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Devil’s Daughter

Posted in Uncategorized on agosto 14, 2017 by josebuceta

[Abrimos com a imagem de uma grande cidade, algo semelhante a Nova York, Detroit ou qualquer merda desse tipo. Em meio a esta cena, pode-se ouvir uma voz; uma voz triste e singela, que nos conta uma história sombria, uma fábula diabólica, porém muito chata]

D’onde apenas a dor e o sofrimento ecoam, d’onde jazem tão somente os sonhos e esperanças de milhares cujas vida que lhes foi prometida, de repente, como uma gota d’água que ao chocar-se no chão desfaz-se em centenas de gotículas tão minúsculas que só os sapos e baratas podem notar, deteriorou-se em questão de segundos—estes, meus caros, foram os sortudos. Aos que restaram, coube resistir, lutar e sobreviver; mas como fazê-lo quando não há esperança? Em verdade vos digo: se tivessem morrido no inferno nuclear das bombas dos homens poderíamos, ao menos remotamente, supor que se foram dignamente—tal destino, porém, fora negado aos poucos que restaram. Tornaram monstros, lobos de homem, criaturas selvagens e incivilizadas que lançaram tudo ao pó em favor de mais uma hora de vida. Eles mataram, estupraram, traíram, não só seus aliados, como a si mesmos; seus valores, suas paixões, seus ideais…

20XX. Eu me lembro como se fosse hoje.

[De repente, uma explosão. Milhares de vidas desaparecem instantaneamente. Restam apenas destroços e cadáveres. Surgem, então, os zumbis; mutantes diabólicos e descerebrados, movidos apenas pelo instinto mais básico—comer; gente, não cu e buceta, apesar de que, a princípio, a ideia era essa]

Mas quem dera fossem a única praga a assolar esta terra! Não, haviam os outros, aqueles que vieram antes, os responsáveis pela tragédia… Nada mais eram que bestas advindas dos rincões mais sombrios dos reinos abissais! Com eles traziam a peste e a morte, eram como cavaleiros do Diabo, que patrulhavam as ruínas dos homens e que gritavam e gemiam sons que reverberavam pelo eco sombrio da Morte, perdidos entre o funesto e o deteriorado. Não eram seres como homens, embora tivessem sido de alguma forma—não, eram criaturas peludas, monstros disformes e errados, abominações temíveis, que esboçavam formas e intenções tão maléficas que sequer possuíam o direito de existir.

[Surge, por entre os escombros, um batalhão de elite que, em vão, enfrenta as criaturas ferozmente tão somente para fracassarem. Cortamos para uma vagabunda gostosa sentada no balcão daquilo que parece ser um pub. Ela bebe e fuma desesperadamente. À sua frente, vemos um barman, que por mais disposto e solícito, já está ficando de saco cheio daquela ladainha].

Foi tudo tão rápido! Se o Presidente tivesse lançado as bombas mais cedo, talvez…  Mas foi tarde demais, a praga já havia se espalhado e aos poucos… Tudo o que a humanidade alcançou! As artes, as ciências, a literatura e as séries de TV, tudo se foi num piscar de olhos. Felizmente, ao contrário do que sempre acreditei quando assistia os filmes de zumbi na televisão, de madrugada, morrendo de medo, o caos não durou muito; pelo contrário: a foi como uma história em quadrinhos de vinte páginas. Tudo acabou muito rápido…

[O barman, de saco cheio, a interrompe]

-Ok, tudo bem, eu entendo que você tem dentro de si todo esse lirismo de livro de bolso, mas todo mundo já está careca de saber dessas coisas! Poupe-me dessa verborragia, eu só pago pra servir bebida, não pra aturar gente me pentelhando a noite inteira.

– Meu bom senhor, não seja rude. Raios! Você não é capaz de enxergar uma mulher culta quando a vê? Saiba que antes o mundo ruir, eu tinha uma conta num site chamado Tumblr, lá eu conheci o feminismo e…

– Eita, porra! Mais um flashback.

[Damos um close nos lábios da mulher—são carnudos e sensuais. Para além disso, a forma como tocavam aquele cigarrão vagabundo fabricado na china era tão erótica quanto aquelas fotos que víamos nos palanques de propaganda de cigarros antes deles serem proibidos. Parecia até que chupava uma piroca, mas sejamos breves, pois isso não vem ao caso. Ao invés de gastarmos nosso imaginário com cenas pornográficas—esta mesma pornografia que levou o mundo às ruínas que presenciamos hoje–, foquemo-nos na fumaça emitida por aquele mesmo cigarro, que subia aos céus incólume, levando com sigo as imagens de um passado glorioso e que dançavam, vorazes e serenas, espreguiçando-se apaixonadamente de modo que desenhavam a imagem de uma bela bailarina. ]

-Sim, foi uma grande época aquela!  O quão saudosamente eu recordava a cidade de onde vivi, da brisa fresca que eu sentia enquanto caminhava em seus parques, do prazer que me dava observar o pôr do sol de um de seus píers, dos bares, das baladas, do sexo e das luzes! Só de lembrar é como se eu estivesse lá, sentada na mesa de um pub parecido com este aqui, ao lado, quem sabe, uma vagabunda metida a gótica, sem um tostão no bolso e que não sabia por que diabos bebia tanto…

[Focamo-nos novamente em seu cigarro. As imagens de acalentadoras de outrora se foram. Em seu lugar, retornamos àquela cena que vimos antes, em que um esquadrão suicida abria caminho por entre os destroços da cidade à ferro e fogo. De repente, tudo se acalma. Não restaram mais criaturas e, talvez agora estejam a salvo. O soldado Astolfo então encontra um corpo caído o qual, pelo que aparentava, continha algo de especial se comparado a tantos outros com os quais eles haviam cruzado então].

– Acredito que o encontramos…

[Os guerreiros, exaustos, porém otimistas, pois acreditavam ter chegado ao fim da missão, observam os arredores em busca de abrigo. Avistam, à sua frente, um enorme prédio que, ao contrário dos outros, parecia intacto e inviolado. ]

– QG, nós encontramos! [Dizia Astolfo através do Rádio]

– Cuidado, o lugar é perigoso, estamos no meio de um enxame… [respondia a Central de Comando]

[Astolfo tateia o corpo em busca de algo e o encontra. Ele, então, mostra o que havia removido do cadáver para seus colegas que demonstram uma profunda sensação de alívio. Eles, então, partem dali. Caminha cuidadosamente, um passo de cada vez, com a delicadeza de um pianista, tudo para não chamar a atenção dos zumbis. O Capitão Joseph, líder do esquadrão, tenta abrir a porta do prédio, mas ela está trancada. Ele e Astolfo cruzam olhares; apreensivos. Teriam de arrombar, mas temiam que o barulho atraísse mais mortos-vivos. Cuidadosamente, Joseph encaixa o silenciador em sua pistola e prepara-se para atirar, mas é interrompido por Rodolfo, que lhe diz, em protesto]

-Por acaso você é idiota? Silenciadores não funcionam como nos filmes e videogames, eles não suprimem todo o barulho, seu animal, apenas suavizam a onda de choque gerada pela arma para evitar que fiquemos surdos ao disparar…

-E o que você sugere, gênio? [responde Joseph, frustrado]

-Tente forçar a tranca. Você é um homão da porra, deve ser forte o bastante pra isso.

-E acha que isso não vai fazer barulho, porra?

-Menos do que a merda da sua pistola.

[De repente, Hella dá um chute na tranca, arrebentando-a instantaneamente, abrindo a porta para que o grupo possa entrar no prédio]

-Não é hora de discutir, não temos tempo pra isso, precisamos entrar!

[Joseph e Astolfo trocam olhares novamente. Parecem irritadinhos, mas agora tanto faz, precisam entrar no prédio o quanto antes].

[Eles caminham pelo salão principal daquilo que parecia ser um banco. Enquanto isso, lá atrás, Hella tranca a porta com uma barra de ferro que encontrou caída no chão. De repente, Joseph, ouve algo semelhante a passos. Alguma coisa se move através das sombras, mas não há como saber do que se trata. Seria um sobrevivente ou uma criatura do inferno? No caso de ser um sobrevivente, o que poderia lhe garantir que ele seria amigável? O que quer que fosse, provavelmente era perigoso, ele pensava consigo mesmo. De repente, ele ouve um sussurro. Parecia-se como um lamento, um choro, provavelmente de mulher. Mais uma vez, ele ouve o mesmo barulho, mas agora é como se já pudesse compreender parte do que ela dizia. Eram três sílabas, mas qual eram? Ma-chis… ta. Merda! Não pode ser! Joseph é tomado por uma terrível sensação de perigo, que lhe sobe dos pés à cabeça, neutralizando-o como um feixe de eletricidade. Após reunir a última fagulha de coragem que lhe restava, ele se volta para os colegas e grita retumbantemente, como que horrorizado: ]

-CORRAM!

[Uma diabólica criatura arrebenta o chão e pula para fora como um diabo sedento de sangue; era um monstro grotesco, enorme, gordo e seboso, repleto de piercings e tatuagens demoníacas e um corte de cabelo ridículo, em três cores diferentes. Sim. Era uma feminista, um relicto do pós-guerra que agora assombrava as ruínas da civilização como um eco depressivo de um passado fracassado. A criatura agarra o pobre Joseph que, em vão, tenta se defender atirando com tudo, porém suas balas não podem penetrar a camada de gordura, pelos e suor que protegiam o monstro. O monstro ergue Joseph de ponta a cabeça e com seus dentes jurássicos, arranca-lhe o fora e devora suas tripas. Parecia um documentário do Discovery a respeito dos hábitos alimentares dos crocodilos.

– JOSEPH! [gritava Hella, em desespero. Não podia crer que o amor de sua vida fora morto por um monstro que ela mesma ajudou a criar, mas não era hora de sentir-se culpada ou deprimida—seus dias de Tumblr acabaram há muitos anos. Ela precisava sair dali o quanto antes]

– Deixe-o, precisamos ir! Lembre-se de que temos uma missão a cumprir [vociferava Astolfo, que se desesperava ao ver que a feminista carregava consigo uma horda de militantes demoníacas. Os pobres soldados tentam livrar-se das criaturas com seus lança-chamas, mas sabem, no fundo, que é inútil; aquelas armas não fariam efeito. Eles, então, correm, desesperados, subindo as escadas o mais rápido possível, enquanto abrem caminho por entre uma fileira de zumbis que, ao ouvir a confusão, veio dar uma olhada no que estava se passando. Eles conseguem chegar até o teto do prédio, d’onde pulam para o telhado do prédio ao lado, no qual conseguem se abrigar novamente. Os dois respiram fundo, aliviados, mas sabem que sua missão ainda não acabou. Precisam encontrar a Fonte o quanto antes, caso contrário não poderão voltar para o forte.]

[Mais escadarias os aguaram. Astolfo tira um radar do bolso. Ele pode ver que se aproximam de seu objetivo].

-Estamos perto, muito perto…

-O quanto?

-Bem, acho que o que procuramos está bem aqui, alguns andares abaixo de nós.

-Será que…? Finalmente!

[Após descerem mais escadas, eles encontram a sala d’onde, segundo o radar, vinha o sinal do que estavam procurando].

– Foi aqui… Onde tudo começou… Ao menos foi o que disseram os informantes… [sussurrou Hella, incrédula].

– Posso ver que realmente não estavam enganados… Tem que ser aqui! Não vejo um desses há anos… [dizia Joseph enquanto observava um pôster de hentai na parede e um conjunto de figuras de ação de lolitas cheias de esperma seco. Uma, porém, chama-lhe a atenção. Era um Dakimakura da personagem Rei Ayamani, que tinha, entre as pernas, um buraco pra colocar um pênis de plástico. Que doideira!].

– O que devemos fazer com essas esquisitices? Levamos para análise?
– Não, deixe essas merdas pra lá. Joseph está morto, agora somos só nós dois, não podemos nos ocupar carregando o que não for estritamente necessário para a missão. Pegue o computador. É nossa única esperança. Precisamos descobrir o paradeiro dele. Rápido. A humanidade, a cura, a humanidade precisa disso!

– Mas e se levássemos esse travesseiro esquisito com esse buraquinho pra enfiar o piru? Deve dar pra curar alguém com isso!

– Não, eu não acredito! Todos vão brigar por ele, ficarão ainda mais loucos! Rápido, eles devem ter visto as chamas, devem ter uma porrada de fast and furious lá embaixo, loucos para nos devorar!

[Joseph pega o computador e o guarda dentro de uma mochila. Por sorte, era um daqueles antigos Dell low profile, bem menores do que um desktop padrão, o que era, felizmente, muito conveniente.]

[ Nossa pista. Nossa única pista está aqui. Nesse HD. E se não estiver funcionando? Não. Não é hora para fazer perguntas tolas. Sim agir. Somente agir! Ao menos era o que permeava os pensamentos de Hella]

[Eles sobem, novamente, ao topo do prédio, d’onde Joseph solicita um helicóptero para extrai-los de lá]

– Central, estamos com o HD! Precisamos que vocês nos tirem daqui o quanto antes! Verifiquem a localização através do GPS,

– 20 milhas? Roger that! [responde o piloto].

– Astolfo, cale-se!

– Como assim? Você não quer sair daqui?

– Cale a boca! Não está sentindo o cheiro de peixe podre?

– Escute aqui, eu pareço o Wolverine? Como raios eu vou sentir cheiro de peixe em meio a toda essa carniça?

– Sh… O cheiro… Eu reconheço até de baixo d’água… Pare. Ela pode nos ouvir. Pode nos cheirar. Não faça movimentos precipitados, podemos nos sair dessa se procedermos com calma e…

[Um braço abre um buraco no chão e agarra Astolfo, levando-o para baixo. Por sorte, sua mochila, na qual ficava o computador, ficou presa em um vergalhão. Hella corre para recuperá-la, quando por detrás dela, surge a criatura—a feminista a encontrou].
-Puta que me pariu!

– PIROCO NÃO É GENTE! ESTUPRO!

-Buceta!

-ESTUPRADOR! FETO NÃO É GENTE! PATRIARCADO OPRESSOR!

– Nossa, como você fede! De pensar que eu também não tomava banho naquela época.
[Hella atira com tudo; em vão. Ela pega a mochila e corre desesperadamente com todas as suas forças. De repente, o helicóptero aparece e, nele, um soldado atira ferozmente na criatura. Com aquele calibre, nem mesmo a feminista podia resistir]

-Sinta o gosto da tecnologia patriarcal, sua vagabunda!

[Era Miles, o carniceiro de Viena, um dos soldados mais temidos da Facão.

[Enquanto ele atirava feito o Rambo, um outro soldado lançava uma escada para resgatar Hella. Ela corre e se joga do prédio em direção à escada de resgate, agarrando-a ferozmente. Miles, então, pega um lança foguetes e atira no teto do prédio, explodindo a feminista em mil pedaços. O helicóptero, então, parte dali, carregando consigo um único sobrevivente e dando por encerrada mais uma missão.]

[Transtornada pelo acabara de acontecer, a pobre Hella, nossa heroína, senta-se ao lado de Miles e, em silêncio, lamenta a tragédia que decaiu sob seus colegas. Miles, em vão, tenta consolá-la]

-Não se preocupe, agora que conseguimos recuperar o artefato perdido, poderemos vingar a todos os que deram suas vidas por ele. White Malen está nos esperando, vamos foder com tudo!

-Você não entende! Eu o amei. Meu mundo, meu tudo… Meu redentor… Vendo-o ser tragado daquela forma por aquele monstro vil, foi como se o meu passado criasse garras e tivesse o arrastado para o oblívio. Ali, era eu. Eu era ela. Sim, sei que era, pois já fui… Tudo o que já me fez ruim, me fez podre, voltou e, com um golpe rápido, rasgou de minha vida o pouco que encontrei que, agora, podia chamar de felicidade… Joseph… Meu amor… Por que? Por que? Eu vou… Eu prometo… Eu vou me vingar!

[Apertava o HD forte com os braços. Olhava o horizonte chorando. Murmurava…]

-Crisossomo…

20XX. Eu me lembro como se fosse hoje. Antes, antes de tudo isso, houve um homem. Seu nome era Crisossomo Dominique de Luxemburgo e se não fosse por ele, nada disso teria acontecido.

[Focamo-nos agora em Crisossomo. Um homem de meia idade, bem vestido, com pinta de intelectual e uma oratória fascinante. Era, pois, um homem culto e sabido, do tipo que não e encontra com frequência, do qual só se pode esperar coisas boas. Faziam três anos desde que, através de golpes, maquinações e sem vergonhisse, Crisossomo tomava para si a cadeira de presidente da ONU. E foi lá, do alto de sua autoriade que, em 2 de janeiro e 19XX ele discursou pela primeira vez em favor do mundo em um momento que entrou pra história]

-Com uma vida vívida e vivida, eu, Crisossomo Dominique de Luxemburgo, busco não só aquilo que para mim, homem apelidado de ‘’zumbi’’(alcunha, esta, que se deve ao meu corpo mofino e de ares efêmeros e à minha face mórbida e abatida por horas e horas de exposição a conteúdos pornográficos escabrosos) mas sim para a humanidade.

No intento de livrar a todos de seus pecados–que conste o emprego do termo pecado no sentido de mazela social, ignorando sua semântica primitiva e antiquada—, absolver os homens em absoluto e guiá-los à luz da sapiência e à evolução espiritual, dediquei minha vida a refletir a respeito do homem.

Como resultado de décadas de reflexão e de um estudo aprofundado das contradições humanas, por fim, encontrei a raiz de todos os males: a luxúria.

Como já dizia o antigo filólogo Thomas J.J Jet, também conhecido como o Jatinho da Revolução, tudo gira em torno dela.

“A Luxúria, meus caros amigos, funciona como combustível para o ego — tantas vezes confundido com auto-estima–, e leva o ser humano a cometer todos os erros possíveis. É em nome da luxúria que o homem luta, é em nome dela que mata, é em nome dela que conquista e destrói e é, também, somente através dela que se formam todos os males. Desta forma, nada mais correto do que investir todo e qualquer possível esforço na erradicação total e absoluta de quaisquer resquícios de luxúria que possam contaminar as mentes e corações do Hominius Absolutis.”

Não farei isso por egoísmo, muito menos por qualquer sentimento mórbido de satisfação, tampouco com a pretensão e elevar-me a mais alta das categorias e eleger a mim mesmo o “Cristo Salvador”. Sou uma criatura de muitas faces, sendo muitas delas desagradáveis, no entanto, existe também um profundo ideal de justiça, algo como uma figura celestial, que, todas as minhas, surge em minha janela e, com seus olhos irredutíveis e a certeza do Divino, atravessa-me com suas palavras e torna clara minha missão. Eu seria o mais tolo dos homens se o ignorasse e me deixasse levar pelos hábitos destes mundanos… Decidi, por fim, fazer valer a minha imortalidade e de meus recursos financeiros inesgotáveis com a finalidade de fazer crescer esta lança celestial, atravessando os peitos de todos aqueles que habitam este mundo.

[E assim foi feito. Após anos de colaboração com a esquerda internacional, Crisossomo Dominique de Luxemburgo (Famoso por suas descobertas científicas, que abrangiam desde a fonte da juventude até a viagem no tempo) representou um papel importante na implantação de um governo mundial e foi por intermédio de uma decisão unânime do conselho de dominação Global o primeiro Presidente do Mundo.

Porém, o que seus colegas partidários não sabiam, era que Crisossomo nunca havia abandonado seus ideais megalomaníacos. Sua primeira decisão como presidente foi comprar toda a pornografia do mundo.

Na época, muitos ficaram surpresos com esta decisão, posto que grande parte dos lucros da Nova Ordem Mundial vinha da comercialização em massa de conteúdo pornográfico.

O que eles não sabiam é que, Crisossomo, sendo o gênio que é, enquanto projetava o Sistema Operacional de Defesa com diretrizes antigovernamentais, fazendo que os ciborgues de patrulha caçassem e destruíssem todos os membros dos partidos aliados, promovendo uma chacina que só encontrava rival histórico em suas próprias vítimas.

Crisossomo, então, tornou-se governante absoluto da humanidade, exercendo suas vontades com uma quase literal “mão-de-ferro”. Nenhum ser humano na face da terra tinha os recursos necessários para se opor ao seu exército de ciborgues malignos.
Por décadas e mais décadas, pilharam e destruíram todo e qualquer insurgente que tentasse, mesmo em pensamento—eles vinham equipados com um dispositivo de leitura de mentes—apoiasse qualquer iniciativa política e pornográfica. Num arco de trinta anos, a pornografia e a política haviam sido erradicadas da vida do homem e ninguém mais queria saber disso.

Mesmo com o aparente sucesso de seu regime, sem o apoio intelectual de outrora, Crisossomo, recusando-se a compreender o papel da pornografia na sociedade, ignorou por completo o imediatismo dos efeitos colaterais provocados pela sua decisão, desestabilizando a própria ordem mundial e colocando em risco o futuro da humanidade e afogando-a num caos interminável.

E as raízes de suas ideias podem se encontradas na obra do filósofo dinamarquês Olavo do Caralho em seu livro O Jardim das Felações:

‘’É um fenômeno inegável a corrupção da sociedade ocidental através da pornografia. Não falo apenas da estonteante quantidade de sexo que está tomando as tevês e os seriados infantis, mas sim da grave sexualização pela qual a sociedade tem sido submetida de desde a queda das Monarquias Globais Absolutistas. A humanidade agora baseia toda a sua produção no culto ao sexo, de tal forma que leva os jovens a sustentarem o ego feminino pelo resto de suas porcas vidas. Tal ego firma-se, retroativamente, com chupinhações de saco e saias curtas.

Em sua maioria, a população mundial de jovens punheteiros sustenta a árvore do ego feminino, sendo esta uma criatura diabólica e insólita, que não se entrega, de forma alguma, aos menos privilegiados, por mais que estes se esforcem.

As xerecas alheias deixam de ser um instrumento de proliferação da espécie e tornam-se um item de luxo, como uma Ferrari ou uma joia rara. Sendo que esta iguaria, não pertence, necessariamente, aos mais ricos, mas sim àqueles de maior envergadura social.

Desprezados até dizerem chega, os fracos e efêmeros desprovidos de poder social decidem buscar por uma fonte de prazer alternativa e segura para não perecer à própria loucura. Nem mesmo as feias e medianas olham pelos próprios coitados…

Enquanto isso, a esquerda internacional prega, casos se submetam a uma rotina de exercícios físicos, adquirem os atributos necessários para conquista uma Grazzy Massafera ou uma Carole Bouquet na balada. Mas quando, vítimas de si mesmos, se percebem incapazes disso, deixam-se levar pela própria frustração, entram num estado de loucura inominável e, gradativamente, convertem-se em criminosos, psicopatas, traficantes de drogas ou recorrem à pedofilia. A sociedade, como de costume, finge que a culpa não tem culpa nenhuma e que as causas de tais mazelas nada mais são do que o percurso natural da história. O homem nunca precisou de tanto sexo e a mulher nunca precisou ter o ego tão inflado para fugir da loucura. ’’

Com todo o pornô mundial erradicado (as redações tomadas, sites apagados da rede, atrizes e atores pornôs condenados à forca, filmes e livros eróticos usados como combustível do exército cibernético e o culto ao celibato), os menos privilegiados, outrora citados por Olavo, tornaram-se criaturas bestiais.

Desprezados, sem xerecas, amor ou atenção, começaram a surtar em vários lugares do mundo. Repentinamente, uma série de calamidades tomou as rédeas do planeta. Em cada escola ocorria um Columbine e um Realengo respectivamente. Nerds se tornavam mais perigosos do que punks e neonazistas, buscando por muletas emocionais em filosofias machistas e desenvolvendo comportamentos misóginos. Já as mulheres, agora desprovidas de seus bajuladoras e percebendo que os cafajestes eram parcialmente incapazes de ovacioná-las, também enlouqueceram.

Em pouco menos de cinco anos, a fúria tomou os corações dos homens comuns e de todas as patricinhas do planeta. A sociedade ocidental, como um todo, começou a sofrer de patologias inéditas e as que já existiam tornaram-se ainda piores. A mentalidade humana foi aniquilada por completo, deixando para trás todos os seus costumes civilizados, ignorando até mesmo a própria imagem e as mais básicas noções de higiene, atingindo um estado cadavérico e, por fim, tornando-se zumbis.

Sabe-se lá de que maneira o que antes não passava de um comportamento mental assumiu formas biológicas, convertendo-se numa doença contagiosa. Quando um faz and furious ou uma fast and furious mordia ou arranha outro ser humano, o indivíduo, numa questão de minutos, transformava-se num deles. Em poucas semanas, toda a resistência intelectual do mundo ocidental caiu, dando espaço para o império do mal.

Porém, nem tudo estava acabado. Havia aqueles que, de uma forma ou de outra, eram imunes à peste, sendo o principal deles o Movimento Gay.

O leitor deve estar se perguntando “mas por que diabos os homossexuais?” A explicação é muito mais simples do que poderiam vir a crer certos indivíduos. Vamos e elas:

Homens possuem a libido incrivelmente maior do que as mulheres (verdade científica, esta, muito popular na comunidade científica do século XXI), o que faz com que os homossexuais não precisem de pornografia, podendo comer uns aos outros com uma facilidade muito maior do que entre casais heterosexuais. Já as lésbicas, embora mulheres, com o decorrer de décadas e mais décadas de reflexão, atingiram a condição intelectual absoluta após entenderem a si mesmas. Como resultado disso, tornaram-se imunes à pornografia ou qualquer mazela imbecilizante.

Contudo, a despeito do que pensavam os homossexuais, eles não eram os únicos capazes de superar o mal absoluto. Haviam, também, em algum lugar dos destroços da antiga civilização global, uma tribo conhecida como “cafajestes”. Descendentes do Hominius Tradicionalis, pouco se fodiam para as mulheres e só queriam comer cu e buceta e que não possuíam o nível intelectual mínimo para serem considerados idiotizados pelo que quer que se propusesse a fazê-lo.

Infelizmente, aquilo que tinha todo o necessário para representar uma nova ascensão da espécie humana, mostrou-se um desastre ainda maior.

Grupos armamentistas homossexuais masculinos visavam estuprar os cafajestes e submetê-los a lei do caralho louco sob o pretexto de que ”todo mundo é gay”. Os cafajestes, devassos por natureza, buscavam estuprar as lésbicas, submetendo-as à correção penetrativa, alegando que ‘’lesbianismo é falta de rola’’ e as lésbicas buscavam derrotar os homossexuais e cafajestes porque os viam como uma raça, apoiando-se na crença de que a humanidade só poderia ser reconstruída sob uma forma hermafrodita, sobretudo feminina.

E assim firmou-se o apocalipse. Zumbis devorando uns aos outros, homens e mulheres lutando por ideologias absurdas, dor e sofrimento. O mundo havia ruído por completo e restava apenas o oriente islâmico-conservador, visto que lá a pornografia nunca chegou a existir.

Deve-se reconhecer que o último vestígio de civilização se encontra, atualmente, no Oriente Médio. Mas como eles vivem brigando entre si, temo, meus caros amigos, que este seja o fim].
[Após toda essa exposição de enredo, retornamos ao bar, onde podemos ver o cadáver o barman estirado no chão, com uma bala na cabeça. Também pudera! Não podendo aguentar tanta exceção de linguiça, suicidou-se ali mesmo, o que era uma pena, pois restaram poucos homens heterossexuais e trabalhadores como ele. Hella, entregue à própria verborragia, sequer notou a tragédia. Permaneceu ali, falando sozinha, feito uma velha esquizofrênica.]

– E é por isso que hoje eu vivo bêbada. Tá tudo uma merda.

[Como uma criança autista, ela se levanta em vai embora sem nem prestar atenção aos arredores. Ao sair pela porta do bar, se vê entregue novamente ás ruínas da civilização de outrora. Ela olha para o céu, respira fundo e põe-se a andar novamente, rumo ao vazio. Seus olhos, aqueles belos olhos castanho-escuros e provocantes observavam o infinito com a impavidez e a determinação de um gorila no cio. Sim, ainda haviam muitas aventuras a esperando; muito suor e mestruação.]

– Perdi o meu amor naquela noite. Mas encontrei um motivo para me manter viva. Sim… Agora eu conheço seu paradeiro, Crisossomo Dominique de Luxemburgo e eu vou me vingar!

[Fim do primeiro capítulo].

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POSSUIDA

Posted in Uncategorized on janeiro 11, 2012 by josebuceta

http://www.megavideo.com/?d=7Y9IT988

Quando Nietzche Gozou

Posted in Uncategorized on outubro 28, 2011 by josebuceta

Quando Nietzsche chorou

Houve um tempo, bem longícuo, ardoroso
Onde um homem, a sós consigo adorou
Uma doutrina meio estranha, algo complexa
Que, sozinha, se proliferou, mesmo perplexa

Esse homem, dito santo, Super Homem
Sonhou com ritos, descontruções e profetas
Ao seu lado, jazia um vidro de tarja preta
Talvez nele houvesse o segredo de sua avareza

Ele tentou, pensou, refletiu
E ao cansar-se mandou tudo pra puta que pariu
Se o seu amor, como o fél, nada valia
Por que não entregar à maresia?

Em seus sonhos, então, enclausurou-se
Não mais valia tanta dor algo superflua
A partir de então sua vida seria perversa

Aliou-se à corrente do mal
Construiu uma máquina colossal
Em seu topo jazia todo o controle
Escalou-a como sendo uma torre

Plantou nele todas as suas esperanças
Funciona sob a dor das lembranças
Das vadias, eunucos, pensadores e veados
De vidas medíocres e igualmente fado

Tudo seria então destruido de vez
Não haveria mas pra vocês
A física de sua arma era fulgaz
Violenta, idestrutível e eficaz

Disse adeus esse mudou e gritou:
Nunca, jamais saberão quando Nietzhe chorou!
Quando Niezche chorou…

This fight will be your last.

Posted in Uncategorized on junho 6, 2011 by josebuceta

–O que você está tentando me dizer?
–Estou tentando dizer que este lugar é um tanto desagradável. Se eu fosse você, daria o fora.
–É o que eu estou tentando fazer. Mas digamos que o destino não tem colaborado muito comigo. Nem o destino e nem esse lugar. Não querendo parecer excêntrico, mas já sendo, acho que esse lugar tem alguma coisa contra mim. E quanto mais tempo eu passo aqui, mas me convenço disso.
–*risos*Creio que o sr. esteja certo, meu caro. No fundo, este lugar tem algo contra todo mundo, sem qualquer tipo de descriminação. Não houve, na história deste país, um único dia em que este lugar não tenha odiado alguém. Nem os mais santos escapam do olhar dessa porra, seja lá o que ela for.
–Explique melhor.
–O que mais eu posso dizer? Não é um bom lugar pra se viver, nunca foi. Ou talvez tenha sido, sei lá! Isso não importa mais, porque hoje em dia esse lugar tá uma bosta e assim que eu tiver a chance, vou-me embora daqui. Espero que o meu câncer não me mate antes disso. Embora eu não tenha muito tempo de vida, ser enterrado neste solo miserável me parece má ideia.
–Você fala como se eu tivesse algum interesse pela sua vida pessoa. Eu não vim aqui pra ouvir especulações de um velho bêbad0, vim porque queria alguém capaz de me explicar que merda é essa que está me acontecendo. Vejo que perdi o meu já mal bem aproveitado tempo.
–Qual é o seu problema, rapaz? Há um minuto estava sendo tão cortez… essa geração Y! Nunca sabe o que quer da vida; nunca sabe se está de bom ou mal humor. No meu tempo você podia manter uma linha de raciocíneo numa conversa sem ter de lidar com a bipolaridade do ouvinte, sabia?
—Ao menos ainda não ficamos gordos e velhos, campeão.
–Por enquanto…
–Ora, pois! Do jeito que as coisas andam, acho que eu não deveria me importar com o que vai acontecer daqui a uma semana. E você também não deveria, talvez estejamos no mesmo barco.
–Como assim?
–Obrigado por confirmar minhas suspeitas. Você não sabe de merda nenhuma, não tem como me ajudar. É como todos os outros… E eu só queria saber por quê.
–Seja mais claro, moleque.
–Eu poderia te matar, sabia? Ninguém iria ligar. Não tem ninguém aqui. Não tem nada aqui, apenas arbustos, névoa e residências abandonadas. Esta cidade está morta, assim como aqueles que a habitam. Talvez você também esteja morto, talvez eu mesmo esteja morto. Eu quero descobrir.
–Agora quer me matar? Puta merda, todos estão ficando malucos! Não se pode nem mais conversar com estranhos hoje em dia que eles já chegam com um papo estranho de querer te matar por motivo nenhum. Sabe de uma coisa? Se quiser me matar, vá em frente. Eu já estou de saco cheio dessa merda.

Granada

Posted in Uncategorized on março 23, 2011 by josebuceta

GRANADA

Arma de destruição, explosiva, infiel, poderosa e amarga como fel

GRANADA

Que me dilacera as entranhas ao se estilhaçar numa chuva de balas

GRANADA

Com sua força explosiva abate meus homens ceifa-os a vida

GRANADA

Quando jogo C.S, tu és salvadora e família

GRANADA

Explode a alma do homem-macaco
Desfaz sua história feito um canto brado
Que conta de heróis liquefetos em água

GRANADA
Tua forma elegante explode retumbante
Falcete sambante
Tombando um montante de gente cagada.

GRANADA

Na cama esculachas
Me faz de bonacha
Ó, vindoura granada!

GRANADA

Explosiva, singela
Um tanto destrutiva
Instrumento de guerra

GRANADA

Se um dia eu morrer
Seja lá como for
Que tudo seja obra de uma

GRANADA

April March: Garçon Glaçon (uma parábola do existencialismo)

Posted in Uncategorized on janeiro 10, 2011 by josebuceta

Eu gosto dessa música. Se você não gosta, eu quero que você vá provar do angu do gomes. E tenha dito!