Distúrbio Cacetecinético Rotativo Avassalador

Nota: esse post estava uma merda, então, pra não criar um outro post sem necessidade, resolvi editá-lo mais uma vez. Contudo, ao contrário do que fiz antes, registrando uma ideia de pouco valor, retomarei o velho hábito de escrever diálogos fora de contexto. No entanto, desta vez, eu lhes darei uma ideia do que está a acontecer:

Na última semana–aproxidamente no dia 10, se não me falha a memória–, gastei o meu precioso dinheiro e alguns créditos do meu cartão de ônibus indo até o Centro da Cidade marcar presença na BGS 2011. Ao contrário do que eu esperava–talvez por vir acumulando espectativas desde novembro do ano passado–, o evento foi uma boa merda. Voltei para casa cheio de frustrações, salvo um pequeno ocorrido: enquanto caminhava à paisana por aquelas instalações precárias e nada empolgantes, avistei um estande curioso. Nele, havia uma enorme tela de LCD, onde estavam a exibir um jogo muito parecido com Silent Hill. Mesmo sabendo o quão improvavel isso seria, por um pequeno instante, tive esperanças de que encontrar, alí, a versão demonstrativa do jogo Silent Hill: Downpour, exposta na E3 do mesmo ano. Ao contrário do que eu esperar, o que eu encontrei, no entanto, foi um grupo de desenvolvedores imaturos, que, aparentemente, estavam a investir esforços no desenvolvimento de um jogo do subgênero “survivor horror”.

Não preciso dizer que isso, quase que imediatamente, chamou a minha atenção. Eu fiquei bastante entusiasmado com o que estava vendo–por mais vergonhoso que seja, era a primeira vez que eu tinha um contato direto com um grupo de desenvolvimento de jogos, mesmo que este fosse um tanto quanto aloprado.

Conversa vai, conversa vem, fui fazendo uma série de perguntas a respeito do jogo, sobre o que ele tratava, quais eram as pretenções de seus desenvolvedores e quais eram as ideias para torná-lo um produto “único”. Tão logo vieram as respostas, espantei-me com a falta de visão daqueles jovens. O que poderia vir a ser, com um pouco de esforço e criatividade, algo relevante, em instantes perdeu-se numa iniciativa mais apaixonada do que racional. Eles, aparentemente, não tinha muita noção do que queriam fazer, e esforçavam-se na tentativa de captar um pouco de outros jogos para que pudessem construir a sua quimera sem alma e sem coração.

Como era de se esperar, gastei um tempo considerável instruindo os coitados. Não que eu possa dizer que sou um grande analista de jogos, cujas ideias superarão os paradigmas da indústria, mas ao menos eu tinha uma visão–pretenciosa demais, admito. Devo ter dado ideias o suficiente para se fazer uns trocentos milhões de jogos ou mais, não sei (e, cá entre nós, isso é um tanto quanto irrelevante agora).

Mesmo sem a garantia de que eles assimilaram bem minhas palavras, d, aquele exercívio serviu para alimentar o pouco de criatividade que ainda resta nesse meu corpinho moribundo.

Entusiasmado pelo meu discurso, tive um monte de ideias interessantes. E é me baseando em uma delas, que vos escrevo estas linhas de diálogo:

–Recebeu a minha ligação?
–Bem… acredito que sim, tendo em vista que nós estamos conversando agora… pelo telefone.
–Não esta, idiota! A outra.
–Que outra?
–Pelo visto não recebeu… isso é mal.
–Que seja. O que você quer? Seja breve, eu geralmente não consigo entender um terço das coisas que você me fala.
–Eu recebi os papéis que você me enviou.
–Sobre a minha nova paciente?
–Não, sobre a sua mãe. Ora bolas, mas é claro!
–Eu acho que você está um tanto quanto estressado hoje. Geralmente só quem me trata como lixo nas segundas-feiras é a minha mãe e os meus cachorros. Minha mãe, ligando para dizer que não tem nenhum orgulho da minha profissão e meus cachorros cagando em meus sapatos.
–Bem feito. Quando eu disse pra você se livrar dessas porcarias, você não me deu ouvidos! Agora aprenda a lidar com seus sapatos cagados.
–O que quer que eu faça? Eu não posso simplesmente colocá-los no vôo mais próximo pra Coréia do Sul!
–Meta-os num saco e jogue dentro de uma lixeira! Dentro de algumas horas terão sufocado até a morte e seus sapatos estão livres desse sofrimento. Mas chega dessa história de fésis, eu tenho algo importante pra lhe falar.
–Pois então fale.
–Você precisa se livrar dessa garota, ela é problema. Ouça bem o que eu digo: essa vagabunda vai acabar com a sua vida, livre-se dela o mais rápido possível, da forma que for! Esqueça esse tratamento idiota, ele não vai dar em nada. Você não está em condições de ajudá-la e, se insistir, vai colocar a merda da sua vida em risco.
–Olha só que curioso, alguém que se importa com a minha vida… Quisera eu que não fosse um cara com bodelands. Olha, Jake, eu fico lisongeado por ter conquistado o seu afeto, mas, infelizmente, eu sou hétero. E, além disso, não do meu feitio abandonar meus pacientes–você entende bem o que eu quero dizer. Me ligue novamente quando tiver informações menos nebulosas, eu tenho umas consultas marcadas e não posso me atrasar.
–Não desligue, sua capivara! Eu tenho trezentas páginas de informações aqui, não vou lhe falar tudo pelo telefone! Se você quiser mais informações, venha até mim que eu lhe entregarei tudo, ok? Tudo!
–Eu não sou assim tão burro! Me lembro bem do que você fez com a sua ex namorada. Não quero passar o meu final de semana trancafiado em um porão, cheio de ematomas. Estarei mais confortavel “em perigo”.
–Tsc… merda, você é um babaca, sabia? Eu estou tentando salvar a porra da sua vida e é assim que você me trata? Quando eu te encontrar, eu vou enfiar essa papelada bem no meio do seu rabo, cê tá me ouvindo? Você vai vomitar cada página dessa merda, uma por uma, e vai ler todas elas, uma por uma, tá me entendendo? Uma por uma!
–Acho que seria mais prático se você me enfiasse por e-mail…
–Como assim e-mail? Que e-mail o quê? E-mail porra nenhuma!
–Não é assim tão complicado, basta escanear as páginas, como num aparelho de fax.
–É tão fácil assim?
–É.
–Tudo bem então! Eu vou pedir pra Jane me ajudar com isso, ela entende bem essas máquinas.
–Contanto que você não tente agredí-la, por mim tudo bem. Tenha um bom dia, Sr. Jake. E não se esqueça das pílulas, elas estão na terceira gaveta ao lado do microondas.
–Eu me lembro das malditas pilulas!
–Sei…

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