, mas o meu primo costumava me chamar de Meesha. No começo eu achava estranho, hoje eu até acho que soa bem. Me acostumei com isso.
–Legal. Meus primo me chama de Shirley porque esse é o meu nome. Acho que ele ainda não arrumou um melhor. Talvez você possa ajudá-lo! A ideia de lidar com pessoas que se referem à mim de uma forma diferenciada é muito excitante. Seria como chegar em algum lugar onde todo mundo te conhece como “Joe” e gostar disso.
–Você é bastante comunicativa.
–Sim. Papai vivia dizendo que eu falava como uma pessoa de, sei lá… uns 80 anos. Como o meu avô, mais precisamente. Sempre tive a vontade de tirar isso a prova com ele, mas ele morreu quando eu tinha quatro anos. Um acidente de carro. Sua cabeça foi arrancada e vôou para fora do carro, caindo dentro do berço de um bêbê cuja mãe estava levando para passear na mesma rual. Disseram que ela gritou como se fosse morrer. Imaginar essa cena é um tanto divertido. Você não acha engraçado?
–Eu estaria mentindo se dissesse que não.
–É verdade. Você e a maioria das pessoas pra quem eu contei isso. Nunca entendi muito bem porque as pessoas sentem tanta repulsa pela morte. É algo tão natural… mais natural do sexo gay. Ainda assim tem pessoas que apoiam o sexo gay, mas se pudessem, se livrariam da morte. Na minha opinião, isso é muito idiota. Eu adoro a morte, é como uma espécie de companheira cuja presença sublime toca profundamente na alma do ser humano. Nós a tememos, mas a amamos. Ela está em todos os lugares. Nos nossos sonhos, pesadelos… às vezes até nos planos. Isso é muito bonito.
–Quantos anos você tem?
–15, e você?
–Err… qual é a sua classe?
–5-B.
–Que bo… Eu digo, que pena. Pelo visto não iremos dividir a mesma sala.
–Não se preocupe, podemos nos encontrar depois das aulas.
–É… eu “acho” que vou me tentar lembrar disso.

Megalomaníaco.

Posted in Orgias Indigestas on julho 29, 2011 by josebuceta

Sabe aqueles dias em que você acorda ciente de que o dia vai ser uma boa merda? Você não sabe como e nem porquê, mas de alguma forma, no seu íntimo, algo lhe diz que tudo vai dar certo. Sabe de uma coisa? Naquele dia foi exatamente o contrário disso e eu estava bastante otimista… mas a vida gosta de se fazer de difícil com a sua imprevisibilidade. Eu simplesmente “pisquei” e, de repente, ele estava morto. E quando eu olhei ao meu redor eu percebi que eu estava prestes a entrar numa coisa para a qual eu provavelmente não estava preparado. Que se foda, eu não sei mais o que devo ou não fazer. Tudo o que eu tenho é um punhado de instinto e uma vontade insaciável de sentar a porrada em todo mundo.

Que seja.

–E aí, rapaz, no que você está pensando?
–Nada demais.
–Dá pra ver na tua cara que você não sabe mesmo da merda em que se meteu. Mas eu vou tentar agir como um amigo e te explicar bem as coisas: isso, ou melhor dizendo, este “torneio” não é necessariamente um evento esportivo. As pessoas não vem aqui apenas para provar suas habilidades, elas querem algo mais.
–Tipo o quê?
–Prazer.
–Que tipo de prazer?
–Um tipo não muito saudável. Tipo estuprar crianças, beber sangue, surrar mendigos, etc. Algo necessariamente sádico.
–Que merda…
–Pois é. Mas eu não os culpo… prefiro acreditar que são todos malucos ou coisa parecida. O problema aparece quando me surgem otários feito você, que não sabem prestar atenção no fato de todo mundo ter um jeitinho meio psicopata por estas bandas. Sejamos sinceros… é muito obvio, como não percebeu?
–Eu mesmo não sei dizer.
–É um otário, isso sim!
–Você não parece ser um “psicopata”.
–Eu não sou. Entrei nessa por motivos um tanto mais “racionais”, se é que me entende.
–Acho que você me entendeu mal. Apesar de não parecer com um psicopata, você está muito longe de uma figura amigável. Qual é a sua?
–Dinheiro, drogas, putas e porrada. Eu costumava cudiar das apostas, até que um dia um otário feito você veio caluniar a minha imagem com uma história idiota de eu ficar longe do ringue por ser um viado que dá o cu. Como eu não gosto que digam essas coisas a respeito de mim, resolvi entrar na briga, com uma condição: ele teria de apostar nos meus adversários. Se eu fosse derrotado, ele receberia o triplo do dinheiro apostado, se não… Bem, ele me deve muito, diga-se de passagem.
–É uma motivação um tanto estranha. Não me convenceu.
–Ok, eu apostei em mim mesmo. E até agora, parece que estou indo muito bem. Se eu perder, terei o mesmo destino do seu amigo, o que significa que “dinheiro” não será um problema. Se eu vencer, nunca mais precisarei pisar nesse chão imundo e levarei uma vida tranquila sem maiores preocupações. Me soa justo.
–Ainda não entendi muito bem. Trata-se de uma reunião de assassinos loucos que querem realhar uns aos outros sem nenhum motivo claro? Me perdoe, mas isso jamais vai me convencer.
–Eu acredito que haja algo mais “obscuro” por detrás disso tudo. Digo… eu já vi muitas coisas estranhas por aqui. Coisas perturbadoras e, aparentemente incompreensível. Além disso, muitas pessoas morrem aqui e os seus cadáveres simplesmente desaparecem sem que ninguém se dê conta de nada… sem familiares, sem polícia, sem nada. E, às vezes, um ou dois deles aparece por aí como se nada tivesse acontecido. Vê essas paredes? Eu posso sentir o cheiro dos cadáveres. E, não importa quanto tempo passe, ele é fresco e, curiosamente, saboroso. Merda, eu posso até ouví-los às vezes… é assustador, não?
–Talvez.
–Vá se acostumando. Agora que você faz parte disso, não tem mais como sair. É vida ou morte, cara. Prepare-se para o pior.
–Ok…

Nada, mas algo.

Posted in Orgias Indigestas on julho 22, 2011 by josebuceta

–O que está fazendo? –Não sei. Talvez eu esteja contemplando a minha própria morte.
–Não seja idiota, você ainda tem muito tempo. E com “muito tempo”, eu realmente quero dizer “muito tempo”, se é que me entende.
–Eu entendo perfeitamente. Bem, acho conveniente mudarmos de assunto. É um mal momento pra se falar de mortes.
–Tanto faz.
–… Lindie.
–Diga.
–Como pudemos deixas as coisas chegarem a esse ponto? Tínhamos um bom plano, não tínhamos?
–O plano era bom, mas… nós não o executamos da maneira certa. Ambos deixamos de ser quem éramos e… acabamos nos deixando levar; ficamos acomodados com a situação. O curioso é que agimos exatamente da mesma forma. Nenhum de nós foi esperto o suficiente para perceber o que estávamos fazendo e alertar um ao outro.
–Almas gêmeas. *risos* Que merda, não? Estamos fodidos como nunca. Talvez não consigamos sair dessa ilesos.
–Não me importo mais com isso. Não me importo mais com nada… eu me sinto confusa. Talvez eu também queira desaparecer; mesmo que isso signifique morrer por alguma rasão.
–Vai acontecer. Bem… eu posso aceitar a minha própria morte. Não sei se posso aceitar a sua.
–Você é um bom amigo.
–Sim, eu sei disso. Sempre fui, não é? Quem diria?! Algo pra me orgulhar.
–De fato, mas eu também sou. Talvez melhor do que você. O que eu estou dizendo? É claro que sou, afinal eu tenho mais dinheiro e um penteado mais interessante.
–Mas eu tenho o melhor par de nádegas. Sem contar que levo mais jeito com as garotas.
–Nem tanto. Eu poderia uma vadia na metade do tempo que você leva pra se apresentar. E por quê? Simples! Eu tenho mais dinheiro.
–Contudo, devemos considerar o fato de eu ser o único aqui que tem um pinto.
–Eu posso comprar um se eu quiser.

O Nada Nadando na Nata do Viatnã

Posted in Orgias Indigestas on março 23, 2011 by josebuceta

Numa Base Secreta Iraniana, localizada na província da Puta-que-o-pariu:

-Depois de tantos anos, eis que surge no vento um antigo espectro mortuário de um passado agourento. Que queres comigo, Lindsay? Tenho pouco a barganhar.
-Ora, pois! Não seja tão ranzinza, velho amigo. Nos conhecemos há mais tempo do que ambos conseguimos nos lembrar–curiosamente, mas tempo do que eu consigo me lembrar–não há necessidade de se referir à minha pessoa desta forma tão cordeal.
-Que seja. Mas faço questão de reforçar o ponto fundamental de minhas últimas palavras: tenho pouc a barganhar.
-Se consideras a tua força pouco a barganhar, então você está muito mais velho do que qualquer um poderia imaginar. Deixe de ser fresco! Com um pouco de estímulo, você estará de volta à ativa, baixando a porrada nos mal feitores novamente do jeito que sempre fez.
-Você tem o seu supergrupo particular. Juntos, dão muito mais trabalho do que eu.
-Mas uma ajudinha extra sempre vem a calhar! Vamos, não seja tão malvado comigo, ambos sabemos que o nosso compromisso foi muito mais do que aparentava.
-Está ficando velha demais pra estes gracejos juvenis.
-É, eu sei. Mas não custa nada tentar.
-Não vou integrar a sua equipe de pardais esvoaçantes.
-Pardais esvoaçantes? É uma definição bastante sem sentido, mas soa bem. Talvez eu a utilize pra alguma outra coisa algum dia. Agora deixe de frescura, levante a sua bunda magricela deste sarcófago, arrume todos os seus pertences e prepare-se para a viagem! Vamos para a Líbia nesse final de semana, e não se trata de uma turnê publicitária.
-O que te faz pensar que…?

-Pois então, nobre Chacal, está curtindo a viagem?
-A vista é atraente…
-Eu sabia que você irira adorar! Até pedi pro Javé preparar aqueles espetinhos de frango que você tanto adorava.
-Não… não como isso já fazem dezoito anos… Acho que me esqueci qual é o gosto do frango.
-É o preço a se pagar por viver como eremita, tolinho.
-Tolinho… É difícil pra você falar como se tivesse mais de dezessete anos?
-Não sei qual é o seu problema. Desde muito vive reclamando da forma como expresso minhas opiniões? O que quer de mim? Que eu prepare uma dissertação científica sempre que estiver planejando algum gracejo? De certa forma, eu até fiz isso algumas vezes na semana passada, enquanto redigia parte do meu discurso praquela platéia de bundões da Allstar Bowling, no entanto, devo acrescentar que, num discurso, o polimento vale mais do que o conteúdo a ser transmitido.
-Gosto da forma como você relaciona informações de forma idiota sempre que fala mais do que “banana frita” ou “nuggets com molho shoyu”.
-Gosto de quando você me lembra de pratos tão deliciosamente suculentos.

Enquanto isso, no meio do mato:

Eu devo ser o único otário do batalhão que não parece nem um pouco encomodado com os horrores da guerra. Ao ver nos teus rostos a expressão abatida de quem já não tem mais esperanças de sobreviver, sinto que vale a pena sorrir um pouco mais e aproveitar todo o louvor de se estar a matar por motivo algum. Não que eu seja um psicopata; muito pelo contrário, o meu envolvimento emocional com as artes da guerra é tão intenso e calorento que afasta qualquer tipo de frieza. Sou diferente daquele homem, o Sgt. Homer. Veja só como ele olha pros cantos, sondando a área feito um maldito radar. Ele é, de fato, um caçador genuíno; não é como eu; não é só um moleque revoltado tentando descarregar a sua frustração em uma cambada de moleques maltrapilhos com guarda-sóis na cabeça. Por um momento, levo em conta a possibilidade de gerar um simples, porém duradouro conflito com o Sargento. Será mesmo que eu poderia me divertir com alguém sem alma e sem coração? Ok, talvez eue steja sendo um tanto cordial ao afirmar uma condição tão tênue ao meu adorado superior. Ele é, de todo, um demônio da floresta; um PREDADOR alienígena preparado para matar de todas as formas imagináveis.

De repente, todos começam a ficar um tanto inseguros. Pode-se ouvir, ecoando da mata, os gritos de uma tropa, decerto em apuros. Os moleques que ainda não enloqueceram tremem na base. Os pobres coitados queriam estar em casa agora, sentados em frente à tevê e comendo hambúrgueres preparados por suas respectivas progenitoras–querem voltar àquela divina condição fetal; querem ser crianças de novo, e, em seu íntimo, rogam aos céus ou qualquer outra coisa na qual acreditam para que tudo não passe de um mero mal entendido. No entanto, o destino é cruel com eles. Os gritos são em inglês–sotaque carregado, típico do interior. Alguém está sendo esfolado. Sgt. Homer não demora muito pra notar o sorriso estampado na minha cara. Ele me olha torto, com um olhar assassino. Talvez algo nele veja minha perversidade como uma ameaça desagradável à superioridade sociopata. Devo afirmar que é uma doce provocação–já nos vemos como rivais.

-Cabo Proust Orwell, um jovem francês que, insatisfeito com a sua cidania, migrou para os Estados Unidos, e com a ajuda do submundo, forjou uma nova identidade, falsamente norte-americana, tudo pra poder lutar na guerra do Viatnã. O seu sonho era ser como Chuck Norris, mas como tudo na vida tende a se desviar um tanto de sua trajetória, ainda que milimetricamente, não afetando sua chegada ao local proposto, ele acabou se tornando o Capitão América.

Fique Longe do Cume

Posted in Orgias Indigestas on março 18, 2011 by josebuceta

-Olá, Senhor. Poderia me ajudar? Eu estou procurando o Cume, mas com todas estas árvores, não consigo enxergá-lo. Onde poderia estar?
-Fique longe do Cume. Coisas ruins acontecem lá.
-Ouvi dizer que no cume alegra.
-E quem poderia ter proferido tamanha calúnia? Desde tempos longícuos; falo de séculos, espécies, gerações inteiras, sem carregando consigo o mesmo discurso: no cume dói. É desfavorável para qualquer pessoa de bem de repente vir dizer que no cume alegra.
-Quem disse foi meu pai. Quando ele era mais novo, contava ele, seus amigos reuniam-se no alto do cume para tomar ximarrão e lá viviam momentos maravilhosos!
-Momentos maravilhosos? Tomando ximarrão? Tomando no cume? Temo tanto aquele local que só pensar cume agito… Estou lhe mandando, deixa este ximarrão, vá tomá-lo n’outro lugar. Não tome no cume!
-Se você diz. Mas logo agora!? Viajei tanto para encontrar este lugar. Vim de terras longícuas, viajando pelos pequenos povoados da europa, cruzando cordilheiras, atravessando as fronteiras, e tudo para quê? Ser impedida por um sujeito do qual o pouco que sei nada significa? Se tu não me disse como faço pra chegar no cume, então no cume prostarei, ainda no final desta noite, em protesto aos seus ditos infames!
-Tudo bem. Não exerço poder sobre sua índole, se queres tomar no cume, que tome! Mas tome sozinha, e faça o favor de levar consigo qualquer sinal de sua existência. De longe que cruzaremos a semana atrás de você. No entanto, tenho algo a lhe confessar, minha jovem de olhos castanhos.
-E o que ê?
-Ouvir dizer sobre uma criatura indômita de voraz, foragida de todas as pencostais, que com fome e arrebatadora luz, no cume seduz.
-Tanto faz. Agora vá embora, tenho muito a fazer no cume.
-Adeus, forasteira. E não venha me dizer que não lhe alertei que no cume costuma arder.

Brilindosas Borboletas

Posted in Orgias Indigestas on março 14, 2011 by josebuceta

brilindosas borboletas

Brilindosas borboletas viciadas em porpetas voam por estes céus, livres como devassa buceta; nas astes modernas dos antigos deuses, maravilindos seres astutos, tomam chá de chimarrão entrelaçados aos viadutos; e no meio de tanta desforra, facas voam, cruzando os céus e agaixam feito patinhos pra provar do sabor do fél; e as crianças, muito adoradas, sambam na putaria, caladas pelo trânsito, têm ataques de taquicardia. Gente morta, gente feliz, tirando meleca do naris; e nas punhetas, desequilibradas, nascem os vermes deste país.

–José Buceta.