O Estranho Caso de James Lee Jones (parte 3)

Omnitrix
Capítulo 3: Aquele que comandava o caos no mundo. Teorias secretas encontradas em um bunker alemão que fora soterrado por uma tempestade de gelo-faca em algum lugar dos famigerados Alpes Suiços e o que aconteceu quando as forças especiais chegaram lá pra sentar porrada nos nazistas zumbis. E, não menos importante, os três fatos importantes que mudarão o mundo (O Pato é o Nosnilep, o Jogador Cagante e a Queda do Governo Obana). Não vamos nos esquecer dos bolinhos… todo mundo ama bolinhos—acho que já está grande o suficiente. Mudando de assunto, você gostava dos pirtulitos do Zorro? Velho, eram a melhor coisa do mundo na época em foram comercializados. Quando sairam de linha, desabei em prantos.

Àqueles que acompanham essa história—acredito que sejam poucos—gostaria de agradecê-los por estarem aí, sentados nessa poltrona fedida, perdendo o seu tempo com essa merda que não lhes acrescenta nada de relevante. Meu querido leitor, aprecio a sua dedicação; não, eu a venero. Creio que seja necessário um bloqueio psicológico muito grande pra engolir toda essa babaquice, algo que não se encontra facilmente no intelecto humano. Justo por isso, lhe escrevo esta dedicatória. Não diga nada, eu sei que é pouco em comparação a todo o esforço que você faz pra ler essa porcaria, mas, no momento, é o máximo que você terá. Agora cale a boca que eu vou voltar pro ponto onde parei: depois de todo aquele massacre, era de se esperar que o nossoherói começasse a fazer perguntas a si mesmo. O que diabos significava aquilo tudo? E qual era o nome verdadeiro do Bruce Lee? Eu pessoalmente não acredito que seja mesmo Bruce Lee, e aposto que você, leitor, também não acredita. Seria muito obvio se fosse verdade. Mas do que eu estava falando mesmo? Oh sim, era sobre narrativa—não, era outra coisa.

Olha, eu não costumo dizer isso pra todo mundo que eu vejo por aí porque pode ofender as pessoas. Eu não quero ofender as pessoas. Quero fazê-las sorrir, serem felizes. A felicidade é um direito universal do ser humano, já dizia o pessoal do tratado, e não sou eu, um mero escritor, quem vou me opor a um conceito tão bonito e singelo. Um conceito do qual James Lee Jones não compartilhava.

Pode parecer meio enfadonho dizer isso agora, mas o pobre coitado era, desde a tenra infância, a penumbra de um pequeno cangaceiro infeliz, com seu chapéu ridículo, o seu jeito marrento e toda aquela fábula de Lampeão. Era a descrição exata de alguma outra coisa que eu esqueci o que era, porque faz muito tempo que conheci. Era um ser único, de casos estranhos. E… algo próximo de um alcólotra e coisa e tal. Mas não foi nada disso o que o fez chegar onde ele chegou, meus parceiros de juventude. Foi tudo a mais pura obra do acaso. Nada longe de uma coinciêndia. James saiu de casa, entrou numa briga, foi surrado, jogado num rio atolado de merda e, logo depois, se deparou com um artefato misterioso de poderes desconhecidos. E depois disso, presenciou um massacre sem igual. Tudo numa única noite, e sem a necessidade de ir ao cinema. Não sabia mais o que pensar de absolutamente nada, apenas fitava o objeto, arregalava os olhos, respirava; se perguntava porque ele não foi partido ao meio pelo terrível tentáculo da destruição infinita e profunda, que nada perdoa. Não obteve resposta. A invés disso, presenciou mais uma ação: a esfera, depois de apitar cinco vezes, se abriu como um caixa de presentes. James Lee Jones temeu o que o esperava; talvez algo ainda mais mortal, como um vírus incontrolável ou uma bactéria que se alimenta de tecido vivo. Alguma coisa capaz de ceifar-lhe a vida de uma forma dolorosa e nada gratificante. Mas não era isso o que havia lá dentro. Não um vírus, não uma bactéria, não uma descrição profunda das complexidades intelectuais que permeiam a mente dos gênios e nem um apurado científico a favor dos ideias trabalhistas de Carl Marx. Na verdade, era algo bem ordinário. Um simples relógio, nada mais que um relógio. E o modelo sequer era bonito. Parecia aquele troço horrível que o pessoal da televisão chama de Omnitrix, só que um pouco menos feio e com um mostrador de hora.

James não podia acreditar no que estava vendo. Seria possível algo tão banal emergir daquela esfera da morte? Talvez fosse algum tipo de relógio diferente, confeccionado sob medida para causar dor profunda enquanto oblitera cara grão de molécula presente na sua formação corpórea. De qualquer maneira, era algo que ficava melhor longe de qualquer pessoa sã. Mas como Jones não era esse tipo de pessoa, o coitado se deixou levar pelo impulso de curiosidade que surgiu vibrante nas profundezas de seu coração e, rapidamente, colocou o relógio em seu pulso. Não houve qualquer tipo de questionamento intelectual, não houve medo ou receio: lá estava ele, com o relógio na mão, contemplando o brilhantismo tecnológico do aparelho. E conformado, recompôs-se, e caminhando sob a pilha de cadáveres mutilados, encontrou o caminho de volta pra casa. O que não foi assim tão fácil, porque o Texas não é o tipo de estado onde as pessoas têm o hábito de dar carona a estranhos. Conta uma lenda antiga, pré-cristã, que tudo isso é culpa de um filme chamado A More Pede Carona—não se sabe ao certo qual dos dois, pois este filme possui uma sequência–, no entanto, ainda existe muita controversa entre a comunidade científica e ninguém chegou a uma conclusão definitiva a respeito deste assunto complexo e indubitavelmente signifiante pro bem estar de todos os cidadãos mato-grossenses e seus familiares.

Superando dezoito horas de caminhada e muitas doses de caipirinha (caso eu não tenha contado, Lee aproveitou pra catar o dineiro dos cadáveres enquanto pisava encima deles. Aproveitou pra comprar umas garrafas de caipirinha, vodka, martini e um vidro de lança-perfume no caminho de volta pra casa), ele finalmente encontrou o seu lar. Tudo parecia exatamente da mesma maneira que ele deixara, exceto o seu carro, que havia desaparecido. Mas ele não queria saber disso, tinha mais três emprestados com alguém e trataria de reavê-los mais tarde. Naquele momento a única coisa impotante era se jogar encima d’um colchão confortável, aliviar a tensão muscular, sonhar com gostosas e beber um pouco mais. Ele já nem se lembrava muito claramente da noite anteriore depois de tanto beber, provavelmente esquecerá tudo. Mas quem liga pra pretéritos, não é? Eu, sem dúvida, não dou a mínima pra nada disso, eu só quero é ser feliz, e viver tranquilamente na favela onde eu nasci, e poder me orgulhar de viver tranquilamente, porque o pobre tem o seu lugar (para futuras referências, favor consultar a discografia de Cidinho e Doca).

Lee abriu a porta da frente com um chute furioso, jogou sua jaqueta de couro fedendo a merda num canto, vomitou no retrado de sua avó e deu uma coçada no saco. Tava de saco cheio de andar, queria sentar numa poltrona confortável e assistir um episódio de Animaniacs. Infelizmente, teve de se conformar com comerciais de coletânicas de clássicos dos anos 70, 80, 90. Ele até gostava daquelas músicas, mas estava de muito mau humor pra admitir isso a si mesmo, então ele meteu-se em direção ao quarto, não se importando em desligar a televisão, o rádio, a luz, o forno de microondas, o ventilador, o celular e todas as outras merdas que se desliga quando se tem a pretenção de econimiar energia elétrica. Sentia-se meio atordoado, com dores de cabeça fortes—não lembrava, mas tinha um corte profundo na cabeça, que futuramente precisaria de pontos ou infeccionaria até ficar cheio de puz e gangrenar gosmorodóbicamente (essa palavra existe? Acho que existe. Se não existir, foda-se). Jogou-se na cama, feito uma pedra. Nem notou que quebrou aquelas paradinhas que seguram o colchão. Caiu num sono profundo feito rola de bicha velha.

Passaram-se três dias. Lee dormiu como nunca antes dormira na sua vida. Ao acordar, olhou para o relógio e se espantou com todo o tempo que havia passado desde o seu último gole de Canna Cola. Rezou pra não estar cagado—não o estava. Sentiu algo pesado na sua cabeça, diferente do que estava acostumado, mas o peso dos seus olhos ainda era profundo e ele não estava disposto a tentar descobrir o que era. Estava morrendo de vontade de dar uma mijada e agradecia aos céus por não tê-lo feito enquanto dormia.

Calçou as pantufas velhas e surradas, seguiu em direção ao banheiro. No meio caminho, notou que o seu cabelo estava muito maior do que ele se lembrava; se conformou, devia ser uma crise de amnésia provocada pela ingestão de álcool—já havia ocorrido mais vezes do que se imagina.

Procedeu como sempre. Arreou as calças, botou o pinto pra fora e…

Botou o pinto pra fora…

Enfim. Ele prosseguiu da maneira que estava acostumado, sabe? Aquele jeito comum de se botar o pinto pra fora. Curiosamente sentiu a urina escorrer pelas pernas de uma forma um tanto quanto diferentes das outras vezes. E dessa vez ela não espirrou pra todos os cantos, enchendo tudo de mijo daquele jeito muito comum que acontece sempre que um bêbado toma a decisão e ir urinar. Havia algo muito errado.

Jones subitamente retomou a consciência. Todos os seus sentidos estavam de volta e ele podia ver a luz do dia iluminar tudo o que havia na sua frente; ele podia ver qualquer coisa que suas pupilas pudessem captar. Mas, desta vez, pela primeira vez entre muitas vezes, James estava com muito medo de olhar. Seu coração batia acelerado, e ele sentia falta de ar. Começou a pensar em Mortal Kombat, cadeiras, bilhar e outras coisas que costumavam acalmado. Mas ele sabia que não podia fugir daquilo para sempre. Então ele juntou toda a sua coragem de ser humano e, cautelosamente, ordevou aos músculos do rosto e do pescoço para que se contraissem de forma que ele pudesse direcionar a visão para baixo e encarar algo que nenhum homem de verdade está desposto a encarar. A algumas quadras dalí, uma velhinha empurrava um carrinho de compras. Sua casa não era muito longe, então ela decidiu seguir o seu caminho a pé. Foi então que uma estrada pôs-se em seu caminho. Era uma rodovia movimentada, cheia de carros indo pra lá e prá cá, cortando o ar e espalhando a poluição por todos os cantos; um cagaço de coisa destrutiva e mecânica. Ela sabia que precisava chegar ao outro lado, mas estava ciente de suas debilitações. Olhou para um lado, olhou para o outro lado; suplicou para que surgisse uma boa alma disposta a guiá-la até o outro lado. Ninguém se habilitou. Concluiu que a sociedade contemporânea estava sofrendo de uma imperdoável síndrome de individualismo e que os tempos antigos eram muito mais melhores de bom—ela mesmo, em seus tempos de juventude, já havia ajudado uma centena de velhinhas a atravessarem a rua, na esperança de que, em sua velhice, o destino a reitribuisse de forma justa. Infelizmente o destino é um sujeito filho-da-puta sem alma e sem coração e lá estava ela, frente ao lado oposto, sem saber o que fazer. Decidiu que, de um jeito ou de outro, teria de atravessar. Juntou toda a sua coragem de ser humano e, cautelosamento, ordenou aa todos os músculos do corpo que se movimentassem como caminhar para que ela pudesse direcionaro o corpo e encarar a estrada. E o corpo velho respondeu, lentamente, posicionando um pé na frente do outro, na forma de caminhar. Mas antes que ela pudesse chegar ao outro, lado, algo chamou-lhe a atenção. Era algo profundo, violento e espantoso, que retumbava por todos os cantos. Um súbito grito de desespero. O que poderia ser?

Tão violento; tão alto… E foiquando um FIAT 86 passou por cima da velha, jogando-a violentamente contra o compartimento de carga d’um caminhão qualquer. A força do impactou triturou o seu fêmur de forma arrebatadora e os seus miolos ficaram todos espalhados pelos chão, numa rajada de massa encefálica que se estendia por doze metros. “CORTARAM O MEU PAU” foi a última coisa que ela ouviu naquilo que marcou o fim dos seus cento e dezessete anos de vida.

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