O Campo Vazio de Hyrule

Muitas pessoas acreditam que eu e o pato não possuímos discordância em assuntos relacionados a games, mas não, possuímos muitas, e algumas quase que paradoxais, de tão extremas, mas como cavalheiros sempre levamos o embate da forma mais cabível possível, para que sempre se desenrole de uma forma construtiva, e este é o motivo do texto escrito aqui neste momento, um ponto que não concordamos, o gostar ou não do campo de hyrule, local ao qual se desenrola as travessias do meu tão amado jogo NINTENDO, ZELDA, ao qual por motivos até hoje não sabidos era algo agradável a mim, e não ao pato, mas hoje um daímon me veio, e foram esclarecidos tais assuntos, e venho compartilhar com vocês este ocorrido.

Este campo repleto de nada, ao qual a maioria dos jogos ZELDA se desenrola, é de alguma forma motivo de amor e de ódio entre os gamers, no meu caso amor. Sempre me senti bem caminhando por este campo, muitas vezes sem rumo outras vezes com destino certo, viajando para localidades que estão inseridas no contexto do jogo, e para explicar minha visão do campo de hyrule usarei como base de lógica o campo visto em OCARINA of TIME.

Zelda é baseado nas andanças feitas por seu criador, este quando era criança se aventurava na região ao qual foi criado, e nesta localidade existia uma floresta que foi por anos usada como campo de aventuras pessoais e solitárias, ao qual somente um lampião e um galho de arvore eram usados, podemos ver link com um lampião principalmente em TLP, e o galho em quase todos os jogos, esta é somente uma das referências deste período, e nestas andanças o mestre miyamoto desenhou o local de acordo com a sua imaginação, criando assim em forma de desenho hyrule Field, e este mapa foi usado posteriormente como base para a sua maior criação no mundo dos games.

Mas este não é o assunto principal deste texto, e sim a falta de “coisas” no campo de hyrule. Por muitas vezes fui indagado pelo pato sobre esta falha no contexto de zelda, e ele sempre disse que MM seria superior a todos por ter mais vida em suas andanças, e que a falta de vida em hyrule principalmente em OCARINA, fazia que com que o jogo fosse de alguma forma menos prazeroso ou completo, e mesmo o argumento alheio sendo forte, não me tocava, pois sempre fui feliz andando por aqueles campos, principalmente em OCARINA, e vejo também que este argumento, que o campo seria vazio ao extremo, é algo atual provido de comparações com jogos atuais como GTA e sua forma orgânica e falsa (não estou falando que é ruim, somente para mim é falsa, e nem todos fazem esta comparação, somente suponho que este tipo de jogo ajude a este argumento), pois no seu lançamento o campo de hyrule não era questionado desta forma, não que não possa ser feito hoje por este motivo, simplesmente este argumento não existia, e se existe hoje é porque a antítese  veio dos jogos atuais, mas tenho em mim algumas respostas para este fenômeno.

O nosso mundo, como o mundo de miyamoto quando criança é feito de caminhos, caminhos que nos levam a algo importante, perigoso ou a nada, e mesmo que cercados de pessoas a caminhada é pessoal, é uma experiência solitária e minimalista, que não pode ser feita duas vezes, e que cada experiência nos torna o que somos hoje, somos todos nós uma arquitetura formada por estas andanças, por este caminhar solitário que nos trouxe as experiências que temos, e como potencializar este aprendizado? Fazendo ele sozinho, quanto mais sozinho fazemos mais forte é a experiência, mais transformante ela é, e mesmo que isso esteja implícito nos conceitos de OCARINA este fato está presente em toda a série, como estiveram em mim todos estes anos, somente não tive o daímon de hoje anteriormente, ao qual me respondeu muitas coisas, e uma delas é que uma experiência feita de forma solitária é muito mais impactante e poderosa, e que por este motivo o campo de hyrule é a personificação da caminhada solitária, para afirmar isso da minha parte tenho duas experiências pessoais, uma eu posso contar, a outra por motivo de silencio mortal não posso, mesmo assim a que posso contar vai exemplificar de forma correta o que quero mostrar a vocês.

Mas antes vou falar sobre o que a caminhada pode acarretar. No caso de OCARINA podemos observar quando encontramos Kakariko Village, que exemplifica a vida, a socialização, e a força que existe da união entre pessoas, e neste mesmo local encontramos o cemitério, que é claro significa a morte, mas também significa o renascimento, o obscuro, o imaculado, algo que não se sabe o que é, algo que está alem, estes são alguns dos significados de Kakariko Village, muitos implícitos outros descarados, mas como isso se mostra forte a todos que chegam neste local? A caminhada solitária é a resposta, ela é que gera ao jogador a satisfação do encontro, da descoberta, e isso somente funciona com a caminhada solitária, vejamos gerudo fortress, a caminhada solitária neste local é algo realmente gratificante, e até hoje o imaginário dos jogadores afirma que havia algo alem daquele deserto, porque tamanha admiração, porque este jogo ainda está no nosso imaginário e é considerado o maior entre os maiores, para mim a experiência foi grandiosa, e um dos motivos é o que estou falando neste artigo, e sem me alongar este é um dos motivos aos quais me fazem acreditar que MM não é o melhor entre todos, mesmo sendo ele original e grandioso este fator não está da forma que me toca, simples assim.

Como falei anteriormente tenho uma experiência que me leva a ter uma boa observação hermenêutica do que o mestre miyamoto queria dizer, quando criança o meu bairro possuía (e ainda possui) um pequeno vale com uma pequena floresta, não é um caminho a ser percorrido, é de alguma forma uma aventura, ainda mais para uma pessoa de 9 anos, e este caminho foi trilhado por mim algumas vezes, não fui tão criativo ao ponto de tornar publico esta experiência, e muito menos criei um jogo, o que foi o caso de miyamoto. Este caminho leva a outra cidade, uma pequena cidade (que na verdade deveria ser um bairro, pois não tem nada), ao qual fui algumas vezes. Trilhei o caminho de forma solitária, e cada som, cada imagem, cada coisa que ocorria era algo novo, era uma experiência impactante ao qual me recordo até hoje, e é um dos retalhos que formam o homem que sou hoje, pois quando chegava ao outro lado, na cidade, tinha isso como dever cumprido, algo almejado e alcançado, eu era o herói do meu próprio conto, e na minha caminhada solitária, eu era o link da lenda de ZELDA.

— Nosnilep

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