Um Tempo do Caralho

PUTARIA

Hoje de manhã eu acordei meio bolado com a vida, cheio de dorgas e um tanto deprimido. Ainda meio chapado, eu calcei meus chinelos avaianas, dei uma marretada no despertador e fui até a janela. Ao abrí-la, enquanto os raios de sol inundavam meu cômodo deixando a mostra todos aqueles resquícios de poeira e evidenciando a minha vagabundagem ao clarear toda aquela bagunça, eu percebi que havia passa um tempo do caralho desde a última vez em que eu caí na porrada com alguém. Fiquei bolado comigo mesmo, quase louco; eu só conseguia pensar “como aquilo podia ser mesmo possível e porque eu já não era mais aquele filho-da-puta brigão de antigamente”.

Eu culpei minha ex. mulher, o Baú da Felicidade e o governo, mas não adiantou. Nada era capaz de exorcizar minha frustração. Então eu decidi que a melhor maneira de remediar essa palhaçada era voltar a ser como antigamente. Eu decidi que esta iria ser a semana do street fighting. Foi uma boa decisão, eu me senti reanimado e puz-me a treinar constantemente dia e noite, noite e dia, numa verdadeira orgia de vitamina de beterrada e anemia. De rima em rima, de golpe em golpe, de mijada em mijada, fui retomando o meu velho ser e o meu corpo acompanhou aquela regressão necessária. Em pouco tempo eu já havia recuperado os meus quinze metros de músculos e mais parecia um personagem de Gears of War.

Era isso aí, o retorno à velha forma! Pude sentir um poder de luta de mais de 8000 correndo pelas minhas veias e enfim pude identificar quem eu era em meio àquela montanha de músculos e testosterona. Mas ainda não era suficiente; não mesmo. Seria necessário provar minha virilidade em combate real, corpo-a-corpo-, mano-a-mano, sem nenhum tipo de putaria. Era hora do pau.

E então eu saí pelas ruas, à procura do oponente perfeito. E foi em um beco no meio da cidade grande que ocorreu. Eu já estava cansado de procurar, quando vi aquele sujeito esquisito, andando pelas ruas usando aquele kimono branco nada urbano e aquela faixa vermelha de Rambo. Quem poderia? Eu não sabia, mas pudia sentir o seu PODER DE LUTA. Ele emanava uma força absurda, diferente de tudo que eu já havia visto. Não pude me controlar, tiver de dar o primeiro golpe—um de direita, bem no canto da orelha, mais um aviso. Ele era rápido o suficiente para se desviar. Pôs-se em guarda logo que me viu. Nem perguntei seu nome, fui atacando feito louco, dando porradas pra todos os cantos, enquanto ele apenas se defendia—era um verdadeiro guerreiro.

Após pegar distância suficiente, ele me encarou e perguntou quem eu era. Irrelevante, retomei o ataque, louco como nunca. Eu parecia um enorme javali retardado e carnívoro com fogo no cu que falava como um personagem do Frank Miller. Mas eu não era bom o suficente. Foi só eu me cansar que ele partiu pro ataque, numa mistura de hadoukens e shoriukens (na verdade, era só isso que ele sabia fazer. isso e um golpe idiota onde ele transformava uma das pernas numaélice louca e saia girando pelos ares). Apanhei feito um gorila e caí, derrotado. Ele me olhou por uma última vez e retomou o seu caminho. O caminho do guerreiro.

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