Os insetos e suas leis

Finalmente, de tempos em tempos, chega [para aqueles poucos] – aquilo que vai ser mais difícil de lhes conceder, mas que apesar disso, lhes deve ser concedido – aquele momento em que eles podem emergir de sua solidão silenciosa e novamente testar o poder de seus pulmões: porque para eles que se chamam uns aos outros como quem se perdeu em uma mata para que possa encontrar e encorajar uns aos outros; pelo que muito se torna audível, com certeza, aquilo tem uma sonoridade imprópria para os ouvidos que não lhe foram destinados. – Pouco depois, no entanto, novamente ainda é na mata, ainda é aquele zumbido vibrante dos insetos que lá vivem, acima e abaixo novamente pode ser claramente ouvido.

Friedrich Nitzsche

Eu não sei exatamente se foi uma decisão consciente deixar de lado por um bom tempo o assunto chamado “videogames e política”, mas é mesmo um tanto interessante, já que eu ando escrevendo sobre videogames já faz algum tempo, e acho que nunca falei de um algum político ou de algum advogado. Mas eu suponho que algum dia eu tivesse que dar algum parecer sobre a situação, mesmo que sucintamente, para que eu tivesse uma opinião que eu pudesse usar em qualquer discussão sobre o assunto, assim como também fui levado a escrever sobre o quão ridículo é o assunto “videogame-arte” há algum tempo atrás, e constantemente uso o artigo como uma referência rápida e eficiente. Então, vamos lá – com uma mente sóbria (ou pelo menos, relativamente) e de maneira lúcida e incisiva.

Então, qual seria de fato a conexão entre os videogames e a lei? Tanto burburinho, tanta comoção existe em fóruns de videogames em toda a internet sobre esse assunto, e tantas palavras já foram escritas sobre isso, e continuam sendo escritas, de fato até mesmo diariamente (talvez até existam livros sobre o assunto, eu não ficaria surpreso, embora dificilmente me desse ao trabalho de conferir, já que todos os livros sobre videogames que eu já li até hoje parecem ter sido escritos ou por um moleque de nove anos ou por um absoluto retardado mental), e então o indivíduo e realmente levado a acreditar que exista uma conexão entre essas duas coisas.

Mas, em verdade, quer saber por que falar sobre assuntos de políticos e advogados é algo que no fim do dia é totalmente irrelevante? Quer saber por que, na verdade não existe absolutamente nenhuma conexão real alguma entre os videogames e a lei? Sim, eu duvido fortemente que haja! E acredito também que nunca conheci ninguém que declarou abertamente que divide da mesma opinião que eu, da mesma forma que nunca vi uma discussão séria o suficiente para que alguém analisasse a situação suficiente para mesmo tentar observar se existe uma conexão de fato ou não. De qualquer forma, eis a razão:

É muito simples, e quando você resume em poucas palavras, Advogados, juízes e políticos só se importam com a questão da violência nos videogames. Esse é o único aspecto dos videogames que eles estão de fato interessados. E eles não se importariam nem mesmo com isso se os escravos (que caridosamente os elegeram e/ou pagam seus salários) não resolvessem volta e meia se importar. Se eles não se importassem, estou seguro em dizer que ninguém se importaria. Então, se nós pudéssemos levar à grande público a realidade de que a violência nos videogames não existe, e que o próprio conceito de “violência nos videogames” chega a ser quase cômico de tão absurdo, nós poderíamos (pelo menos em teoria) conseguir nos livrar completamente dessas pessoas que, no fundo, não dão a mínima para o Hobby.

Ah, você quer saber por que o conceito de violência é absurdo quando aplicado aos videogames? Isso é simples: o conceito é absurdo pela simples motivo que o conceito de “violência”, como conhecemos, é indefinível no contexto de termos virtuais. Violência é um conceito fundamentalmente ligado à realidade. É toda uma idéia que foi desenvolvida para designar um processo que só pode ocorrer na realidade, e não faz sentido nenhum fora dela. Fora da realidade, a palavra “violência” simplesmente se torna ilegível, sem significado. As pessoas que usam a palavra “violência” e a ligam com videogames, muitas vezes só conseguem expressar essa conexão metaforicamente, ou, se tentam fazer essa conexão de maneira literal, são imbecis tão grandes que nem devem ser considerados em uma discussão séria sobre assunto nenhum. O que os escravos estão tentando fazer, mesmo que sua inteligência diminuta não permita que eles vejam de maneira direta, em suas insanas tentativas de espalhar negatividade e conflito pelo universo, é meramente banir o uso de algumas cores aleatórias nos videogames! Sim, você me ouviu bem: o objetivo final dos escravos, como eu explicarei em maiores (e mais hilariantes) detalhes em algum artigo futuro, é reduzir a paleta de cores disponível para os desenvolvedores de videogames! Em outras palavras, como de costume, LOL.

E só com isso, nós já abordamos tudo sobre a suposta “conexão” dos videogames com a lei; todo o interesse de advogados, políticos e juízes em videogames. E esse interesse, com já expliquei, é originário dos escravos: o povo, a massa, a plebe, a ralé, chame como bem quiser. E já que explicar qualquer coisa pra ralé é impossível, até mesmo a coisa mais simples – por exemplo, digamos, que quente e frio não são opostos – e assim sendo é impossível impedir que os advogados, juízes e políticos continuem a fazer um caso ridiculamente grande em relação aos videogames. Então discutir, protestar, e coisas do gênero, são um exercício absolutamente fútil, não digno da atenção de qualquer pessoa que tenha qualquer outra coisa pra fazer (e pensando bem, mesmo a das pessoas que não tem nada pra fazer (essas poderiam, por exemplo, estar jogando videogames)).

Mas então existe o outro lado da moeda, eu suponho – o interesse que os jogadores de videogames podem apresentar em relação aos escravos e suas leis. E da mesma forma que os escravos só se interessam por um assunto dos videogames, que seria o tal aspecto “violento”, os jogadores de videogame devem só apresentar interesse em um aspecto das travessuras das leis dos escravos: a possibilidade de que um dia os escravos possam conseguir tirar algum videogame deles, ou mesmo tirar vários videogames deles. Mas eis que se preocupar com isso é totalmente irrelevante, já que quando existe alguma “proibição” de alguma coisa ou algo do tipo eu encaro como uma ótima possibilidade de provar, ao vivo e a cores, que os escravos são completamente incapazes de nos tirar nossos videogames (ou de tirar qualquer outra coisa, lol).

Sim, perceba o quanto os escravos são simplórios. Colocando de maneira resumida, sociedades democráticas são perfeitamente incapazes de prevenir qualquer coisa de acontecer. No máximo eles podem retardar o desenvolvimento das coisas ou diminuir seu alcance por um tempo, mas eles jamais podem colocar um fim em coisa alguma. Em tempos passados, um Alexandre, um Napoleão ou um Hitler poderiam simplesmente acordar meio rabugentos numa bela segunda-feira e dizer: “VIDEOGAMES ESTÃO BANIDOS, MALANDRAGEM” – e dentro de poucos dias ou semanas ninguém no império estaria mais jogando videogames (exceto, talvez, Alexandre, Napoleão e Hitler). Mas banir qualquer coisa definitivamente de uma sociedade democrática é basicamente impossível (ou pelo menos, qualquer coisa simulada – coisas reais (leia-se coisas reais irrelevantes) são banidas a todo o momento, porque a realidade é a coisa que os escravos mais temem – e com razão!). No máximo, quando os ratos ganham um pouco da atenção que tanto gostam, alguma coisa pode ser oficialmente banida, que vem do verbo “de maneira não-oficial, qualquer retardado ainda pode obter e usar”. Na pior das hipóteses, alguma coisa pode acabar ficando mais cara, o que de fato poderia afetar os pobres (o que não é de todo mal, já que assim eles trabalhariam mais duro, e por conseqüência poderiam ter acesso às coisas boas da vida, que por definição são quase sempre ilegais). Pegue, por exemplo, quando algum filme, livro ou jogo é banido na Austrália. Tipo, você está falando sério mesmo que se eu morasse na Austrália eu não poderia assistir o Assassinos por Natureza do Oliver Stone, ou jogar Postal ou Manhunt? Por quê? Deu pau generalizado na rede de torrents? Ou o processo do Jeremias contra a internet vingou e resolveram parar tudo? A única coisa que poderia me parar seria eu mesmo, e o fato que o filme banido e os jogos banidos que eu citei não são lá essas coisas; no mais, para pessoas como eu, esses “banimentos oficiais” não são nada mais do que uma valorosa fonte de risos.

E a Austrália, mantenha em mente, é um exemplo extremo, porque para sociedades cuja estrutura interna é tão fraca, como os Estados Unidos ou aquelas do oeste Europeu, o problema da Australia nem existe. Qual foi a última vez que você se lembra de altas comoções de alguma coisa simulada sendo banida nos Estados Unidos, seja uma música, um filme, um livro ou um videogame? Eu me lembro que no século XIX eles baniram Huckleberry Finn por uns tempos, e mesmo ninguém parou de ler o livro de Mark Twain, isso muito antes da internet e seus caminhos mais rápidos. E é sério, qual foi a última vez que baniram um videogame nos Estados Unidos? E mesmo se eles resolvessem banir tudo quanto é jogo, como isso significaria mais do que um punhado irrelevante de palavras? E mais que isso, quanto tempo demoraria até que eles se tocassem que ninguém dá a mínima para isso e resolvessem reverter a coisa? Não muito. E em todo caso, que cidadão da população daquele país (e até mesmo do nosso e de incontáveis outros países) já não está envolvido até o pescoço com atividades ilegais? (E não, não estou falando de sexo anal: refiro-me a aquelas coisas, os tais “downloads”, sabe? Já ouviu falar de um sujeito chamado Sean Parker?)

Em poucas palavras, se é que alguém tinha uma dúvida idiota quanto a isso, não, os videogames não estão sob perigo algum. O único jeito dos videogames ficarem em perigo é se de repente nossas sociedades virassem regimes ditatoriais (e nesse caso francamente acho que teríamos problemas maiores do que videogames para nos preocupar). E essa mudança jamais vai acontecer enquanto os escravos tiverem armas nucleares. Ou pelo menos até que tecnologia de controle da mente esteja disponível em lojas de “1,99”. Então pare de se preocupar, e pare de tratar isso como se fosse um assunto sério, porque simplesmente não é. Não existe nenhuma porra de motivo pra monitorar processos contra videogames, não existe nenhum motivo pra ficar indignado com leis sobre videogames, não existe nenhum motivo pra acompanhar blogs imbecis como o Gamepolitcs.com. Se você realmente está preocupado com a possibilidade de videogames serem banidos algum dia, eu recomendo que você acompanhe as medidas de segurança relativas a armas nucleares e os desenvolvimentos de tecnologias de controle da mente. Qualquer outra coisa a mais que isso é meramente mais uma das traquinagens dos jornaLOListas (que de forma não muito diferente com a do caso dos “videogames arte” querem desesperadamente que os videogames sejam “levados à sério”), e destaque desnecessário para as plebes (o fato que eles financiam a sociedade não altera o fato que eu sou melhor que eles, e que eles não merecem destaque). Existem diversos outros assuntos muito mais interessantes para se discutir, isso é um fato irrefutável.

Assim sendo, só resta uma questão no ar para ver se você ainda vai continuar no assunto ou não: “Por acaso você é um inseto ou não?”

— Pato Donald McPato

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