Sup, londom

–Oi.
–…oi.
–Parece que estudamos no mesmo colégio.
–É, acho que sim.
–Você é fofa.
–Obrigada… eu acho.
–Já jogou Doom?
–Err… sim, algumas vezes. Por quê?
–É incrível. A violência, as figuras satânicas, os labirintos, as músicas.. É tudo tão incrível! É como a melhor coisa já criada pelo homem desde o projeto Manhattan.
–Se você diz, quem sou eu pra discordar?
–Todo mundo é alguém pra discordar. Papai costumava dizer isso quando ele e a mamãe brigavam. Quando eu era uma criança, não era capaz de compreender isso, mas hoje eu vejo que é verdade.
–Provavelmente você está certas, mas eu só disse isso porque… Bem, qual é o seu nome?
–O meu nome é Shirley. E o seu?
–Eu me chamo Michelle, mas o meu primo costumava me chamar de Meesha. No começo eu achava estranho, hoje eu até acho que soa bem. Me acostumei com isso.
–Legal. Meus primo me chama de Shirley porque esse é o meu nome. Acho que ele ainda não arrumou um melhor. Talvez você possa ajudá-lo! A ideia de lidar com pessoas que se referem à mim de uma forma diferenciada é muito excitante. Seria como chegar em algum lugar onde todo mundo te conhece como “Joe” e gostar disso.
–Você é bastante comunicativa.
–Sim. Papai vivia dizendo que eu falava como uma pessoa de, sei lá… uns 80 anos. Como o meu avô, mais precisamente. Sempre tive a vontade de tirar isso a prova com ele, mas ele morreu quando eu tinha quatro anos. Um acidente de carro. Sua cabeça foi arrancada e vôou para fora do carro, caindo dentro do berço de um bêbê cuja mãe estava levando para passear na mesma rual. Disseram que ela gritou como se fosse morrer. Imaginar essa cena é um tanto divertido. Você não acha engraçado?
–Eu estaria mentindo se dissesse que não.
–É verdade. Você e a maioria das pessoas pra quem eu contei isso. Nunca entendi muito bem porque as pessoas sentem tanta repulsa pela morte. É algo tão natural… mais natural do sexo gay. Ainda assim tem pessoas que apoiam o sexo gay, mas se pudessem, se livrariam da morte. Na minha opinião, isso é muito idiota. Eu adoro a morte, é como uma espécie de companheira cuja presença sublime toca profundamente na alma do ser humano. Nós a tememos, mas a amamos. Ela está em todos os lugares. Nos nossos sonhos, pesadelos… às vezes até nos planos. Isso é muito bonito.
–Quantos anos você tem?
–15, e você?
–Err… qual é a sua classe?
–5-B.
–Que bo… Eu digo, que pena. Pelo visto não iremos dividir a mesma sala.
–Não se preocupe, podemos nos encontrar depois das aulas.
–É… eu “acho” que vou me tentar lembrar disso.

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