Os JornaLOListas contra-atacam!

A primeira coisa que você tem que ter em mente, quando nós vamos discutir o negócio da imprensa dos videogames, é que a fonte das notícias são as próprias companhias de videogames. Aí, nós já podemos traçar a grande diferença entre os outros tipos de imprensa e a imprensa de videogames: no primeiro caso, as fontes de informação são inúmeras, onde no segundo caso alguém provavelmente poderia compilar uma lista de empresas ativas de videogames, e, em teoria pelo menos, simplesmente conseguir ficar de olho em notas dadas pelas companhias de videogames já seria o suficiente para ter uma cobertura completa e compreensiva de tudo o que está acontecendo no mundo dos games. Novamente, isso é apenas teoria.


Porque na prática as coisas são um tanto diferentes, como nos todos sabemos muito bem. Na prática, uma grande quantidade das notícias de videogames não se origina das próprias companhias de videogames – uma grande quantidade dessas informações se origina de revistas e sites especializados, e dos blogs de porte maior que existem em todos os lugares.

Mas por que isso acontece?

A resposta para esse pergunta, se entendida por todos os jogadores de videogame do mundo, provavelmente iria deixar sem emprego grande parte dos profissionais da imprensa dos videogames (ou pelo menos, iria mudar drasticamente sua forma de trabalho). Quanto mais cedo isso acontecer, melhor. Então eu vou tentar dizer para todas as pessoas que estão lendo isso.
Quando a procura honesta por informação se transforma em manipulação

Ok, vamos entrar na máquina do tempo e voltar para o início da década de 80. Não existe internet do jeito que nós conhecemos, então, para que se estabelecesse a comunicação necessária entre as companhias de videogames e seu público, um número de publicações especializadas foram fundadas ao redor do mundo. Sem essas revistas, os jogadores de videogame não teriam jeito de saber nada sobre os jogos antes que eles fossem lançados, e não existiria informação adicional alguma desses jogos além do que está escrito atrás da caixa dos mesmos. Aí entravam as revistas. Elas são, acima de tudo, uma fonte vital de informações – até a então, a única fonte de informação de videogames que existia – e seu uso como um veículo de crítica era meramente um capricho.

Porém, com o advento da internet, a necessidade de seções de informações em revistas de videogames rapidamente se tornou coisa do passado – apesar de que quase ninguém parecia ter sido capaz de perceber esse fato. Todas as companhias de videogames rapidamente estabeleceram sua presença online com seus próprios websites, e começaram a criar até mesmo sites especialmente dedicados para cada um de seus novos jogos mais importantes. No início, com conexão lenta e altos custos de webspace e banda larga, esses sites eram bem rudimentares, continham apenas alguns parágrafos de informação e algumas imagens do jogo. Mas não demorou muito para que essas dificuldades técnicas fossem superadas, e os sites oficiais das companhias se tornaram extremamente sofisticados, capazes de dar mais informações sobre cada jogo, e de qualidade muito maior do que de qualquer revista, ou até mesmo website.

Em outras palavras, o advento da internet ocasionou a conexão direta entre as companhias de videogame e os jogadores, e publicações de notícias se tornaram obsoletas. Então a pergunta é o seguinte: mais de dez anos depois da popularização da internet, como esses caras ainda estão por aí?

A razão por esses caras ainda estarem por aí é simples: nesse intervalo de tempo entre a popularização da internet e hoje, eles fizeram um acordo com as companhias de videogames, sob os termos de que as companhias devem fornecer informações para eles em intervalos regulares, privando OS PRÓPRIOS WEBSITES OFICIAIS DAS COMPANHIAS de fornecer a informação antes, a um ponto que quando os sites oficiais finalmente mostram as novidades, a informação já é praticamente inútil. Se você acha que eu sou algum retardado que gosta de fazer teorias da conspiração, eu recomendo que você pense de novo: como diabos é possível que os “maravilhosos” sites como LameSpot, EuroIdiot e Fanitsu consigam um vídeo ou uma imagem exclusiva de um jogo antes mesmo que os próprios desenvolvedores? Ok, vamos supor que esses sites contratam super-espiões ninjas para invadir os QGs dos desenvolvedores, onde eles roubam esses vídeos e essas imagens toda semana – você vai ter que concordar comigo que esses vídeos e imagens tiveram que ser feitos pelo menos algumas horas antes de serem roubados, e os desenvolvedores poderiam muito bem disponibilizar esse conteúdo meros segundos depois que ele estivesse pronto nos sites oficiais da companhia.

No entanto, você já deve ter percebido que isso nunca acontece. Eles nunca fazem o upload dessas imagens e vídeos (e explicações in-depth das mecânicas do jogo) para seus próprios websites, porque se eles fizessem isso, eles não teriam a chance de negociar a “exclusiva” desse conteúdo com as revistas e os sites – e isso significa não ter fichas para aparecer nas capas das revistas, ou assegurar mais tempo em frontpages. (É claro, essas “exclusivas” não são as únicas cartas que as companhias têm à sua disposição. Ou, colocando de outra forma, TODAS as companhias têm suas cartas, mas as maiores, as mais poderosas, têm uma carta especial na manga: publicidade tradicional e marketing viral)

Então, o que eu acabei de descrever para vocês é o tortuoso processo no qual o honrável, legítimo, jornalismo de videogames rapidamente se degenerou em lixo, um horrível esquema que já está moldando a direção do nosso hobby por mais de uma década. Porque você tem que entender que existia muito pouco dessa bagunça nos anos 80, e aqui no Brasil, eu estou seguro em dizer que até mesmo até algum ponto dos anos 90 a situação estava controlada. Os jornalistas daqueles tempos tinham que ralar diariamente para conseguir as notícias de uma grande variedade de jogos de um modo que no fim isso se não se tornasse prejuízo para as editoras, e necessariamente tinham que apresentar tudo de uma maneira esteticamente agradável para leitura (sim, essa era uma época em que leitores ligavam para a qualidade da prosa). Para tanto, esses jornalistas tinham que cultivar e manter contatos com pessoas-chave dentro das companhias o máximo possível, tinham viajar e comparecer em exposições de tecnologia no mundo todo e voltar à tempo de relatar as novidades, tinham que passar noites sem dormir para conseguir conteúdo o suficiente para a publicação no prazo do fechamento. E sem eles, os jogadores da época teriam passado todo aquele tempo no escuro.

Agora, imagine o glorioso ano de 2010, se todas as companhias de videogames, num estalo de bondade e brilhantismo, começassem a fornecer as mais recentes notícias sobre seus jogos diretamente para seus próprios sites oficiais, de tempos em tempos. Tudo o que você teria que fazer é se inscrever em alguns feeds RSS das companhias que vão lançar os jogos de seu interesse, e toda a informação iria aparecer magicamente em sua caixa de entrada do hotmail. No máximo, você poderia começar um site que iria congregar todos os feeds, compilando toda a informação em tempo real e subdividindo tudo em seções (por gênero/plataforma/ etc.) apresentando aos leitores em uma interface mais fácil de digerir, e tudo isso sem qualquer intervenção humana (e assim eliminando a necessidade de ter funcionários, orçamento e propagandas em uma cajadada só). A tecnologia para fazer tudo isso já está disponível há muitos anos, mas talvez demore décadas para que finalmente seja posta a prática.

Eis aí uma fábula contemporânea: a tecnologia, ao invés de facilitar as coisas como eu descrevi, conseguiu degenerar uma imprensa válida em um grande plano maligno. Publicações especializadas existiam antigamente porque surgiu uma necessidade para elas; uma vez que essa necessidade desapareceu, o único jeito deles se manterem vivos é usando pérfida manipulação. E todos nós estamos pagando diariamente por nos mostrar coniventes ante essa manipulação.
A Morte da Opinião

O que você deve entender é que o que separa as publicações mais populares das menos populares não é a qualidade da cobertura que elas providenciam, como outrora fora, e sim sua quantidade e seu oportunismo. Revistas especializadas não mais são analisadas por sua abrangência na hora de dar as notícias (afinal, todas as revistas sempre têm os mesmos jogos pelas mesmas empresas em suas capas), por sua virtuosidade estética (todos os websites sobre videogames são dolorosamente feios), ou por sua qualidade editorial (lol!) – elas são analisadas por sua capacidade de jogar esse jogo de manipulação. Afinal, por que a Fanitsu é a revista e o site No. 1 do Japão? Com certeza não é por causa de seus artigos ou opiniões (TODAS as publicações japonesas são igualmente ridículas do ponto de vista editorial), mas sim por sua notável habilidade de ter todas as “exclusivas” – em outras palavras, porque aprendeu a jogar o jogo da manipulação melhor que seus competidores. E é pela mesma razão que o LameSpot é o site de videogames mais popular do ocidente.

Agora eu vou abrir um parêntese e tentar explicar qual é o trabalho de um escritor de notícias de videogame. E isso abrange tanto os tipos corporativos que trabalham nos sites de porte maior quanto os aficionados que escrevem em seus blogs – o trabalho dessas pessoas acaba sendo o mesmo no final das contas. Você pode pensar neles como caixas pretas de mágicos, ou uma equação: a notícia chega por um lado, é devidamente processada (dentro dos miolos do gajo), e sai do outro lado levemente (ou consideravelmente) alterada. Não alterada de forma que o indivíduo venha a informar coisas falsas, mas sim de modo com que o indivíduo dê a sua própria visão pessoal sobre o assunto. Não há nada mais que esses profissionais possam fazer – e eles não deveriam fazer nada menos que isso.

Esse processo, no entanto, o processo de providenciar um comentário relevante em relação à notícia (isso em qualquer meio) é um tanto custoso – porque requer tempo e poder cerebral. No caso dos videogames, isso requer com que o indivíduo esteja habituado com o gênero que cada jogo pertence, e se manter atualizado quanto à evolução de um jogo não somente vendo vídeos e imagens, mas também todos os jogos-chave lançado para cada gênero, assim que eles são lançados.

Isso, normalmente, não seria um problema para as publicações de maior porte. Afinal, esses sites maiores têm pelo menos doze integrantes com suas tarefas bem distribuídas, e isso facilmente faria com que eles tivessem pelo menos dois experts em cada um dos gêneros, e assim o comentário providenciado para o público sempre perspicaz, e interessante de ler.

No entanto, em uma indústria onde ser “perspicaz” e “interessante de se ler” é praticamente cometer um suicídio profissional, pessoas que realmente tem algo decente a adicionar são um problema, e assim, cretinos e simplórios são a preferência da casa. Além disso, a natureza da indústria é de tal forma que mesmo que você tivesse Friedrich Nietzsche em sua equipe, qualquer coisa interessante que ele tivesse a dizer sobre algum jogo que está para ser lançado seria rapidamente esquecida no momento que algum competidor tirasse da manga alguma “exclusiva” sordidamente negociada.

O que eu quero dizer é que a perspicácia é algo que necessita de muito mais trabalho, talento e aplicação do que o simples upload de vídeos e imagens, e que, mesmo assim, ela é muito menos popular. E se a popularidade de um site e igual à quantidade de dinheiro que ele vai produzir, é seguro dizer que os leitores de sites grandes simplesmente abandonaram a possibilidade de ler algo de fato interessante.

No caso de blogs independentes, temo dizer, a situação é ainda pior. Esses blogs mais populares são controlados ativamente por duas pessoas, no máximo – até mesmo os maiores mesmo, como o Siliconera – mas para conseguir começar a fazer dinheiro, esses blogs sempre estão atrás de dar uma cobertura completa de tudo o que está acontecendo nos videogames, ou seja, são diariamente dezenas de notícias sobre todo tipo de jogo. Como diabos essas pessoas arranjam tempo para jogar alguma coisa? Como essas pessoas se mantêm em contato com todos os jogos do gênero para que o comentário que elas tenham a fazer sobre os jogos tenha alguma relevância?

A resposta curta é grossa é que eles simplesmente não jogam, e é por isso que você nunca vai ler nada genuinamente interessante nesses blogs. Essas pessoas – essas “caixas pretas” de segunda categoria – estão em constante fracasso ao cumprir seu trabalho. Na louca tentativa de tentar cobrir uma quantidade gigantesca de jogos no menor tempo possível, essas sanguessugas, ao invés de processar cuidadosamente a informação e dar algum lampejo de personalidade decente no assunto, simplesmente copiam descerebradamente a notícia, e na melhor das hipóteses jogam uma observaçãozinha branda ou uma piadinha de efeito. É por isso que eu chamo a maioria dos jornalistas e bloggers profissionais de sanguessugas, porque eles ficam no caminho da linha direta entre os jogadores e as companhias, fazendo grana sem prestar nenhum serviço útil para seus leitores – e isso só para as companhias que souberem como manipulá-los.

Esse processo pornográfico de manipulação, em última instância, acaba por provocar um impacto tremendamente negativo na qualidade da crítica e comentários disponíveis. Você já se perguntou por que blogs grandes como o Kotaku e o Joystiq, apesar de terem a mesma quantidade de funcionários que um site grande, e uma popularidade até maior do que a de um site grande, dificilmente fazem reviews? Eu te digo, princesa. Porque fazer um review – e ter uma opinião diferente para defender – é péssimo para os negócios dessas pessoas. E muito mais fácil lotar a internet com um milhão de parágrafos sobre um jogo antes mesmo de ele ser lançado, afinal esses são comentários que você pode negar a qualquer momento, já que eles foram feitos antes do jogo ser lançado, e até o tal jogo sair, eles já vão ter sido esquecidos – e assim acontece a morte da opinião. Coisa triste.
Como a internet funciona

Por tudo que é mais sagrado, se eu tivesse que lhe explicar isso por completo agora – e se você entendesse por completo – eu estou quase certo que sua cabeça iria explodir, ou você iria se encontrar viciado em substâncias ilícitas (meu caso), não tenha dúvidas. O fato que eu vou conscientemente falhar ao explicar isso para você é para o seu próprio bem, mesmo porque eu só quero que você tenha uma idéia básica da coisa.

Como eu já mencionei anteriormente, a internet é um lugar onde quanto mais trafego você tem em seu site, mais dinheiro você faz. E se alguém estiver disposto a aumentar a quantidade de visitantes de um site (como todos os proprietários de sites profissionais de videogame naturalmente querem), você tem que estar disposto a adotar as posturas dos sites mais populares.

O problema é que o dono de um site só pode saber da quantidade de visitantes de seu próprio site, e não a de seus competidores (para fazer isso, ele teria que ter acesso aos relatórios de estatísticas de seu competidor, o que é impossível se você não usar métodos ilegais tal como o hacking ou algum tipo de espionagem industrial). Assim sendo, a única ferramenta que você tem para comparar o nível de visitantes de diferentes sites é se utilizar das pesquisas feitas por terceiros, organizações que compilam estatísticas. De longe, a mais confiável companhia para esse tipo de pesquisa é a Alexa, e uma rápida olhada no top 500 global compilado pela empresa vai mostrar que dos quatro sites melhores cotados, três são sites de busca (o terceiro lugar, o Youtube, é uma aberração cuja presença no topo é explicável, mas eu provavelmente vou deixar essa explicação para outra hora, pois ela é irrelevante em relação ao assunto que estamos discutindo).

Outra perguntinha simples: por que sites de busca recebem mais visitas do que qualquer outro site na internet?

Porque eles contêm a internet.

Essa é a parte assustadora. Talvez sejam necessárias explicações longas demais para fazer com que você saiba exatamente como a coisa funciona. Mesmo eu tenho pouco conhecimento prático em criação de sites, então eu vou colocar de maneira bem simples e rápida: quais são as maneiras de aumentar a popularidade de um site? Não, não são os artigos bem editados, nem o talento de sua equipe. Você vai perceber que você começa a ter mais acessos gradativamente ao passo que você aumenta a quantidade de páginas em seu site. Não importa o que essas páginas tenham: podem ser imagens aleatórias e desconexas, duas linhas de texto inútil ou qualquer outra coisa que adicione uma atualização nas postagens de seu site. Não existe dúvida que para sites pequenos, a qualidade venha a importar mais que a quantidade, mas ao passo que um site cresce, ele vai se tornando mais e mais importante. E quanto mais conteúdo você tem, mais alto você vai estar na lista de pesquisa de um site de busca. Uma vez que você consegue chegar a um nível de acessos comparável ao de um site de busca (como o LameSpot, que está na 250° posição no top 500 do Alexa atualmente), a qualidade do conteúdo não somente é totalmente sem importância – é prejudicial para a popularidade de seu site ter uma qualidade melhor, porque a vasta maioria dos seres humanos está atolada em uma ignorância tão incompreensível, que eles instintivamente se afastam de qualquer coisa que demonstre qualquer lampejo de qualidade. As massas desprezam qualidade porque eles nunca vão ter a menor possibilidade de compreender qualidade. Sites de busca – os vencedores invencíveis do número de acessos – são agradáveis para todos porque eles não fazem qualquer tipo de julgamento. Eles dão para os usuários tudo que eles possam imaginar – não importa o quão isso seja desprezível, banal ou até mesmo depravado. Essa é a chave para o seu sucesso – um sucesso construído em princípios antiéticosem relação a demanda de verdadeira cultura e crítica, que encontram total exclusão no mundo da internet.

As pessoas tem o desejo de pegar tudo, pilhar tudo, manipular tudo. Ver, decifrar e aprender não as toca”.

– Jean Baudrillard

Por acaso você já pesquisou o título de algum jogo no Google procurando por novas informações, e se deparou com uma muralha de links para páginas que não contêm quase nenhuma informação? É isso que esses sites fazem. É assim que eles – em suas escabrosas tentativas de tentar terem mais acessos que os sites de busca – que eles vão ficando mais e mais como os próprios sites de busca. Segundos depois de um jogo ser anunciado, sem existir qualquer informação decente ou qualquer conteúdo sobre o jogo, esses sites vão em frente e criam uma página para o jogo; uma página vazia, sem absolutamente nada. No entanto, essa página vai ter muito mais acessos do que qualquer review do jogo, porque quando o jogo for de fato lançado (e que seja possível fazer um review do mesmo), esse vai um ponto em que dificilmente qualquer um vai dar a mínima para o jogo. Não, elas vão estar muito ocupadas fazendo pesquisas no Google sobre outro jogo que acabou de ser anunciado, dando milhões de visitas para outra centena de páginas vazias sobre um jogo que vai demorar quatro anos para ser lançado. Talvez você possa achar que eu estou exagerando na minha visão, mas não se preocupe, eu já estava chegando à parte onde o nível de desenvolvimento do jogo já é um pouquinho maior, e os sites fazem os chamados “previews” (que hoje em dia nada mais são do que uma versão perfumada das tradicionais notícias “ctrl+c, ctrl+v”, apenas adaptados com um kit imprensa), cheios de “exclusivas”, obtidas pelas empresas por intermédio do esquema sujo já comentado nesse artigo.

Essas páginas em branco são a chave para entender o núcleo do problema. A mera existência desse tipo de coisa prova que as pessoas que fazem esses sites sabem muito bem como manipular – e elas não manipulam somente se mostrando o meio-termo entre a comunicação das companhias e os jogadores, mas também se aproveitando dos próprios sites de busca, os quais elas devem grande parte de seus acessos – a quantidade de importância que determinam quais são os seus privilégios para com as companhias de videogame. Colocando de forma literal, a popularidade de seu site é o que determinar a inclinação das companhias de videogames para render “exclusivas” de seus novos jogos. E caso você não tenha percebido, o que eu acabei de descrever é um círculo vicioso.

A situação se encontra de tal forma que os sites e as publishers de jogos estão presos nesse joguinho, como parceiros em uma dança sem fim. Uma dança de vida ou morte, onde eles falham ou prosperam dependentes exclusivamente da capacidade de seus departamentos de marketing serem bons o suficiente para manipularem uns aos outros. Se um dos dois subitamente parasse de dançar, essa é uma situação que se levada a proporções extremas, causaria conseqüências imediatas para ambos os lados, causando grande perda financeira para ambas as partes, e arriscando levar o negócio dos videogames a um segundo crash. Se uma companhia de videogame de repente começasse a fornecer suas “exclusivas” para qualquer site pequeno, ao invés os sites grandes, LameSpot e sua turma, esses sites imediatamente iriam retaliar ao dar mais destaque aos títulos concorrentes. De maneira semelhante, o LameSpot começasse a escrever coisas decentes e de qualidade, adquirindo um olho crítico e paradigma de avaliação próprio em relação aos jogos, as companhias não pensariam duas vezes antes de limar as “exclusivas” do site, e entregar elas para os sites concorrentes. Afinal, se apenas um site desistisse de dançar, não faltariam candidatos para tomar o lugar dele.

Sim amiguinhos. A morte da imprensa dos videogames é uma das facetas da recente genial declaração do artista anteriormente conhecido como Prince, que disse: “A Internet Morreu”. Sim, morreu. Ultimamente, é um zumbi num filme de terror que tem drama e comédia em partes iguais. Se eu tenho sugestões para melhorar a situação? Bem, é lógico. Mas isso provavelmente é um assunto para outro episódio. É sempre bom ser carinhoso com o pessoal do distúrbio do déficit de atenção.

– Pato Donald McPato

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Uma resposta to “Os JornaLOListas contra-atacam!”

  1. geladeiranova Says:

    Cara, nao é só no jornalismo gamer que isso acontece. Jornais vivem de releaes de notícias. Só correm atrás de notícias urgentes.

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